A HUMILDADE É INERENTE À SUA GRANDEZA
A frase era: "A ignorância (inconsciência) é uma autoagressão".
O que isso quer dizer? Quer dizer que a ignorância do próprio Ser já é um futuro - e constante - orgulho ferido.
Antes eu dizia muito que a Verdade era dolorosa; que, querendo ou não, Ela machucava. Eu estava errada: não é a Verdade que machuca, mas, sim, a ignorância Dela.
Ainda que a palavra "ignorância" tenha um tremendo peso negativo, ela apenas quer dizer "ignorar a Verdade", "ignorar o conhecimento", "ignorar os fatos", "ignorar a essência"...
Mas, analisando melhor... Aquele que ignora, nem sempre ignora porque quer; e, sim, ignora porque não teve acesso ao que é verdadeiro e de valor. Portanto, a palavra mais correta seria "inconsciência".
Eu mesma fui ignorante e ainda sou de muitas e muitas coisas. "Só sei que nada sei".No entanto, isso se refere a todas as pessoas, principalmente àquelas que ignoram sua profundidade espiritual - ou seja, que são inconscientes dela.
O insight e toda essa introdução veio apenas para dizer que o que vou dizer nesse texto irá ferir algumas mentes condicionadas aos conceitos religiosos estabelecidos. Portanto, se você não é um livre-pensador, questionador ou não queira refletir e expandir a consciência, recomendo não continuar a ler, pois minha intenção não é ofender ninguém.
Aqui eu não vou meramente criticar as religiões e os grupos místicos, porque realmente não é esse o intuito. Mas vou, sim, questionar suas crenças e tentar dizer o porquê eu as questiono. Criticar é agredir intencionalmente; questionar é estimular os outros a pensar e ponderar.
Um desses questionamentos é sobre: O que é de fato SER HUMILDE?
Sim, porque o que a maioria das religiões prega é a de ter humildade e aceitar tudo como "vontade de Deus" ou "vontade da Vida". Ou, então, nos grupos mais espiritualistas, prega-se o "tudo é responsabilidade (culpa) nossa", desprezando o fato de que ninguém consegue ter controle sobre ser ou não ser consciente (desperto). Ou seja, ou você é, ou você não é; por isso, como ter responsabilidade estando inconsciente??
Conforme fui conhecendo várias vertentes espirituais, inclusive as místicas, fui entrando em contato com um preceito quase inquisidor de "saber reconhecer os próprios erros". É claro que devemos, sim, reconhecer nossos erros e sair do estado imaturo de vitimização. Mas a questão que eu quero explanar não é essa, e, sim, a de que absorver esse conceito apenas como uma regra a ser cumprida, sem nenhum aprofundamento, é continuar na superficialidade de uma persona autômata moralista.
Já pude escrever diversas vezes que ser humilde nunca foi simplesmente ser modesto. Pois uma pessoa vaidosa pode muitas vezes fingir humildade, ao demonstrar essa "modéstia", já que isso agrada à maioria.
Humildade é a condição inerente do Ser ou da Essência que somos. Mas ser humilde nunca significou colocar-se pra baixo, se punir, se condenar, se culpar ou se achar um zero à esquerda.
Podemos nos arrepender de muitas coisas, porém o arrependimento verdadeiro nunca nos faz sentir "criminosos"; e sim, apenas, como a indivíduos que erram por INCONSCIÊNCIA, mas que podem e conseguem se redimir. Dizer que as pessoas erram por ignorância ou inconsciência não quer dizer justificar o mal ou a má índole de quem comete crimes. Claro que não. Significa que todos que cometem coisas ruins e prejudiciais - conscientes ou inconscientes de cometerem - estão cegas (ignorantes) da Verdade, que é Amor, Consciência e Sabedoria.
Podemos nos arrepender de muitas coisas, porém o arrependimento verdadeiro nunca nos faz sentir "criminosos"; e sim, apenas, como a indivíduos que erram por INCONSCIÊNCIA, mas que podem e conseguem se redimir. Dizer que as pessoas erram por ignorância ou inconsciência não quer dizer justificar o mal ou a má índole de quem comete crimes. Claro que não. Significa que todos que cometem coisas ruins e prejudiciais - conscientes ou inconscientes de cometerem - estão cegas (ignorantes) da Verdade, que é Amor, Consciência e Sabedoria.
