A IMUTABILIDADE DA MUDANÇA
Uma das alegrias que tenho nesse despertar espiritual é olhar pra trás e ver o quanto mudei em minha visão de vida.
Estar nesse processo cíclico de conscientização é ter como trilha sonora a famosa música de Raul Seixas, cantando sempre o seu refrão: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante... do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo..."
É interessante observar que eu mudo e as pessoas mudam conforme o tempo. Nada é estático e isso é que é vida.
No entanto, pode ser difícil à maioria deixar seus velhos conceitos, crenças, opiniões para trás, mesmo sentindo dentro de si algo totalmente novo e libertador.
Isso acontece porque criamos uma imagem de nós mesmos através desses conceitos, crenças ou opiniões, que as pessoas ao redor passam a nos enxergar somente por eles.
O legal de ser Metamorfose Ambulante é que você não precisa dar satisfação alguma de sua mudança, pois você não estabelece nenhum vínculo ou pacto com suas visões... você não cria uma imagem de si com elas, mas sim com o seu desenvolvimento espiritual sujeito a qualquer tipo de transformação.
Muitas vezes nos tornamos escravos de nossas próprias convicções, porque mudá-las de repente causará desaprovações e rejeições alheias.
Isso é bastante comum de acontecer no meio religioso e espiritualista. Há crentes que se tornam ateus, ou ateus que viram crentes... há cristãos que se tornam budistas, ou budistas que viram cristãos... e assim vai.
No meu caso, sempre fui espiritualista livre, mas constantemente mudando de crenças, filosofias e preferências.
Para aquele que muda radicalmente a sua visão de vida é bem difícil o processo. Toda a reputação criada através dela em seu meio virará contra ele, sendo criticado e excluído do grupo. Esses são corajosos por preferirem enfrentar a crítica e a vaia em prol de sua evolução de consciência.
É comum que muitos se forcem a se manter na mesma linha de pensamento para não desestruturarem o meio em que se está inserido e onde se formou uma respeitabilidade. Pois alguns dependem dela até para se sustentarem e se promoverem.
Não é uma crítica que eu faço a essas pessoas... é apenas uma observação do quão difícil é a fase de transição de consciência. Depois de tanto trabalho e dedicação às suas percepções e conhecimentos, chega a Vida e mostra o novo ou o diferente para fazer desabar toda a estrutura construída.
Quem se depara com essa fase fica num dilema: "Devo assumir a minha mudança ou devo manter as velhas convicções?"
Talvez por isso que os verdadeiros mestres tanto dizem para não nos apegarmos a conceitos e muito menos a eles (mestres). Deve ser porque já saibam o quão é difícil e complicado abandonar conhecimentos do passado para poder entrar num novo estágio.
Em toda essa jornada de desenvolvimento espiritual me vi mudando e "destoando" de vários grupos que eventualmente participava. Admito que seja doloroso, já que nos afeiçoamos às pessoas. O problema é que as pessoas em geral, ou o aceitam ou o descartam conforme suas ideias... ou seja, se estão de acordo com as delas: amigos - se elas não estão de acordo: não mais amigos.
Até entendo que os afins se atraiam, mas o dilema do agrupamento é que se cristaliza uma crença, conceito, visão ou ideia, formando um padrão limitador de expansão espiritual.
As pessoas ainda não entendem muito bem a questão da INDIVIDUALIDADE, em que cada um vai desenvolvendo suas próprias percepções, através de sua vivência... e que cada indivíduo as contribui aos outros, formando, então, um grupo de COLABORADORES; não, de "concordantes".
Vejo muitas pessoas falarem da importância da diferença e da diversidade, mas na prática ninguém de fato quer se relacionar com quem pensa um pouco diferente. Digo "pouco" porque sei que é preciso uma razoável concordância de mentalidade e interesse.
Por exemplo: no meio espiritualista seria sensato aos que se denominam espiritualistas tentarem escutar e conhecer suas diferentes visões. Porque eu mesma observando, consigo fazer uma síntese de tudo - sem preconceito algum -, aumentando o meu alcance consciencial. É como se com essa síntese meu universo se ampliasse e eu conseguisse enxergar muito além do que os demais.
Aquilo que uns acham sem importância ou complicado por nunca tentarem entender, é o que faz aumentar a conexão com algo superior. Quanto mais aberta a visão, mais conexão se tem com a Consciência Maior. Quanto mais preconceito e negação, menos conexão.
O Mutante ou a Metamorfose Ambulante está sempre aberto ao que é diferente, por isso o fluxo nele é constante. Esse movimento de autoconhecimento, conhecimento e vivência é que nos faz mais integrados no nosso ser. Se estagnamos numa visão ou perspectiva, a integração não ocorre.
Viver é estar em constante "descoberta" de si, assim como do mundo ao redor; mundo físico e extrafísico.
Um apocalipse interno é sempre bem-vindo e, na realidade, uma bênção.
Mas lembre-se: quando ele acontece, o nosso mundo externo também desmorona. Aceitá-lo dentro de nós é aceitar abandonar o nosso passado debilitado...
Com todas nossas convicções, imagens e hábitos construídos... que já estão pequenos ao tamanho que alcançamos.







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