A "INGRATA FUNÇÃO" DOS PIONEIROS
A vida é irônica ou a inconsciência coletiva é que não possue um senso de justiça e discernimento?
É nessas reflexões que eu vejo o quanto ser justo está intimamente ligado com o ser verdadeiramente consciente e empático.
A empatia quase que completamente inexiste no mundo. Pode haver caridade somente em situações graves ou deploráveis de algumas pessoas, mas em coisas não tão visíveis ou impactantes é feito vista grossa, mas simplesmente porque não se enxerga a posição penosa (ou apenas natural) que o outro se encontra.
É mais fácil desmerecer e difamar, e assim, ter o direito de "aconselhar". Pois as pessoas em geral não conseguem diferenciar uma censura de um questionamento sério consciencial; não distinguem o "como" do "porquê".
O mundo quer lhe dizer "como" ser e fazer tudo, mas dificilmente pergunta o "porquê" se é ou se faz algo. Dizem: "é errado fazer isso", e não, "por que é errado (ou não) fazer isso"; ou "porque tal pessoa faz isso".
A ironia está escondida em diversas circunstâncias... E quanto mais enxergarmos amplo, mais claro as enxergaremos na vida.
Viver de fato uma Consciência Integrativa e conseguir ver a essência de tudo ligando os pontos desconexos é estar numa "função ingrata", porém, gratificante como espírito. Função ingrata porque é um olhar do qual você não consegue evitar de ter e nem de omitir, e que portanto, naturalmente causará incompreensões e contrariedades. Gratificante porque essa situação por si mesma é um indicativo de que você está compreendendo algo muito além de um entendimento racional; você constata que está alcançando "terrenos" não explorados pela maioria.
Saber discernir, peneirar, refletir, analisar, investigar informações, observações ou experiências de diversos tipos de mentes, é absorver o essencial e aumentar o seu alcance de visão. É sair do entendimento superficial de qualquer assunto e adentrar em outra dimensão de compreensão.
Mas o interessante dessa compreensão é que, ironicamente, você terá olhos e ouvidos para a maioria das pessoas - independentemente de seu nível cultural ou de papel social -, dando uma real atenção e valor a elas e enxergando seus potenciais... Porém terá desprezo, intolerância, menoscabo, escárnio e crítica dessas mesmas pessoas (não todas, claro), caso você discorde de uma vírgula delas ou observe uma inconsciência a deturpar todo o contexto de um propósito humano.
A mente coletiva tem um hábito condicionado de projetar imagens de alguém, de acordo com o que a grande maioria projeta - tanto positivamente, quanto negativamente. Se existe uma massa de gente que idolatra um indivíduo (sem esse exatamente desejar isso), aquele que se sentir intimidado ou contrariado por essa massa, logo vai projetar uma imagem ruim no indivíduo "idolatrado", como se esse fosse o grande vilão da história. Muitas vezes, esse que é venerado não sabe e não tem nada a ver com a hostilidade da massa que o tem como mentor, mas será o alvo principal dos que são retaliados por ela. Isso acontece num nível de idolatria, assim como num nível de simples admiração por alguém. É aí que eu me pergunto se há um senso de justiça nas pessoas... Por que elas projetam o ódio em sujeitos que não estão envolvidos nas coisas?
A necessidade de ter uma identificação com grupos específicos e de se fechar neles é um dos maiores males da humanidade. Ter afinidades é diferente de "vestir uma camisa" e "hastear bandeira". Até mesmo aqueles grupos que pregam o universalismo, o relativismo e a unificação de tudo estão se isolando e discriminando o resto, pelo simples fato de se organizarem. Pois para ser "universal" é preciso ser "individual".
Quando aponto para a INTEGRAÇÃO, não estou falando de se eliminar as diferenças de várias vertentes específicas, seja de qual assunto for. Estou dizendo que entre todas as diferenças (que são válidas e construtivas para o todo) existe um elo, uma essência ou uma convergência que fortalece o Ser de todos nós numa só elevação consciencial coletiva. A solução não está em eliminar a outra parte diferente, mas em tirar apenas o que não agrega ou contribui da outra parte. Podem haver conceitos bastante deturpados, mas quando enxergamos além, vemos o que foi deturpado e o porquê, trazendo de volta o seu original. Isso é acessar uma mente superior abstrata.
No entanto, pra que isso aconteça, só é possível na renúncia de qualquer tendência mental de grupos e no encontro de sua REAL percepção. (Ênfase no "real" porque há o comum engano de achar que a percepção que se tem é legítima da Alma, sendo muitas vezes uma visão do Ego que se acha autêntico, mas que na verdade é só mais um condicionamento ambiental e psicológico).
Quanto mais identificadas a grupos e líderes, menos justas serão as pessoas. Já que justiça e preconceito são coisas totalmente contrárias.
O preconceito é a característica da mente cristalizada que não tem sequer a curiosidade e a humildade em ponderar, investigar, imaginar e, principalmente, se colocar no lugar do outro. É pra essa mente engessada que estou sempre apontando e dizendo que faz as pessoas diminuírem as outras, com escárnio e difamação. É essa mente engessada (que não somos) que eu denuncio, por ela querer humilhar o outro, sem ao menos entender o outro. São ofensas gratuitas por mera diferença de opinião e comportamento.
