DIGA-ME COM QUEM ANDAS...
Tempos atrás gravei um vídeo contando quais tinham sido os
meus principais mentores no início do meu processo espiritual.
A cada fase desse processo tive a oportunidade de conhecer
um professor espiritual, através de livros ou palestras em vídeos.
Na fase bem inicial, mencionei que Osho havia sido o meu
primeiro mestre.
Sim, o polêmico Osho.
O fato dele ter sido um dos meus orientadores não significa
que eu concorde ou concordasse com tudo o que ele dizia.
O que ele me ajudou muito foi na parte de saber identificar
minhas emoções – até então reprimidas – e saber compreendê-las. Isso me
libertou de muita culpa e preconceito que eu tinha de mim mesma.
Saber lidar com as emoções é algo primordial aos que estão
iniciando o processo de despertar. Sem isso você não consegue avançar nas fases
seguintes.
Outra questão que ele me fez abrir a consciência foi em
relação ao que era todo o modus operandi
mecânico do Sistema. Foi ele quem me fez enxergar que a maioria de nós vivia no
piloto automático, numa busca desenfreada pelo pódio. Osho me ajudou a voltar a
confiar mais no meu Coração, tão oprimido pela mente racional geral e seus
ditames.
Mas havia algo nele – assim como em outros gurus da sua
época – que me incomodava seriamente, que era a sua visão sobre sexo livre e
outras “liberdades”.
Eu nunca aceitei essa visão deturpada sobre “amor”. Amor a
mim sempre tinha muito mais ligação com compromisso espontâneo e dedicação a um
companheiro, do que liberdade em transar com quantos fosse possível.
Talvez pela época dos anos sessenta, a moda era ser livre de
todas imposições religiosas, sem ninguém se dar conta ou entender que a
verdadeira moral nada tinha a ver com religião.
Moral é algo intrínseco da alma, e quanto mais purificada
ela estiver, mais contato se terá com o que chamamos de moral. Então, não. Não
é a religião que define a moral de ninguém, mas o contato profundo com o
próprio Ser.
Osho poderia ter uma visão ampla, sensível e revolucionária
das coisas, mas acredito que não era um real iluminado. Havia incoerências
nele, que acredito que ele mesmo deva ter reparado mais tarde.
Digo isso, porque num livro que li dele, há um diálogo em que
ele diz que a coisa sobre ter vários relacionamentos de uma só vez não permitia
ao indivíduo se aprofundar em si mesmo, pois era através de um único
relacionamento que a pessoa alcançava o amor supremo ou divino. Enfatiza ainda
que ninguém havia o entendido direito sobre esse assunto.
Eu penso que ele se equivocava em muitas ocasiões - talvez pelo intenso condicionamento da época -, mas mesmo
assim, muitas outras questões eram extremamente elucidativas e sábias. Pois a
mim ajudou em muitos aspectos da minha vida.
Ele não era perfeito, mas é fato que me ajudou a compreender
mais a mim mesma e a vida. É por isso que o considerei um mestre na minha fase inicial.
É certo que muitas pessoas passam na nossa vida e nos
conscientizam de coisas que sozinhos não conseguiríamos nos conscientizar. Não
precisam nem mesmo ser mestres ou professores; muitas pessoas comuns (e cheias
de fraquezas) passam em nosso caminho, nos ajudando a entender diversas coisas.
É nisso que precisamos ter bastante discernimento, ao
considerarmos alguém como exemplo de vida. Eu disse “exemplo de vida”, não, o
de ser apenas um informante.
Admiramos muitas pessoas pelo seu alto grau de conhecimento,
mas pouco notamos o seu grau de moralidade ou de integridade.
Exatamente por admirarmos o conhecimento de alguém, o seu
carisma, a sua oratória, a sua escrita, temos a tendência automática de o
considerarmos um “guru”.
É a velha confusão que se faz do que seja sabedoria. Afinal,
ter muito conhecimento não garante nada que um sujeito tenha discernimento,
percepção, sensibilidade, humildade e, principalmente, compaixão. No entanto,
consideramos muito mais a quantidade de informação do que a qualidade do ser.
Adquirir conhecimento também é muito válido. Mas se não
temos já um discernimento desenvolvido ou um olhar mais apurado, corremos o
risco de nos deixar levar pelas tendências egoicas daquele que nos passa o
ensinamento. Isso porque a admiração não nos deixa enxergar o que há de falho
naquele que nos ensina; a autoridade, a reputação e o prestígio de alguém nos
tornam cegos e submissos.
Felizmente, quando lia Osho eu já tinha uma intuição
desenvolvida.
Houve um condicionamento forte no mundo todo sobre o que era
ser livre, há décadas. Ser livre, para as pessoas nos dias atuais, é fazer o
que se tem vontade, independente do que isso acarrete a elas. Dizem que é um
direito de qualquer um errar, mas o problema não está em errar, e, sim, em
querer fazer do erro um acerto. E isso está muito em voga, hoje.
Talvez a época do liberalismo tivesse um único propósito:
fazer-nos conscientizar de que isso era apenas um extremo oposto da opressão.
Ou seja: algo igualmente perigoso.
É fato que adquiri informações de fontes, pessoas e grupos duvidosos,
por causa de vários conceitos distorcidos, amorais ou imorais em meio a muitas
verdades. Em certo nível, eles me ajudaram a ter acesso a informações
importantes para o meu despertar. Não rejeito essa ajuda.
Mas o perigo está, como se diz, muito mais numa meia
verdade, do que numa mentira.
Simplesmente porque na meia verdade não
conseguimos distinguir a mentira introduzida no meio dela. Aceitamos tudo como
verdade, o que causa estrago em maiores proporções.
Minha contestação não é em relação a pessoas ou grupos, mas
às ideias deles. Eu luto contra a hipnose coletiva que não deixa as pessoas
enxergarem o que as torna reféns emocionais, insensíveis, indiferentes, sem
discernimento moral. Eu luto contra mentes coletivas que estão zumbificadas, em idolatria, deixando o
direcionamento de suas vidas na mão de pessoas cegas.
O sentido é fazer as pessoas se questionarem o porquê de venerarem
indivíduos apenas pelo seus status social, seus conhecimentos e seu carisma;
enxergarem o quão é humilhante e ridículo idolatrar alguém e hastear bandeiras
com arma em punho, para defender tal ídolo.
Meu propósito é incentivar as pessoas a encontrarem seus
verdadeiros mestres em si mesmas. Podemos ter exemplos, sim, de homens e
mulheres honrados e íntegros, como parâmetro. O problema é que o parâmetro que
a maioria tem, hoje, é algo muito sem consciência do que seja um parâmetro.
Pois prefere-se o culto, o articulado, o esperto, o de renome; sendo que os
mais inocentes, purificados e sábios são ridicularizados e menosprezados pela
massa.
Contudo, serão esses sábios que nos bastidores e na
invisibilidade irão elevar o padrão vibratório e consciencial do planeta.
A eles não importa que não sejam reconhecidos, mas, sim, que
estejam fazendo a sua parte.
Mesmo sob críticas, deboches e difamações.
É preciso saber separar o que é um ensinamento que
adquirimos de alguém, do que é ter um real exemplo de moral e integridade.






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