WISDOM OR DIE
Cada vez que encontro pessoas com uma visão mais ampla das coisas e de muita sabedoria, mais é reafirmado em mim essa Consciência Maior.
É como se a cada percepção que tenho da vida - da qual geralmente escrevo -, viesse uma confirmação sincronística de filosofias de antigos mestres, me sinalizando que o que já consigo enxergar por mim mesma está realmente de acordo com uma consciência mais elevada.
Isso me deixa muito feliz, mas não porque me sinto um alguém superior, e sim porque me faz constatar que o nível de sabedoria vai aumentando cada vez que eu me entrego e me dedico primordialmente a ela. E isso acontece com qualquer pessoa que vê a Sabedoria (não, unicamente, conhecimento) como objetivo de vida.
Não posso, no entanto, deixar de ficar surpreendida comigo mesma, pois sou uma pessoa de médio estudo e nunca fui dada a ler grandes autores ou muita quantidade de livros.
Sim, sou um alguém sem muita cultura pelos parâmetros vigentes. Já ouvi falar de alguns filósofos famosos, li uma frase ou um texto deles, mas nunca me dediquei a estudar Filosofia. Sou bastante a baixo da média em termos de conhecimentos livrescos. O pouco que eu sei hoje veio muito de informações da internet.
Admiro os intelectuais, mas não me vejo sendo - e querendo ser - uma. E nunca serei...
Vejo que o estudo e o conhecimento são importantes para muitas coisas, mas, não, necessariamente, para se alcançar sabedoria.
Eu não percebia, mas tudo o que eu aprendia sobre Espiritualidade não era devido a um estudo aprofundado dela. Eu obtinha vários conhecimentos, mas tudo de forma superficial e rápida. O aprofundamento que tinha era em relação a minha internalização deles.
Fui percebendo com o tempo que era como se eu pegasse qualquer ensinamento e já conseguisse extrair o essencial. Talvez por isso as minhas poucas leituras de livros.
Se me perguntassem, há uns anos atrás, qual era a minha "biblioteca" e quais os meus livros favoritos, morreria de vergonha. Os livros que li, principalmente na adolescência, eram os mais populares possíveis - livros que fariam qualquer intelectual torcer o nariz e debochar. Hoje, porém, não me envergonho de não ser tão culta; tampouco me orgulho de não ser. A mim tornou-se neutro.
Isso porque descobri que a Sabedoria está muito além, me dando discernimento para perceber o que me convém ou não obter.
Dizer isso soa como sacrilégio aos aferrados à mente racionalista. Na verdade, é uma ofensa ao senso comum, pois até hoje se associou lucidez com muita aplicação aos estudos.
A inteligência só é associada à lógica. As pessoas têm pouco exemplo de inteligência espiritual. Aliás, quase ninguém sabe o que é isso.
A valorização do mundo atual está focada naquilo que é eficiente em sociedade... Naquilo que é funcional. Isso dá status e admiração.
Agora ser um alguém mais consciente ou sábio, sendo sem muito estudo, é motivo de menosprezo, ódio e descrédito. É como se jogasse na cara dos outros que ele alcançou um alto patamar de percepção, sem ser pelas vias normais da razão e do esforço... É como se não fosse de seu direito ser mais esclarecido, filosoficamente e consciencialmente falando.
Quem sabe é um dom natural meu, essa abstração que tenho? Porque realmente não tenho estudo algum de filósofos e pensadores. Eu vou percebendo as coisas por mim e só depois vou constatar que outros homens e mulheres - até da antiguidade - já pensavam da mesma forma.
Ensinamentos espirituais caíram de para-quedas na minha vida. Foram passagens rápidas, mas suficientes para a minha compreensão. Sinto que, muito mais do que conhecimento, eles eram chaves para abrir minha própria Consciência inata.
No entanto, ainda que eu veja por vivência própria que a quantidade de conhecimento não define o grau de lucidez, e, sim, mais um sentimento intuitivo e contemplativo, é preciso muito cuidado ao se tentar rejeitar a razão.
Está muito em moda, no meio espiritualista - mais especificamente as de filosofia oriental -, de se afirmar que a mente é o grande problema do sofrimento e que deve-se "calá-la".
Sim, de fato, ela é o entrave à descoberta do ser verdadeiro que somos. Mas, é preciso deixar claro que não é ela como instrumento humano, com todas as suas funções racionais importantes, mas, sim, como uma "identificação cega" a ela.
Se identificar com os pensamentos, como sendo eles a própria entidade, é ignorar por completo a Alma e a inteligência dela. Para a maioria, somente o cérebro pode conter inteligência; não se fala nunca que há uma inteligência além da lógica, que é totalmente criativa, superior e abstrata. Ou melhor: que é verdadeiramente você.
É dessa inteligência espiritual, criativa e sábia (Consciência) que os orientais da antiguidade já falavam. Porém, nunca foi REJEITANDO (ou tentando eliminar) a mente, que se integra a essa Consciência. A razão e o Coração nunca podem andar separados; só que o Coração é que deve estar no comando.
Ser Coração nunca foi se deixar levar pelas emoções. Ser Coração é ser Alma, ser verdadeiro em essência, ser corajoso e estar sempre conectado com sentimentos justos e mais sublimes.
Contudo, para conseguir se conectar com o Coração, o que deve ser deflagrado é a ilusão que a mente nos propõe, não, exatamente, desprezar a sua função de discernimento das coisas do nosso dia a dia humano. Como sempre repito em vários textos sobre a deturpação das filosofias do oriente, pega-se uma ideia e a transforma de acordo com as conveniências do Ego - a "não-dualidade" e a "unicidade" são exemplos disso. Distorceram tanto a espiritualidade oriental, que o conceito que os religiosos ocidentais têm é de que ela é amoral e relativista.
(Bastante contraditória essa visão, pois o Japão, que a maioria do povo é xintoísta ou budista, apesar dos defeitos que possa ter e que TODO POVO tem, NUNCA FOI AMORAL, IMORAL E NEM RELATIVISTA. O "ôba-ôba" naquele país, inclusive, começou a se expandir por causa da ocidentalização forte que teve, principalmente com a entrada em massa de vários estrangeiros. Não falo isso porque os ocidentais são transviados ou má-influência, mas porque o choque cultural levou os jovens a se rebelarem, de modo radical, da rigidez.
A mim é bastante claro que não pode existir ética se não há nos indivíduos uma certa dose de moral. Ainda mais nos orientais, sempre tão respeitosos, poéticos e sensíveis à natureza e à beleza de tudo).
A Sabedoria é um direito nato de todas as pessoas e de qualquer povo.
A Sabedoria é um alcance totalmente possível a qualquer nível cultural ou condição social.
Desculpe se eu galgo os degraus da minha, sem ser pelas vias da normalidade.
A minha intenção nunca foi essa, mas sei que sou um "tapa na cara" a vários tipos de convenções... Principalmente aos que se apegam ao padrão social estabelecido.
Eu nunca quis ofender, mas constato que quanto mais perceptivos e lúcidos, mais nós envergonhamos inconscientemente os outros, de forma natural.
Que um dia eu consiga fazer dessa Consciência, estímulo e exemplo às pessoas; não mais, vergonha a ninguém.



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