O MAPA DA SABEDORIA É O SEU CORAÇÃO


Sabedoria não vem com as experiências. 

Sabedoria vem com a sensibilidade em perceber a essência delas.

Todos passam por experiências múltiplas, mas nem todos extraem o ouro de sua profundidade.

Quantas vezes na vida encontramos pessoas realmente sábias, com o frescor da inocência?

Talvez as encontremos, vez ou outra, mas poucas serão de fato reconhecidas.
A massa vê no sábio apenas o erudito. Enquanto que um sensível poeta ou filósofo “de rua” passa despercebido como um indigente.

Assim como os grandes pintores, anos se vão sem que ninguém note a relevância da obra. É com a morte que a vida da arte adquire valor.

Estranho as pessoas enxergarem sapiência somente naquele que “resolveu a sua vida”. Mas, sábio não é aquele que quanto mais profundidade, mais incerteza se tem na vastidão da existência?


O sinal de sabedoria está muito mais na compreensão humilde e amorosa de um outro ser, do que na perspicácia elucidativa de uma questão.

Temos muitos gênios, mas ainda muito pouco sábios.

Percebo o quanto é diferente a minha lucidez aguçada da minha inerente sabedoria. A lucidez é seca; a sabedoria, é compassiva. E assim, vejo nos outros.

Conseguir enxergar o que quase ninguém enxerga é uma coisa... Colocar-se verdadeiramente no lugar do outro, e através disso entender o que ele está vivenciando, é outra, diferente.

Muitas vezes pensamos que por já termos lucidez, sabemos o que é melhor para a vida do outro.

Isso, porque pensamos que o outro precisa passar pelas mesmíssimas coisas que passamos. Achamos que por algo ter sido benéfico e libertador a nós, com as outras pessoas terá que ser inevitavelmente do mesmo jeito. Isso é arrogância.

Eu, você e todos nós somos arrogantes quando estipulamos uma linha única de viver o sagrado. Somos arrogantes quando não olhamos para o íntimo de alguém e já aconselhamos o que ele deve fazer e como deve ser.

Cada vez mais constato que não há “o caminho”, mas, sim, “seu caminho”. E ainda que à certa altura dele encontremos companheiros de jornada no mesmo passo, mais à frente haverá uma bifurcação em várias direções, onde em cada uma só um indivíduo poderá seguir.

Seja internamente, seja externamente, as vidas tomam rumos diferentes. Fisicamente, poderemos estar juntos de muitas pessoas, mas o processo interno e o caminho se tornam únicos a nós.

Para aquele que descobriu a sua sabedoria, não há mais fórmulas, mapas, receitas ou molduras. A vida começa a agir de forma estranha, peculiar e diferente aos que se entregam ao Coração.

Mas a mente coletiva dirá que você está errado, se enganando, fugindo, se sabotando... Simplesmente porque não compreendem as suas necessidades internas que se refletem no externo. Aquilo que já estava gritante dentro de si, há tempos, não poderá mais ser ignorado.

A vida coloca as pessoas profundas e sensíveis em xeque-mate. Não há saídas, a não ser se entregar à alma - de corpo e alma.

E quanto mais profundas e intensas, mais a vida lhes cobrará mudanças externas. Pois a superficialidade do mundo não terá mais espaço a elas.


Começa uma nova etapa aos que decidem ouvir de vez o Coração. A associação com os outros não será mais por qualquer busca espiritual interna, mas será por contribuição mútua de potenciais integrativos.

A sabedoria de alguém pode nunca vir a ser reconhecida; no entanto valerá como autonomia psicológica de vida, autonomia consciencial, amadurecimento e ressonância vibracional ao todo.

A sabedoria de alguém está na compreensão de que não existe um ponto de chegada...

Pois todo ponto alcançado é um novo ponto de partida.

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