A LIBERDADE QUE ESCRAVIZA
Existe uma parte em mim que está diretamente conectada a uma mente intuitiva e abstrata.
Sempre senti que isso fosse algo mais aflorado do que nas outras pessoas. Mas não é que as outras pessoas não sejam sensíveis e intuitivas também... O que geralmente ocorre é que elas bloqueiam quase o tempo todo essa abertura, por causa de suas personalidades - ou imagens do seu "eu".
Desde criança, mais precisamente com meus quatro anos, já tinha certas fantasias românticas. Eu já sentia uma ânsia em encontrar um amor, e me imaginava tendo um namorado ou marido.
Era muito precoce esse sentimento. Psicólogos dirão que é uma carência sentida por uma ausência do pai. Mas para mim, é muito mais do que psicológico, pois sempre senti essa lacuna como sendo espiritual.
Nesse caso, espiritualistas dirão que é "saudades" do mundo espiritual; outros, de uma vertente mais oriental, dirão que é a falta do nosso Ser verdadeiro. Porém, mesmo não rejeitando essas possibilidades, sinto que é algo mais.
No fundo de minha alma, sinto que, além de todos nós estarmos aqui para encontrarmos a nós mesmos, estamos também a encontrarmos uma conexão divina entre duas pessoas. Falar sobre isso soa como a uma ilusão infantil, criada pelos contos de fadas ou por uma cultura baseada no amor ideal romântico.
No entanto, mais do que uma mera carência emocional ou sexual, a união entre dois seres transcende as necessidades terrenas - ela é espiritual.
A união profunda entre duas almas é a natural busca dos humanos. Isso nada tem a ver com a satisfação física ou psicológica, mas pode, sim, agregar as duas coisas, tornando o encontro pleno.
Encontrar alguém de grande afinidade espiritual está muito além dos fatores sensoriais e mentais de um indivíduo. As pessoas podem se associar através de seus gostos ou preferências (físicas ou intelectuais), mas não, necessariamente, serem almas afins. Da mesma forma se dá o contrário: almas afins podem não ter os mesmos gostos ou preferências de personalidade.
A afinidade delas estará em um nível de propósito maior de vida. E ainda que existam milhares de pessoas com um objetivo semelhante, haverá uma ligação muito maior entre os dois seres, como se fossem um complemento um do outro. Esse complemento não seria uma metade da outra, mas, sim, um ser completo que se encaixa a outro ser completo.
O grande problema humano é que, em geral, quase ninguém conhece a si mesmo para poder perceber a sua alma afim. Confunde-se as verdadeiras ligações espirituais com as identificações de personalidades. Em nosso mundo, valoriza-se muito mais as companhias convenientes do que uma união baseada em reais sentimentos.
Isso ocorre porque na cultura atual, ninguém mais acredita em sentimentos. Acham que isso é uma historinha inventada por alguém para que tivéssemos idealismos e, assim, acabássemos frustrados. As fantasias ou as expectativas prejudiciais não são causadas pela ideia de uma união verdadeira entre dois indivíduos. O que nos faz iludir é a carência, a falta de sentido e o desconhecimento de quem somos.
As pessoas não enxergam, mas está sendo cada vez mais imposta uma INVERSÃO DE VALORES, onde amar um (a) parceiro (a) ou ter sentimentos afetivos é errado, e ser superficial e prático nas relações é o correto.
A troca de interesses é o que importa; não, a comunhão de dois seres.
AMAR a todos - ou a toda a humanidade - nunca foi ter o direito (ou dever) de transar com todos, a hora que se quer ou com quem bem entender. O amor espiritual se manifesta de um jeito para com todos, e de outro jeito para com um (a) só companheiro (a).
Aquele que consegue ser feliz com uma única companhia afetiva e sexual já alcançou uma consciência espiritual da qual não necessita satisfazer-se com multiplicidades ou novidades. Sua liberdade não está mais focada nas coisas externas e físicas, mas totalmente no seu ser interno.
Muitos podem não sentir a vontade de buscar uma união, mas não porque desejam ser livres para ter vários relacionamentos. Apenas não sentem a vontade por já sentirem-se bem sozinhos e não necessitarem de sexo.
Mas há aqueles que têm a vontade inexplicável de união, contudo, somente quando existe um sentimento profundo de almas. Esses, já não perdem tempo procurando parcerias sexuais ou companhias para preencherem um vazio. Eles buscam a união sagrada entre um homem e uma mulher.
A inversão de valores quer que acreditemos que as relações devam ser livres e abertas. A desculpa é de que isso evitaria a possessividade, o controle, o ciúmes e o egoísmo. Ela incentiva que valorizemos o prazer e a satisfação dos sentidos, e que rejeitemos os sentimentos mais elevados entre duas pessoas.
Acabar com a posse e o egoísmo é impossível através de um costume, uma cultura ou um hábito. Acabar com a posse e o egoísmo só é possível através do aprofundamento em nosso ser. Mas para nos aprofundarmos nele é preciso que nos entreguemos aos sentimentos da alma, onde estão inclusos os reais sentimentos amorosos por alguém.
A inversão de valores quer tornar as coisas fáceis e convenientes à vida carnal, fazendo as pessoas se desviarem do caminho espiritual, no qual há desafios mais complexos. Almas estão atrofiando, tornando-se empedernidas por causa da liberalização sexual promíscua.
Querem que sejamos escravos do corpo e da mente e por isso desvalorizam tanto os sentimentos e a busca da união sagrada.
Não é fácil encontrar uma alma afim, como muitos acham ser fácil encontrar. Como disse, não é simplesmente achar uma pessoa com os mesmos interesses e particularidades parecidos. Existe algo muito além de qualquer explicação lógica que os atrai. O encontro de pessoas dessa categoria requer muito trabalho interno de ambas, pois o desafio de uma união como essa é muito grande. Quando uma delas não estiver preparada, os dois não terão condições de se unirem. Mas a exigência não é de uma das contrapartes, e sim, simplesmente da própria vibração energética consciencial que afasta ou aproxima os indivíduos conforme a sua ressonância.
A união dessas almas só se realiza em níveis elevados de vibração; nunca em um nível denso de apegos físicos e carências emocionais. Não há uma necessidade de perfeição, mas um sincero desprendimento dos interesses baixos.
Por ter sido erroneamente distorcido ou colocado de modo pejorativo o termo "Alma-Gêmea", hoje, todos pensam que esse encontro é um mito devido às condições idealistas a que foi propagado. A união de almas afins ou complementares não significa perfeição ou "final feliz". Significa apenas que as duas partes já estão muito conscientes de quem são, de qual a sua missão de vida, e conectadas a um sentimento superior. Missão, essa, que é a mesma ao casal, mas com contribuições únicas de cada um.
A união de seres complementares é um grande avanço na elevação humana, pois contrapartes masculina e feminina geram uma emanação muito grande de Consciência ao mundo. A elite ocultista sabe disso e não divulga a informação porque tal emanação gerada pela união dessas almas despertaria e libertaria muitas pessoas da ignorância espiritual. Essa elite sabe, porém não tem acesso a essa realidade por não estar em um nível elevado de amor.
A cultura da liberalidade sexual quer nos tornar reféns de nossos instintos, para que não descubramos o grande êxtase espiritual que uma união sagrada entre duas pessoas pode nos proporcionar em benefício ao todo.





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