AS INCÓGNITAS RAZÕES DE DANNY BAKER




      Vocês acreditam em sincronicidade?

      Ou será que sou só eu que vejo "coincidências significativas" acontecerem comigo, constantemente? O que o Universo está querendo dizer, não só a mim, mas a todos nós?

      Foi só eu fazer um desabafo do meu cansaço (acumulado) de tudo o que vem acontecendo durante sete anos, e de eu contar em detalhes como tudo começou que, sem eu sequer imaginar, uma série (filme) cai madurinha na palma da minha mão. Veio, como se me retratasse alegoricamente.

      Eu não queria usar dessa incrível "coincidência" para culpar ninguém, mas querendo ou não, a história mostrada na série nos leva a refletir sobre muitas coisas... Principalmente aquelas que, por não estarmos na pele do outro, se tornam irrelevantes ou convenientes pra se achar um único culpado de tudo - geralmente, a "vítima" (o alvo).

      Mas a conclusão que eu tiro, é que a "vítima" (alvo) e todos os agentes (ou não-agentes) são "vítimas" e "culpados" ao mesmo tempo por todo o estrago. Não é que eu queira tirar a responsabilidade do mal que se faz a alguém, mas é que a sociedade em geral é tão adoentada e insensível que não tem como demonizar um indivíduo ou outro. Cada um deve prestar contas (ao menos na consciência) pelo que faz, sim. Mas as pessoas estão muito mergulhadas em medos que as cegam de tudo e de todos, desde jovens.

      A série a qual me refiro se chama "Thirteen reasons why" (As treze razões ou os treze porquês), baseada no livro de Jay Asher. Quantas razões eu teria, caso pensasse em fazer o mesmo que a garota (que se mata)? Seriam muito mais do que treze, porém não poderia enumerá-las.

      Pude sentir na alma o que a protagonista sentiu, mesmo sendo uma ficção: a dor, o ridículo, a solidão, o trauma. Foi então que eu comecei a pensar que pessoas cometem suicídio por muito menos que eu passei. Não estou falando sobre a história da série em si, em que nela há um ato de estupro, mas falando sobre pessoas que se tornam alvo de ridicularizações públicas, infâmia, desprezo e solidão... Ou quando são aprisionadas em uma reputação, tanto "positivas", quanto "negativas".

      Ainda que eu veja o lado bom da vida nas coisas ruins e sofríveis que eu passe, tudo o que eu senti e vivi não deve ser rejeitado e varrido pra debaixo do tapete, como se nada tivesse acontecido. E, sim, passei por humilhações públicas, infâmias, desprezo e solidão... Não são só os adolescentes que vivenciam o bullying virtual; hoje qualquer pessoa está sujeita a isso.


      Não sei como eu reagiria a tudo, se tivesse dezessete ou vinte anos. O que me ajudou a lidar melhor com toda a situação, além da idade de trinta e poucos anos, com certeza foi meu processo espiritual: minha desidentificação com a imagem.

      Sabe o que é descobrir que durante uns três anos (ou mais) você é monitorado pelo computador e até, vez ou outra, "stalkeado" fisicamente? Suas coisas íntimas, suas conversas, fotos, até mesmo suas particularidades sexuais sendo expostas a sabe lá quantas pessoas... Afinal, quem não conversa com uma amiga sobre sexo e quem não assiste filmes eróticos? Bom, deve existir quem não faça isso... Mas eu sempre deixei claro que eu era normal, nesse sentido humano de ser.

      É bem constrangedor, mas quanto a isso eu lidei muito bem, até mais do que imaginava saber lidar. Parece até estranho e contraditório o fato de eu ser muito espiritualizada e não ligar tanto pra essa coisa de imaginarem coisas sexuais de mim... Deve ser porque realmente "quem não deve, não teme" - e eu não tinha nada de comprometedor ou vergonhoso quanto a isso. (Pelo menos não a mim). As pessoas tendem a confundir o ser "espiritual" com o ser "casto" ou "assexuado"... Elas não entendem muito bem essa coisa de introspecção, solidão e "tempo pra si"; acham que você é doente, recalcado, e "viado", no caso dos homens. Mas quanto ao que elas pensam, você não pode fazer nada.

