ALÉM DOS RÓTULOS ESPIRITUAIS
Talvez por eu ser uma pessoa muito eclética, os rótulos a mim sejam muito mais incômodos e injustos do que às outras pessoas.
E ainda que eu não conheça sobre variados assuntos de forma mais profunda, a vantagem de saber um pouco de cada coisa me faz enxergar o suficiente para evitar o pré-julgamento e as ideias erradas.
É por esse motivo que eu insisto tanto em dizer que enxergar a paisagem através de uma única janela é ter apenas uma pobre e fragmentada perspectiva de todo um panorama.
Eu posso dizer isso de mim mesma, pois antigamente tinha uma visão distorcida e preconceituosa dos cristãos, achando que todos eles eram crentes fanáticos querendo converter os outros aos preceitos da igreja - fossem católicos ou protestantes. O rótulo mais comum deles é o dos crentes e pregadores que batem na porta de nossas casas para levar a palavra de Jesus, ou dos falsos moralistas "chatos de galocha" e cheios de si.
Mas eu estava errada, pois muitos cristãos são antes de tudo, filósofos; coisa muito em falta em todas as religiões e grupos místicos.
Porém, mesmo o conceito de filosofia devemos ponderar, pois já vi vários dizerem ter um conhecimento filosófico, mas com uma visão totalmente estreita e uma mente obtusa, sem qualquer bom senso. Portanto, se gabar de ser filósofo e ter lido muitos autores não significa sensatez, coerência e muito menos, sabedoria.
Gosto de ressaltar, no entanto, que os rótulos surgem devido à falta de conhecimento e vivências próprias. Muitas vezes, aquele que rotula não tem a intenção de denegrir ou menosprezar - quando se é um sujeito honesto. Ele simplesmente acredita em determinadas coisas por desconhecer a realidade mais ampla - ou conhecer pouco.
Quando pessoas se dizem "espiritualistas", isso já se pressupõe que elas não são ligadas a nenhuma religião institucional, mas que possuem suas crenças ou visões diferenciadas sobre a espiritualidade - em sua maioria, holística (corpo, mente e espírito interligados).
O grande problema é que tentar rotular os espiritualistas em certas características fixas, é correr um grande risco de se equivocar.
Por que eu digo isso? Simplesmente porque o termo "espiritualista" é tão complexo que ao tentar fazer uma análise generalizada pode-se dar um tiro no próprio pé.
Falo isso, inclusive das vertentes esotéricas (ou exotéricas). Isso porque, nos dias atuais, ser um esotérico não significa que o indivíduo pertença a alguma sociedade secreta ou a uma escola iniciática de mistérios; significa apenas que ele estuda, se interessa e pratica alguns de seus conhecimentos. Ou seja, não, necessariamente, sabe das origens históricas ou filosóficas do saber místico.
Ser um espiritualista esotérico não quer dizer que se acredite em todas as teorias cosmogônicas ensinadas por seitas, e nem em um preceito único tradicional em comum. Uma pessoa que simplesmente tenha uma visão holística da vida, com interesse em estudos metafísicos, parapsíquicos, técnicas de mentalização, canalização energética, ferramentas de autoconhecimento e simbologia, já pode ser considerado "místico".
Um alguém místico pode adquirir todos esses conhecimentos, mas ter uma filosofia espiritual budista ou judaica, por exemplo. Vai depender da afinidade de cada um.
A síntese espiritual que se diz que os místicos ou os universalistas têm, que muitos chamam de sincretismo religioso, na minha percepção, nada tem de "junção de crenças". Seria, sim, o alcance de uma Essência (Verdade) que está além de todas as crenças, porém, que as permeia no seu sentido mais profundo. Transcender as religiões ou qualquer tipo de crença espiritual (desapegar-se) é conseguir chegar mais próximo a Deus (Fonte).
Enxergar a vida humana como a uma penitência ou condenação também não tem relação com o espiritualista que se libertou dos conceitos tradicionais religiosos. Muitos místicos ou esotéricos já não veem a reencarnação como dívida, exclusivamente; pois pode haver um sentido de missão ou simplesmente de experimentação de vida de várias almas aqui encarnadas.
Espiritualistas que não seguem nenhum dogma estão espalhados em diversas vertentes, portanto não há como defini-los em nenhum rótulo específico ou geral. Uns seguem uma linha filosófica mais oriental de desconstrução do ego, descartando qualquer crença mística; no entanto, são considerados holísticos (integradores) também. Outros seguem uma linha mais espírita, focando sua atenção nas questões extrafísicas.
Hoje, o movimento da ufologia espiritualista está cada vez mais forte, porém gerando várias facções e controvérsias; pois umas tendem mais ao espiritismo e outros mais ao esoterismo. Sobretudo porque alguns mais espíritas ainda guardam certos conceitos religiosos limitantes, e alguns mais esotéricos tendem a cair numa caricatura de fanáticos de seitas malucas. Já os contatados realmente mais sérios têm como único objetivo libertar as pessoas dos condicionamentos estabelecidos pela normose social - principalmente de gurus e autoridades espirituais.
Não há como julgar um grupo de pessoas por um rótulo de características, quando há um leque de diversidades dentro dele.
Assim como é equivocado julgar todos os cristãos de falsos moralistas, hipócritas, preconceituosos, mente engessada, "chatos de galocha", é um erro enquadrar todos os espiritualistas ou místicos em uma única crença ou forma de ver a vida.
Para se entender as diversas vertentes espirituais é preciso muito mais do que informações ou uma perspectiva de visão da sua janela.
É preciso vivenciar ou ter um convívio bem próximo com pessoas que conhecem muito bem a espiritualidade em seus vários aspectos.




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