NOVO HOMEM: SER INDIVIDUAL


O grande problema do mundo não é simplesmente a intolerância.

O grande problema do mundo são as crenças.

Muitos dirão que é impossível ser um alguém sem crenças. Pode ser. Mas quando falo de crenças, não falo meramente de conceitos dos quais acreditamos. Falo, sim, de crenças que nos tornam zumbis, massa de manobra e mente coletivista.

Crença - com todo peso da palavra - é tudo o que nos torna mais tribo e menos indivíduo. É tudo o que nos faz odiar, discriminar, atacar, ofender, desprezar, escarnecer outro ser humano, por causa de um pensamento.

Mas ao contrário do que muitos acham, crença não está apenas nos segmentos religiosos. Ela está em toda uma cultura, etnia e ideologia política.

A crença é uma mente coletiva que nos envolve, controla e manipula. Ela nos doutrina desde crianças a ser e pensar de uma única forma. Engana-nos com seus belos discursos de paz, justiça e liberdade, mas por trás tem somente o intuito de nos fazer mais um no grupo - não importa qual grupo.

Seres humanos são seres sociais, porém isso não significa hegemonia de pensamento. Podemos encontrar pessoas com ideias semelhantes, no entanto, quando essas ideias começam a formatar um indivíduo como um verdadeiro soldado de conceitos, toda a singularidade ou essência é encoberta de CONDICIONAMENTOS ou PADRÕES sociais.

As pessoas estão cada vez mais perdidas, depressivas e pensando em suicídio exatamente porque se deixam corromper por crenças. Elas se identificam àquilo que foi incutido em sua mente, não, ao que o coração sente e diz.

O coração diz que quer um mundo mais justo e fraterno, mas a mente distorce dizendo que o problema é o preconceito. Não, não é. O preconceito é só a consequência da IDENTIFICAÇÃO ÀS CRENÇAS, ou seja, a incorporação dos conceitos em um sujeito que os personifica.

Não existem mais pessoas legítimas no mundo. O que há são crenças e ideologias. O humano real está soterrado por seus personagens fabricados. Fabricação, essa, de origem política, religiosa e cultural.

São níveis e níveis de consciência: desde o espectador de novelas e telejornal a pessoas verdadeiramente profundas e sábias. E entre esses dois extremos estão os ideólogos e religiosos. É nesse nível intermediário que se encontra o sectarismo, onde o "cão corre atrás do rabo". Nele não há entendimento, escuta, reflexão; as pessoas nesse nível querem apenas fortalecer seu senso de identidade e de autoafirmação. "Eu sou isso", "Eu sou aquilo", "Eu estudei tal coisa", "Eu sou expert". Claro, estudar ajuda muito, mas não impulsiona o indivíduo além de sua mente, meramente autômata, como a um gravador. A maioria estaciona em sua "importância", promovida por uma crença, e não alcança o seu eu verdadeiro.

Ser um pensador de verdade está muito além de se informar e ter uma posição fixa conceitual. Ele consegue enxergar além dos estereótipos e das imagens óbvias que nos são apresentadas. É fácil para o senso comum ver uma manifestação de preconceito e intolerância; o que ele não vê é que sua posição político-partidária, ou mesmo religiosa, é que torna o mundo ainda mais preconceituoso, intolerante e dividido.

Alcançar Consciência ou Sabedoria é esse "ir além". Você não se deixa arrastar pela mente coletiva com seus jargões e rotulações programadas. Sua "âncora" está na voz mais profunda de seu ser, que preza pela honestidade, justiça, honra, respeito, amor, discernimento, por já estar distanciado dos apelos instintivos do corpo e da mente adoentada. 

Sua liberdade, antes de tudo, está no seu espírito; e ele sente completamente isso. E sendo livre internamente, não há exigências, mas sim, uma natural revolução ao seu redor - que nada mais é do que o fluir da vida. Esse fluir da vida não é deixar de agir, porém é agir conforme os apelos da alma; não, do corpo ou do pensamento.

A pessoa livre não segue ideologias, preceitos religiosos, mestres, gurus; ELA É LIVRE. Ela não segue filosofias; ela é que é filósofo. 

Todo ser humano que se preze é contrário a todo tipo de violência e discriminação, não importa que venha de grupos racistas, homofóbicos, misóginos, fanáticos religiosos, ou de grupos socialistas, comunistas, pobres, negros, gays ou qualquer minoria. Nossa condição aqui neste mundo é primordialmente HUMANA...

O resto é entulho de conceitos.

Mas as pessoas ainda preferem ser entulhos ambulantes.

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