      Minha decepção quanto ao que ocorreu não está baseada tanto nas difamações mentirosas, mas, sim, em relação aos que se omitem. Eu me perguntava o que fazia com que pessoas que me consideravam e que eram amigas, escondessem toda essa conspiração de mim. Sempre achei que fosse medo de algo, ou então, que realmente acreditassem estar me "ajudando"... Mas, hoje vejo que é puro e simples comodismo. "Se em nada me afeta, tanto faz como tanto fez".

      O ditado de que "pimenta nos olhos dos outros é refresco" é muito verdadeiro. Eu via claramente, não só na internet, que a CONVENIÊNCIA social é muito mais poderosa do que a verdade e a justiça. Vale muito mais a simpatia das pessoas ao redor ou do grupo do que ser honesto e ficar ao lado de alguém que está sendo "crucificado" injustamente. Esse tipo de comportamento é muito comum - e tão sutil -, que a covardia é algo tido como normal e aceitável. Ser covarde foi tão banalizado que se um sujeito é corajoso e enfrenta as pessoas em prol de alguma coisa justa, ele será julgado como causador de conflitos e desarmonia. 

      Nossa mente foi condicionada a crer que se um alguém se encontra em algum problema é porque foi culpa única e exclusiva dele, e só ele pode fazer algo pra solucioná-lo. É aí que eu me pergunto novamente, onde está a empatia e o espírito de Compaixão que todo mundo prega? Todos dizem que devemos pensar uns nos outros, ser solidários, mas vejo que é só nas horas fáceis e agradáveis... Porque quando a coisa é feia, ninguém quer pôr o seu na reta. "O caso é da pessoa e ela que resolva sozinha" pensam.


      Observando a história da série, não vejo que a garota suicida não tivesse cometido seus erros com os outros. Talvez ela fosse muito sensível e carente, e ainda estivesse bem perdida na sua nova vida. Olhando pra mim, não tem como não me comparar a ela, no início disso tudo: eu estava fragilizada, traumatizada, começando o meu despertar espiritual radical, me readaptando ao país, super perdida na vida, querendo encontrar pessoas que me compreendessem... Fui meio impulsiva e me expus bastante em textos e em debates. Mas como culpá-la; mas como me culpar?

      Atraí coisas e pessoas também desequilibradas. A diferença é que, eu era a que se deixava ser agredida e abusada, como a garota, por não saber lidar bem com as situações e não querer entrar em competições. (É pecado renunciar uma conquista em prol de sua dignidade?).

      Muitos acham que eu fico tentando amenizar o mal e o egoísmo de uns; e maldizer outros. Porém, não entendem que o que tento fazer é contrabalançar a imagem taxativa que se tem de alguém: há pessoas que por mais que tentem ser amadas e admiradas por todos, não conseguem esconder suas falhas. A m*rda que fazem é tanta, que fica explícito os seus vícios e conflitos. A essas, eu aponto que por trás do "anti-herói" há uma essência, um Coração. Já aquelas que ninguém sequer imagina o seu egoísmo ou caráter duvidoso, pelo simples fato de sempre parecerem benévolas, simpáticas, gentis, camaradas, agradáveis, passam desapercebidas, causando dano muito maior por debaixo dos panos. No entanto, essas que se escondem numa boa imagem, também têm uma essência e um Coração, só que muito mais soterrados e perdidos. É a coisa da "figura popular e carismática" da escola... Mais vale a aprovação do grupinho, do que ser quem se é de verdade. E é exatamente disso que ocorrem os estragos e as desgraças.
      Eu não diria que todos somos culpados... Diria que todos fomos inconscientes.

      Talvez seja hora de nos conscientizarmos e assumirmos o que fizemos.

