CONHECIMENTO SEM MORAL NÃO É SABEDORIA



      Sabe o que é mais estranho?

      O mais estranho a mim é as pessoas em geral confundirem "divergência de opiniões" (conceitos diferentes) com "discernimento de caráter" (níveis de moralidade).

      Os valores, hoje em dia, estão muito mais focados nas ideias, no conhecimento e na experiência de determinado indivíduo... Já a conduta moral, isso passa batido.

      A inteligência e a genialidade de alguém fascina tanto que não se consegue perceber o tipo de conduta que alguém possa estar tendo (até subliminarmente); e o pior: disseminando como "boa".

      Por causa dessa confusão, quando se contraria um caráter duvidoso de uma pessoa, muitos acham que se está divergindo de uma mera opinião dela, ou seja, de seus conceitos. A maioria não enxerga o tipo de atitude ou filosofia - assim como a falta de ética ou moral - por trás do conhecimento, informação, ou ensinamento divulgado.

      A imagem de benevolência criada em relação a alguém se baseia, de modo simplista, a um comportamento de neutralidade e de não-julgamento em relação aos outros. Não é que eu defenda a ofensiva, a crítica (geralmente hipócrita) ou a acusação reativa, mas é fato que a indiferença e a amoralidade estão cada vez mais disfarçadas de "neutralidade e equanimidade espiritual". As pessoas do meio espiritualista estão cada vez mais sem nenhum senso crítico; ou em outras palavras: sem POSICIONAMENTO MORAL.

      Existe uma diferença entre o preconceito a diferenças (conceituais, raciais, culturais, sexuais, religiosas) e a não-aceitação de atitudes impróprias ou aprisionantes, que só soterram a Alma do indivíduo em ilusões e conflitos. Saber se posicionar contrário diante de condutas egocentradas, falsas, imorais e amorais é a atitude daquele que é CONSCIENTE.



      Debater conceitos diferentes e saber escutar o outro é uma coisa. Ser conivente com COMPORTAMENTOS DOENTIOS, narcisistas, prepotentes, obsessivos-compulsivos, indiferentes, frios e calculistas, é outra completamente diferente.

      Percebe que a essência de tudo não está se o que fulano diz é certo, mas, sim, no que ele emite como conduta moral?

      Hoje, há uma espécie de aversão à palavra MORAL. Isso porque ela foi associada aos dogmas religiosos, como sendo algo "castrante" ou "inquisidor". Na mente das pessoas, ter moralidade é ser um alguém cheio de preconceitos ou puritanismo, sendo que, na realidade, quando a moral é do Coração, ela é simplesmente um POSICIONAMENTO NA PUREZA DO SER.

      Quase sempre se enxerga somente a IMAGEM de bondosa, generosa e altruísta de um sujeito, não sabendo diferenciar um Ego gentil de um verdadeiro Coração sem intenções interesseiras. Mas vale uma interpretação de simpatia ou carisma do que a inocência, que muitas vezes pode se manifestar de forma direta e sem floreios.

      Então, se um alguém dissemina o sexo livre, a eliminação dos sentimentos afetivos, incentiva os outros ao erro (pela teoria de que é preciso errar para aprender), estimula a indiferença amoral, dissimula, mente, manipula, domina e faz apropriações indevidas de coisas que não são legítimas suas, eu não serei conivente, complacente e, principalmente: não farei vista grossa.

      Mas é muito comum se ouvir dizer: "Não julgues para não seres julgado". A questão aqui não é julgar por julgar... A questão aqui é alertar e apontar os pontos cegos que são perigosos e prejudiciais, mas que a maioria não percebe - por serem cegos. Muitas vezes são cegos até aos indivíduos que estão tendo condutas imorais e as disseminando. Por isso não é o indivíduo em si que é o "erro", mas a ILUSÃO que tal indivíduo está mergulhado. Então, sim precisamos apontar o falso, pra que mais pessoas comecem a questionar e refletir.

      Quando em certas ocasiões digo que é necessário certos chacoalhões, se colocar de forma contundente, dizer o que se enxerga mesmo que doa a muitos, criando um "certo caos", eu nunca quis dizer SE FAZER O MAL, de SER IMORAL, TRAPACEIRO, ter a intenção do conflito pelo conflito, de promover a baderna e a dor. Aliás, interpretar isso dessa forma é sinal de falta de discernimento e interpretação, como ter uma percepção deturpada. Por causa de uma única frase como "ordem pelo caos", a mente já interpreta e julga isso como uma conspiração maquiavélica ou como sendo um agente Illuminati. É óbvio que eu não sou de acordo com a AGENDA DE CAOS, mas o que eu aponto é que a própria Vida, Deus, o Todo (ou o nome que se dê à Fonte) se utiliza de situações controversas pra se quebrar conceitos engessados, preconceituosos, estagnantes, ou cristalizados para que haja liberação, movimento e revolução. Se algo fica sempre no morno "banho-maria", no medo e na passividade disfarçados de "paz", não há separação do joio e do trigo.

      Mais do que nunca é preciso um posicionamento moral. Gênios, intelectuais, "bibliotecas vivas" sem SABEDORIA alguma são armas perigosas à humanidade. Se não há uma real depuração e lapidação do ser, qualquer conhecimento torna-se apenas um poder em mãos erradas. Mentes brilhantes também podem ser destrutivas.

      Como sempre bato na tecla: sabedoria não é ter conhecimento; sabedoria é ter Consciência e Amor.

      No entanto, as pessoas em geral confundem e se deixam fascinar por pessoas sem sabedoria, sendo seus discípulos e defendendo suas atitudes impróprias ou falsas, automaticamente.

      Desde o início do meu Despertar alertava para certos sentimentos de simpatia que a maioria tinha por determinado grupo ou alguém, ficando cega para casos de injustiça ou à falta de caráter dele. O que sempre prevalecia era a "amizade", deixando de lado qualquer erro de conduta. (Não é que seja pecado errar e ser imperfeito; o problema é fazer do "erro" um "acerto" e permanecer enganando a si e aos outros). Isso, mais tarde, foi bem observado por um americano em carta aberta, chamando isso como a uma cultura do "Boa Praça".



      Posso absorver muito conhecimento e informação de muitas pessoas, e reconheço que sejam muito inteligentes, mas se vejo algo de duvidoso no comportamento moral e ético, me afasto delas. Talvez eu não consiga enxergar de todos que eu absorva informações, percebendo tardiamente o seu comportamento. Mas é fato que eu percebo muito mais fácil que os outros.

      A base do discernimento precisa estar sempre alicerçada na conduta moral, não importa o conhecimento que se tenha. 

      Onde houver indiferença quanto a isso ou um relativismo, banalizando a tudo, desconfie. 

      Para sairmos do maniqueísmo religioso não é preciso relativizarmos as coisas.

      Só é preciso mais Consciência. 

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