ESSE TAL DE AMOR...


O Amor facilmente é confundido com caridade, piedade ou dó.

Assim como a Compaixão e a Misericórdia, as pessoas acham que Amor é "passar a mão na cabeça do outro" ou "carregá-lo nas costas".

Podemos até querer o bem do próximo, mas isso ainda está longe de ser considerado um sentimento genuíno de Amor.

Como sempre digo, eu não manifesto plenamente esse amor em vida, mas já posso dizer com propriedade a diferença do que ele é ou não é (por sentir o que ele é). Grande parte das pessoas, não.

Na maioria das vezes queremos que uma pessoa amadureça e evolua espiritualmente, porém, com interesses pessoalistas por trás. Em geral é sempre um interesse de reconhecimento e de atenção do outro. O que muitos querem na verdade é a consideração e admiração daqueles que ajudam, não, o bem deles por si só.

Então, se queremos fazer o bem, apenas nesse nível, sendo que não temos ideia do que o Amor seja, não conseguimos de fato ajudar. O que ocorre é um rápido "saciar da fome" de quem ajudamos... voltando, esse, ao seu mesmo padrão instintivo de ser.

Um relacionamento de amor está muito além de uma simples preocupação em dar atenção ao outro. Ele é uma real vontade de que o outro saia de seu estado de conflito e confusão pra que possa finalmente encontrar a sua alma. Não, simplesmente querer que ele mude para o seu "próprio bel prazer" ou para que a relação fique melhor. O interesse está no ser do outro, não, no que se irá ganhar. 

O que a maioria dos indivíduos faz é satisfazer DESEJOS primitivos e egoicos da outra pessoa, agradando-a, pois o que essa quer na realidade é apenas atenção e mimo. Mas o que se está por trás é algum tipo de interesse que se quer obter dela. Cria-se, então, uma co-dependência emocional.

Para se ajudar alguém é necessário estar num grau elevado de desprendimento e autonomia psicológica, ou seja, estar em um estado em que você não vire marionete facilmente manipulado por aqueles que são carentes e vampiros emocionais.

Se não há um psíquico bem trabalhado, quem vira o dependente é você.

O interesse daquele que ama de verdade é o restabelecimento do outro por si só; o seu bem e o viver de sua própria essência. Só ele de fato consegue ajudar o próximo.

Por isso que a ideia de "mudar uma pessoa para melhor" é na maioria das vezes ilusória.  Não que não seja possível impulsionar um sujeito a mudanças internas e externas. Não é disso que estou falando... O problema é que as pessoas querem "mudar" a outra...  mas vivem no nível mental/emocional egoico, primitivo e condicionado, não tendo possibilidade alguma de "revolucionar" uma relação. A história de "transformar sapo em príncipe" ou "a fera num cavaleiro" nada tem a ver com fazer um malandro virar o homem dos seus sonhos. Tem a ver, sim, em TRANSCENDER O ESTADO EGOICO AO NÍVEL VERDADEIRO DO SER EM NÓS MESMOS, através do Amor.

Para ajudar o outro é preciso já estar num nível de consciência mais elevado e numa vivência mais purificada, espiritualmente falando... aquele estado em que o interesse transpessoal está bem acima do seu mundinho pessoal... onde o Amor está acima dos desejos e prazeres individuais.

É estranho, mas as pessoas acham que colocando o Amor (que é impessoal) à frente dos prazeres sensoriais e emocionais, não serão felizes. Como se o problema estivesse no Amor, que é altruísta, sábio, lúcido, sensível, forte, nobre, e não, nas carências e nos desejos. Como se o Amor fosse destruir o prazer de uma relação e tudo o que há de bom nela...

Outra crença errônea é a de pensar que "é preciso estar à altura do Amor para merecê-lo". Mas como assim? Será que todos não são dignos de receber amor, ainda que estejam perdidos de si mesmos?

O mais vil bandido ou criminoso é digno de Amor, estando ele verdadeiramente arrependido e disposto a se redimir dos erros cometidos. Não é a energia de amor que julga se tal pessoa é ou não merecedora dela, mas é a pessoa que se coloca em condições de ser merecedora ou não... É ela que se abre ao Amor, tendo a real vontade de viver uma vida digna e honesta.

Portanto, não existe "estar preparado" sendo assim ou assado. Mas, sim, "estar disposto" a ter a alma livre, leve e solta.

Para ajudar alguém ou "salvar uma alma" é imprescindível ter o Amor desperto em si. Não é necessário "iluminação", santidade ou plenitude desse amor... mas é necessário que você já seja A SUA PRÓPRIA FONTE dele. Só uma pessoa que já se enxergue como essa fonte, pode oferecer amor e auxílio.

E, ao contrário do que se pensa... aquele que recebe esse amor não se sente em dívida, pois aquele que doa não cobra nada, já que o tem dentro dele. Além disso, quem recebe não se sente humilhado, pois esse também começa a sentir e doar amor naturalmente.

Acredito que amar seja "contagioso". A questão é que são raras as pessoas que exalam essa energia. Elas possuem a flor dentro da redoma que elas mesmas se tornaram, esquecendo-se de sua existência.



Um outro equívoco é achar que para se saber amar é preciso EXPERIÊNCIA em relacionamentos. Não... Muitas vezes é a experiência que atrapalha a manifestação do amor. Uma criança não tem experiência alguma, no entanto, ela é pura expressão desse amor.

O grau de sabedoria e compaixão não está relacionado à prática ou ao conhecimento de determinadas vivências, mas ao seu desprendimento de ganhos e vantagens.

Amor nunca foi tempo ou experiência, mas a entrega ao ser verdadeiro que somos.

Tudo isso eu escrevo, porque sei... Não são meras teorias ou conjecturas. Posso não ser plena em amor; não expressar a totalidade do Amor que Sou; mas o tanto que me sei como Amor já me dá condições de oferecer a mão a quem quer se encontrar, sem dar receitas, conselhos, preceitos ou cartilhas... 

O Amor ensina sem precisar ensinar...

O Amor lhe faz enxergar que Ele é você.


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