Podemos de repente estar corretos sobre qualquer assunto ou pensar, mas o meu apontamento é a de que não é colocando os outros em descrédito (xingando, escarnecendo, vilipendiando, esculachando, esculhambando) que conseguimos trazer a verdade à tona; mas, sim, questionando e se posicionando contrário em relação aos seus pensamentos, comportamentos e conflitos (principalmente quando esses estão sendo usados como "massa de manobra" para desumanizar a humanidade. Para a maioria pode ser a mesma coisa pelo fato de estarem identificadas com seus pensamentos, comportamentos e conflitos, mas pra mim e para outros que já compreenderam quem realmente são, há uma grande diferença e uma consciência de que o Coração puro da maioria está soterrado por essas mesmas identificações - ou seja, nós não somos nossas identificações.
Como sempre escrevi em meus textos e disse em vários vídeos, eu não estou aqui pra ensinar, eu não sou autoajuda, conselheira ou professora. Mas estou aqui, sim, pra provocar, refletir, apontar os pontos cegos, elevar a consciência e quebrar visões cristalizadas. E como sempre disse também (e isso está documentado) eu não sou iluminada, plena, mestra, ou superior. Mas eu estou, sim, mais profunda, sensível e com uma visão cada vez mais ampla do que a maioria. Isso não é vaidade e nem prepotência, mas uma constatação que não dá vantagem alguma ao meu Ego, principalmente porque, ironicamente, me faz ficar mais e mais incompreendida e criticada até por aqueles que eu tenho consideração e costumo absorver o essencial.
Sempre frisei que estou num PROCESSO de depuração, lapidação, desapego ou descondicionamento... Sempre. Por isso não me sinto na obrigação de agir igual uma "ascensionada", toda boazinha, gentil, com floreios ou indiferença "espiritual". (Até porque eu fui uma das que mais reparava o quanto as pessoas caiam na lábia dos ditos "bonzinhos", e fui eu a "tomar feio na cabeça" por causa da ilusão dos outros). Mas isso não me impede de ENXERGAR o modus operandi que eu vejo o tempo todo e em todo lugar de separatividade e aversões automáticas.
O que a maioria não consegue compreender é que o fato de eu estar ainda em processo não me impede de enxergar as coisas claramente. Eu simplesmente vejo e pronto; não posso evitar as percepções. Eu não preciso ser uma iluminada para constatar o óbvio da incoerência e inflexibilidade mental coletiva. É o tempo todo, o mundo caindo de um extremo ao outro, de forma pendular; ou seja, sem conseguir encontrar o "caminho do meio" na essência das coisas. E também não me calo mais com medo e autocensura, só porque eu não sou santa. A vantagem é que eu vejo o erro em mim e nos outros, sem culpa alguma.
Tenho total consciência de que ainda caio no padrão do Ego e nunca escondi isso. O estranho é que por mais que eu fale isso e repita, os outros não conseguem assimilar, achando que eu deveria ter uma certa conduta "zen". Não diferenciam ainda, talvez por não vivenciarem, o que é estar consciente do que é estar pleno. Aí, então, pegam essa sua própria confusão e concluem que eu sou uma farsante, mentirosa ou hipócrita. Mas quem disse que ter lucidez aguçada e profundidade é estar em plenitude e em Amor integral??
O fato de eu ter galgado a montanha e alcançado a parte íngreme e inóspita não significa estar santificada. Pra quem não sabe, estar no "deserto do real" é muito mais difícil, pesado, árduo, desgastante, porque se exige mais energia, atenção e desprendimento, já que ficamos mil vezes mais sensíveis e sensitivos a tudo. Muitos devem se perguntar "Então pra que seguir esse caminho tão desgastante? Pra que vale tudo isso se não nos dá nada de bom?"; mas digo que, o próprio deserto já é a recompensa daqueles que viram o falso e o doentio no sistema social, e que a libertação e a certeza de se estar mais conectado, cada vez mais, com o sagrado, nos leva a seguir em diante. Não é uma vontade do Ego, mas uma vontade da Alma de se fundir com a Luz (independente do que ela nos ofereça).
Assim como a incompreensão do que seja esse "processo" é uma constante por parte da maioria, e temos que aceitar... Minha reflexão e apontamento quanto a isso também precisa ser feito, pra que mais pessoas possam ao menos olhar pra isso (por que senão quem apontará?). Seria uma indicação do quanto estamos sempre julgando os outros sem entender o que eles vivem; sem entender o motivo deles; sem entender o universo de cada um.
E o meu propósito sempre foi sair dos universos formatados e convencionais da maioria e alcançar universos mais longínquos e não-explorados.
Estou descobrindo só agora o quanto sou pioneira consciencial em vários aspectos; não só em uma vertente. Estou constatando o quanto eu "puxo" as pessoas (na verdade, a Consciência que vem a mim) pra expandirem seus olhares e, assim, elevar o padrão no planeta.
Portanto, ser pioneira e puxar as pessoas não é um serviço tão agradável e fácil - sobretudo porque o peso da obtusidade é muito grande. É preciso força, determinação, ousadia, coragem, desprendimento, estrutura emocional firme, posicionamento...
Abrir caminhos não nos faz superior, mas nos faz diferente por se exigir diferença. Então me perdoem se eu não me encaixo nos padrões de benevolência, pois eu sigo encontrando a mim, apenas: o meu diferencial.
O dia que eu me iluminar (se me iluminar, já que não busco isso num sentido que a mente busca) eu não vou precisar avisar ou fazer alarde - porque isso nem condiz com quem realmente atinge altos patamares. Assim como eu não preciso me censurar e recriminar por não ser o que os outros projetam de mim.
Contudo, é preciso comunicar tudo isso pra que haja mais conscientização e empatia, e menos inflexibilidade mental ou descrédito ao que é o processo desértico da Verdade.







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