O INFINITO "POLITICAMENTE" ERRADO


      Eu acredito no Brasil, no povo brasileiro e na humanidade.

      Eu só não acredito na política que aí está.

      Eu não vejo bênção maior do que ser brasileira, ainda que existam pessoas que assim não me vejam, por ter ascendência japonesa. Afinal, até os dias atuais, muitos nos chamam de "japoneses", passadas três gerações.

      Mesmo não considerando os orientais tão brasileiros, sempre me considerava uma e tinha raiva de quem me chamava de nipônica com um tom sempre pejorativo.

      Não é à toa que eu rejeitei a cultura dos meus avós por tanto tempo. Eu e muitos descendentes da minha geração fugíamos das tradições porque era motivo de chacota. Tínhamos uma espécie de "vergonha" em sermos filhos e netos de japoneses. Mas não porque tínhamos vergonha do Japão e seu povo, e sim porque quanto mais envolvimento com a cultura dele tivéssemos, mais éramos vistos e tratados com menoscabo.

      Foi recentemente, apenas, que eu aceitei de coração a minha ancestralidade com respeito e honra... Foi não rejeitando mais as minhas características e alguns costumes herdados de meus pais e avós que passei a me valorizar como humana e cidadã brasileira que sou.

      Nesse reconhecimento é que nós, enfim, conseguimos enxergar o poder de cada "herança" cultural. Pude perceber que tendo o oriente e o ocidente em mim, e juntando os dois potenciais, posso melhor trabalhar em prol do país em que nasci e fui criada: Brasil.

      Não chamo isso de "patriotismo"; mas de gratidão e carinho ao lugar que pertenço.

      Ter nascido aqui, tendo uma ancestralidade tão antiga cultural, não foi à toa. Hoje vejo que o Brasil sem os japoneses, não seria tão Brasil. Há um propósito maior por trás de uma mera imigração. E, assim, do mesmo modo, com todos os outros povos que aqui se instalaram.

      Então, sim, eu me preocupo com o povo a qual pertenço. Sinto-me humilhada o tanto quanto todo mundo, pela desonestidade da classe política e seus artifícios de manipulação.

      Poderíamos dizer que cada povo tem o governo que merece. É fato que os brasileiros adotaram durante muito tempo o "jeitinho brasileiro" como uma qualidade pra se orgulhar, e isso tenha consequências até os dias atuais. É fato que em qualquer lugar que eu vá - bancos, lojas, mercado - eu veja alguns furando a fila. E é fato que qualquer tipo de serviço que precisemos - desde pedreiro, eletricista ou mecânico - os prestadores dele fazem de tudo para nos tirar mais dinheiro do que é realmente justo. O brasileiro foi "educado" a levar vantagem em cima dos outros.

      No entanto, vejo algo mudando... Talvez ainda muito sutilmente, mas já está acontecendo. Muitas pessoas estão se conscientizando e voltando a valorizar a ética e a moral.

      Não é que isso já não tivesse em alguns. Claro que sempre tivemos pessoas honestas, mas a questão é que, antes, quando se era muito honesto, os outros nos chamavam de "bobos", "idiotas" e "fracos". Hoje, com toda corrupção e malandragem sendo deflagrada contra a população, a tão desprezada honestidade está voltando ao seu real posto de valor.

      Talvez eu não esteja viva para ver - ou talvez esteja, quem sabe? -, mas acredito que um dia a maioria dos brasileiros terá VERGONHA DE SER DESONESTO, assim como a maioria dos japoneses tem.

      O povo japonês também possui características das quais não deva se orgulhar, pois como eu mesma pude observar de perto, são indivíduos bastante imaturos, emocionalmente falando. Mas, inquestionavelmente, a cultura do respeito e da honestidade prevalece há milênios.

      Um representante japonês que é pego sendo corrupto, fica com tanto, mais tanto remorso e vergonha, que alguns acabam até se suicidando. Calma... Não estou defendendo o suicídio, apenas tentando demonstrar o quanto esses tipos de coisas pesam muito mais na consciência deles, do que na dos brasileiros desonestos.

      Contudo, começo a enxergar uma luz no fim do túnel. As pessoas, neste país, estão acordando para valores superiores. Poucos ainda, é verdade, mas o suficiente para expandir consciência de modo geral - o que os espiritualistas chamariam de "alcançar uma massa crítica".

      Tenho consciência de que o problema social e político nosso não está na sua forma de governo. É o povo que cria o seu próprio sistema - e dele, ou se beneficia, ou se autodestrói. 

      Na crise que estamos, porém, sou a favor de mudanças. Mesmo que eu tenha total certeza de que não é a Política e nem a Economia que eleva a qualidade de um país, e sim, a consciência e o comportamento do povo, acho que toda podridão está vindo naturalmente à tona para que a mudança no cenário político aconteça.

      É aquela tal coisa... Se somos escravos e presidiários de um controle obscuro, não há muitas oportunidades de divulgarmos a verdade. Isso porque a mídia, a classe artística e a maioria das religiões institucionais estão em conluio com a classe política e empresarial. A internet é a nossa única via de acesso. É preciso uma quebra drástica no poder, um chacoalhão, para que fiquemos mais fortes. 

      Mas é preciso ter consciência também que melhorar a situação do país ainda é só um engatinhar das coisas, pois não existe independência alguma por parte de qualquer nação. A corrupção não é só brasileira, mas, sim, mundial. Ainda seremos reféns dos grandes.

      Não existe Democracia, isso já sabemos. O que sempre existiu foi um sistema de controle; uns mais ditatoriais, outros camuflados de capitalistas.

      Seria, eu, mais a favor de uma forma de governo mais participativa pelo povo, onde os poucos "representantes" seriam apenas os nossos "procuradores" ou "gestores"; não, pessoas com ideais políticos. Onde teríamos mais poder de decisão e ação. Só que, infelizmente, as pessoas em geral não querem responsabilidades. Elas querem que alguns poucos governem e resolvam as coisas por elas, pois o objetivo é só trabalhar para garantir o seu.

      O Brasil e o mundo é um adolescente perdido, sendo guiado por adolescentes levianos. O que ele quer é ter "pai e mãe" que façam tudo por ele. O problema é que esses "pais" são mais perdidos e irresponsáveis do que os "filhos", os abusando e violentando.

      É por isso que eu não acredito e nem levo mais a sério a Política. Não existe e nunca existiu salvação através dela. É somente a conscientização e a formação de uma cultura alicerçada nos valores éticos, morais e espirituais que podem fazer uma revolução.

      Talvez, assim, quem sabe, possa aparecer indivíduos realmente capacitados, não somente a liderar, mas a ter um certo grau de Sabedoria.

      Uma nação só progride quando o líder está preparado para nos comandar. Mas engana-se quem pensa que é só nas questões políticas e econômicas. Pessoas na liderança devem ser EXEMPLOS DE VIDA. Não, perfeitas, mas, sim, com uma dignidade a nível de herói. 

      Onde estão os heróis, hoje, no mundo?

      Pode ser que estejam por aí, em diversas áreas da vida, mas dificilmente com vocação política. Ser herói na política não requer apenas conhecimento da própria; mas requer entrega e sacrifício pelo bem comum. 

      Na falta de heróis como líderes, nos tornemos cada um, heróis nas nossas vidas. 

      Porque, provavelmente, só assim, daremos exemplo aos futuros representantes.
      
                       

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