      Não preciso me matar pra que as pessoas sintam culpa, pois acho que isso elas já devam sentir, em maior ou menor grau. Já tive momentos de pensar em desistir de tudo (vida), mas o que não me deixava continuar com esses pensamentos era a ideia de que eu estava sendo útil pra algumas pessoas, como uma despertante. Também achei que o fato disso acontecer era pra que reunissem indivíduos de diferentes conceitos e vivências pra um propósito maior de elevação consciencial. Pode até ser que seja, mas confesso que isso me esgotava - e me esgota -, energeticamente falando. Cansei.

      Cansei de ser só "um ponto de encontro" de pessoas. Cansei de ser uma "selvagem" dentro de uma jaula, num mundo prestes a ser "Admirável e Novo". (Se já não é).

      Quando você não tem um retorno factual do propósito que se tem, tudo vai ficando sem sentido; vazio... É falar pras paredes e ouvir o eco da sua voz, apenas.

      A minha alegria é espiritual. Minha felicidade é a de saber quem eu sou e pra que estou aqui. Contudo, apesar de saber cada vez mais quem sou e a que vim fazer, não estou conseguindo colocar isso em prática como missão ou vocação. Eu não tenho com quem compartilhar... E com quem eu tenho, estou impedida por causa de segredos, medos e comodismos.

      Não tenho ninguém que me ajude. Já tentei procurar ajuda até com profissionais, mas mesmo me ajudando emocionalmente, não me direcionou a nada. Ainda estou sem chão e sem rumo.

      Minha família não pode me ajudar porque não me compreende e hoje estou sem amigos. Não seria isso um motivo pra muitos se suicidarem? Pra se ver que a força espiritual é poderosa...

      Eu me sinto como se estivesse num beco sem saída. Não consigo publicar meus livros, não tenho vontade de fazer mais vídeos (ainda me sinto ridícula), os trabalhos ou bicos que eu arrumo não dão certo, não tenho capacitação nenhuma e não tenho dinheiro pra isso.

      Aliás, tem suicídio maior do que chegar nesse ponto de consciência espiritual e voltar para a Normose? Também é um suicídio, porém da Alma, que vai se corroendo aos poucos.

      Acreditava que a percepção que tenho, os insights e o meu olhar além pudessem fazer algo de diferente... Mais do que blogs e vídeos jogados ao vento. 

      Faço comentários e sou bastante honesta, mas sei elogiar quando vejo qualidades e verdade. E isso eu sempre fiz. Mesmo assim, são ecos em vão.

      Pensando por esse lado, acredito que já morri. Sou uma alma penada vagando entre pessoas e as observando, sem poder ter contato. No delírio fantástico da minha mente, às vezes imagino que eu realmente esteja morta, sem saber que estou. Lembra do seriado "Lost"? E do filme "Sexto Sentido"? Sinto-me presa em outra dimensão, sem poder alcançar as pessoas que eu quero.

      Como disse e repito: tudo que inevitavelmente aconteceu serviu pra que eu me fortalecesse como Ser, como Consciência. Fez com que eu assumisse de vez as minhas percepções, sem depender de professores espirituais; assim como me fortaleceu emocionalmente, sem que eu "morresse" mais por não ter amigos e namorado. É na solidão que a gente se encontra. 

      Mas sinto, agora, que a Consciência precisa se manifestar de forma mais intensa... É como se já não fosse suficiente ter visibilidade sendo "invisível". Não é fama, que eu digo precisar, mas comunhão. No entanto, Ela só pode se manifestar através da Verdade e nas condições justas e apropriadas a Ela. Onde existir segredos e mentiras será impossível - talvez até por questões vibracionais de energia.

      Fico imaginando se eu fosse fraca e me matasse por tudo o que me aconteceu... Ou se eu enlouquecesse... Como ficariam as pessoas que participaram disso? 

      Não estou ameaçando nada ou ninguém, apenas conjecturando... Mas será que terei ânimo de continuar, vendo tudo isso em vão? Vendo toda essa Consciência ser jogada no lixo ou mesmo no fingimento de não estar sendo notada?

      Onde não há mais propósito, a mim não há mais vida...

      Sinto que o meu propósito como Hannah Baker acabou; morreu. 

      Danny Jin precisa de um mais claro, honesto, verdadeiro e profundo.


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