O ÚLTIMO ESPÍRITO SAMURAI
Fui eu que escolhi vir a esse mundo.
Não fui obrigada por ninguém, por nada e nem por Deus.
Mas me desculpem... Eu não vim aqui a passeio ou para o
desfrute das delícias da vida.
Vim a trabalho espiritual.
Nem por isso me acho uma heroína da humanidade.
O que eu sou está mais para uma invasora extraterrestre com a missão de destruir os velhos
paradigmas do sistema – disparando meus
lasers de percepção. Sou uma guerreira honrando a espada.
Portanto, sim, sou inimiga declarada da mentalidade egoica
materialista.
Serei – mesmo sem intenção – uma pedra no sapato das pessoas
apegadas aos bens, ao status, à reputação, ao prestígio, aos aplausos, aos
ganhos oportunistas, à imagem e às superficialidades.
Serei – mesmo sem intenção – uma “estraga prazeres” de
fúteis prazeres que anestesiam os reais sentimentos da Alma.
Serei – de todo Coração – uma denunciante de tudo que
banaliza o falso e o mal, de tudo o que ameniza as condutas prejudiciais, de
tudo que desumaniza a humanidade, de toda cultura pusilânime que permite a
permanência dos indignos no poder – qualquer poder.
Minha ação é potencializar a Consciência. Minha ação é
reverberar lucidez ao Cosmos. E ainda assim serei julgada como um ser inútil ao
mundo.
Mas é verdade. Sou inútil a um mundo que valoriza o
transitório em detrimento do essencial.
Em nada contribuo com seu efêmero valor sensorial, funcional
e mecanicista.
Engana-se, no entanto, aquele que pensa que nada de belo e
maravilhoso vejo da vida. Olho a natureza e vejo a Verdade dentro dela... Olho
a simplicidade das coisas e vejo a Verdade dentro delas... Olho o Coração
empedernido e soterrado das pessoas e vejo a Verdade triste e sufocada dentro
dele.
Sinto prazeres mais sublimes, mas não refuto o prazer
mundano; apenas não me prendo a ele em vícios. Até mesmo as coisas inventadas
pelo homem; como são incríveis! Avançamos tanto em tecnologia e conforto, porém
estagnamos em espírito, talvez pela valorização extremada da tecnologia e do
conforto. Que ironia...
Portanto, não... Eu não me isolo do mundo, das pessoas e da
vida. É o mundo e as pessoas que estão isoladas do real sentido dela. E
estando, eu, em seu encalço, não há como me unir em ilusão com os outros.
É o mundo que quer que espíritos selvagens se amansem e se
adestrem aos seus ditames. Pois se não nos adequarmos razoavelmente dentro de
seus padrões, seremos desprezados e expulsos de suas relações.
Ora, eu não culpo o mundo. Afinal, sou eu que o denuncio em
suas enganações, em suas inconsistências, em sua dor disfarçada de “busca por
felicidade”, que nada mais é do que simples prazer. Eu não culpo o menosprezo e
a vergonha que o mundo sente de mim, pois, ao contrário, o que dirá ele aos
seus donos, amigos ou aos seus antepassados?
O mundo é um prisioneiro dele mesmo.
E sendo prisioneiro dele mesmo, mentes astutas o parasitam,
formando um emaranhado de ilusões bilaterais.
O mundo nunca me quis como "amiga".
Pois sendo "amigos", não existiria ele, mundo, e nem eu,
alienígena.
Pessoas que edificam o mundo, mais e mais em seus valores
supérfluos, não são mais pessoas; são mundo. Pessoas que não se baseiam mais
nesses valores são pessoas; indivíduos. Pessoas que ao saírem internamente do
mundo, estão o demolindo sutilmente.
Não importa mais o julgamento que deem a mim. Só eu posso
saber o ponto em que cheguei na minha caminhada espiritual.
Aos olhos do mundo serei insensata ou irresponsável; talvez
insana e até covarde.
Contudo, covarde é aquele que nada faz pela sua Alma; que
não consegue se desprender das amarras materialistas, sensoriais, psicológicas,
por medo do que os outros irão pensar... Por medo da rejeição e da solidão.
Eu não sou mais uma que precisa se harmonizar com a
mentalidade “mais ou menos”. Quero descobrir a minha inteireza, minha
completude, minha integridade física, mental, emocional e espiritual.
Um passo que eu der em relação a isso – podem apostar –
serei uma ressonância a abrir caminhos para que muito mais pessoas possam se
arriscar na busca.
A Vida planta sementes em todos, mas é só em alguns que a
semente eclode. Menos ainda os que viram flor. E raríssimos os que dão fruto.
Eu sinto que floresci. O passo agora é me entregar ao fruto.
O “fruto” quer dizer que alguém alcançou o potencial de seu
propósito na Terra. Mas há vários tipos de frutos: uns mais miúdos, outros
maiores, alguns mais tenros, outros mais duros. Ou seja, até os frutos possuem
graus de evolução.
Por toda mediocridade e invisibilidade que me submeti por
não me adestrar ao mundo e suas rédeas, não será – e nunca foi a ninguém –
pelas vias da normalidade que farei a diferença.
E quando digo que não será pelas vias da normalidade, não
estou a dizer que é preciso algo insano ou chocante, mas simplesmente algo que
a Alma clame por fazer. No entanto, o que a Alma clama sempre acaba por quebrar
estereótipos.
Eu sou a própria quebra de estereótipos ambulante, fazendo
quebras cada vez maiores, a cada etapa.
A profundidade a que
cheguei não me permite ser comum – ainda que eu quisesse. Eu quis; eu tentei;
eu fui levando...
Mas as coisas, nesse ponto, já não conseguem se adequar numa
situação razoável. A Consciência se tornou muito maior do que a formatada adequação
ambiental vigente.
Minha vida não pertence mais ao personagem; minha vida é o
que a Consciência é e diz.
E o que a Consciência quer a mim e de mim?
A Verdade, assim como tudo e todos que estão em ressonância
a Ela.
Ela quer verdade em meu sentir, pensar, ser e agir. Porém, a
vida que vivo, no momento, ainda não corresponde ao meu agir – pois, isso,
requer ter relações sinceras, honestas, profundas e afins; e fazer algo por
elas.
Depois de toda a destruição interna na minha vida promovida
pela crise espiritual, assim como, externa, por pessoas mal-intencionadas,
sinto que chegou a minha hora de renascer e seguir a jornada.
Em todo o processo de recuperação mental, emocional e
espiritual, eu esperei.
Mas a espera foi em vão, já que estando no deserto, nenhuma
alma do mundo escuta, compreende, acredita ou se arrisca. Você só tem credibilidade
ou valor, quando sai dele e se torna fruto.
Meu deserto é e foi deserto. Não tive retaguarda, apoio,
companhia ou ombro amigo.
O que eu fizer daqui pra frente não será fuga, procura de
companhia, ou retaguarda... Será, sim, direção e posicionamento ao que a
Consciência quer de mim como propósito maior. Já o que será definitivamente
esse propósito, a mim não compete saber.
E, então, não será mais a vida se adequando ao que eu desejo
como pessoa, mas eu, pessoa, me adequando ao que a vida quer para o todo.
Os que fizerem parte disso se aproximarão, os que não
fizerem parte, se afastarão.
A Consciência não veio trazer a paz; mas, sim, a espada.
Meu serviço é cortar as algemas do falso...
Não, viver em paz e harmonia numa confortante prisão.







Comentários
Postar um comentário