Pensemos, agora, num homem sábio ou iluminado... Ele, na sua integridade e compaixão, não se engrandecerá perante os outros pelas suas qualidades, fazendo os outros se sentirem inferiores e incapazes. Tampouco irá se desqualificar, diminuindo suas características para não desagradar os outros. Uma pessoa sábia sabe bem quais são seus potenciais e os honra, valorizando-os e colocando-os em serviço aos outros.
O que na verdade um homem sábio faz é, com o seu exemplo, incentivar outras pessoas a encontrarem a sabedoria que há nelas e, assim, as elevar a um patamar superior ao que elas se encontram.
Mas o que a maioria das religiões têm feito é NIVELAR TODAS AS PESSOAS POR BAIXO, colocando-as num eterno sentimento de culpa, pecado, impotência, e principalmente, DÍVIDA.
Ter consciência de que somos passíveis a erros e que fizemos coisas ruins no passado não deveria nos fazer pensar que somos atrasados, espiritualmente falando. Ter humildade nunca foi pensar que tudo o que nos ocorre de ruim é 100% CULPA NOSSA e que aquilo que recebemos de maldade é porque cometemos o mesmo tipo de maldade a alguém. Ver as coisas dessa forma é ter uma mente engessada e automatizada pelas crenças religiosas. Quem garante que doenças, acidentes, tragédias, crimes são todos originados de um carma passado individual?
Alguém me explica, então, por que pessoas consideradas santas sofriam tanto; muito mais até do que pessoas egoístas? É por que foram pessoas muito ruins em vidas passadas? Mas se foram tão ruins, não teriam os mesmos condicionamentos egoicos de antes? Pois o que vemos desses santos é que desde crianças eram seres mais sensíveis e altruístas.
Um espírito que alcança maior Consciência, Sabedoria e Integração com Deus, mesmo sabendo que cometeu erros e foi egoísta em vários momentos, não se coloca em posição de "CONDENADO" para mostrar humildade. Ele, apenas sabe que, na condição que ele alcançou, tem o dever em manifestar o seu melhor e ajudar os outros, contribuindo com todo o planeta. Pois um ato verdadeiro e benéfico que se faz no dia a dia já reverbera a toda a humanidade.
Portanto, não é se culpando e se colocando pra baixo como um alguém com dívidas passadas que se eleva a Consciência. Nunca foi e nunca será.
Mas é aproveitando todas as vivências na vida, positivas e NEGATIVAS, para o autoconhecimento e aprofundamento no Ser, que A eleva e nos faz valorizar e extrair a essência de cada coisa. O que aos olhos comuns é visto como "defeito", "carma" ou "infortúnio", ao Divino é apenas visto como experiência de enriquecimento da alma; não, como castigo ou condenação.
Dizem que os celtas acreditavam em reencarnação, mas não tinham nenhum conceito de carma na crença. A eles, encarnar com determinada característica ou ter algum destino, por mais difícil e negativo fosse, era apenas uma experiência a ser vivida.
Hoje, penso comigo: por que seria tão ilógico, isso? Aliás, por que achamos que as coisas devem ser tão lógicas às questões espirituais?
Contudo, se queremos lógica nas explicações, podemos pensar que crescer, enriquecer e expandir a Consciência da alma é necessário passar por contrastes e conhecer o desconhecido.
Eu me nego a usar de minhas vivências sofridas e negativas para me sentir inferior ou devedora de algo. E não gostaria que ninguém mais usasse e se sentisse culpado por coisas das quais não tem certeza absoluta.
Usarei minhas dificuldades, limitações e sofrimentos para mostrar que são apenas catapultas que nos impulsionam para o alto e que nos fazem chegar com orgulho a lugares mais longínquos.
Minha humildade está em reconhecer todas as limitações e, ainda assim, me potencializar como espírito. Só a elevação do SER é que torna um alguém humilde; e nunca, o contrário. Pois tentar ser humilde por mera conduta religiosa e social, é construir uma persona (máscara) modesta, unicamente.
Ninguém é "deficiente" quando se torna eficiente através de seus próprios limites.
Isso porque um limite nos fortalece em áreas em que a maior parte da humanidade geralmente despreza.
E o mundo está carente exatamente de humanidade e menos crença...
“ Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.” (Charles Chaplin)




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