UMA ESSÊNCIA PRA RECORDAR
Não importa o motivo pela qual alguém diverge do outro. Esse alguém pode estar até com a razão (ou não), mas é o sentimento de superioridade dele que destrói todo um propósito maior humano.
Não importa se estamos certos em determinados assuntos, mas a verdade é que nunca estaremos completamente certos, quando limitados pela mente.
Onde não houver Amor, compreensão e Sabedoria, toda sua visão e ação estarão corrompidos pelo preconceito. E o preconceito nada mais é do que a falta de Consciência de um plano mais profundo de entendimento do "DIFERENTE". Pois alcançando o que se encontra por trás de todas as diferenças, enxerga-se que a Essência é una e que AS DIFERENÇAS SÃO COMPLEMENTARES.
Há muitos que se deixam cair, inclusive, no seu Ego espiritualizado, rechaçando tudo o que seja desse mundo e da mente. E ainda que seja um fato estarmos mergulhados na identificação cega às coisas da mente (sejam elas lógicas ou não), rejeitar, subestimar e inferiorizar TUDO o que consiste a nossa vivenciação terrena, é também cair no outro extremo do Ego.
Eu sempre sou a favor do QUESTIONAMENTO, que muitos denominam como "ceticismo". Mas eu não o chamo dessa forma, pois ser cético é estar apegado à lógica, portanto, nesse caso, a mente nunca questiona, com honestidade, as outras possibilidades. O que ela "questiona" é sempre algo que acha que vai corroborar à sua visão estabelecida de mundo. Mas se é algo que ela vê que vai lhe tirar da zona de conforto, pode ter certeza: ela não vai ouvir o outro, investigar e, principalmente, se sensibilizar pelo universo alheio.
A inconsciência egoica é muito sutil. Assim como os mais céticos são preconceituosos, os que se acham espiritualizados também o são, quando diminuem a visão e a percepção daquele que sente a vida de forma diferente.
Transcender a mente, de verdade, é ENXERGAR TUDO COM O OLHAR INOCENTE. Ser inocente não é ser bobo, ingênuo ou burro, mas é ser puro e humilde para COMPREENDER o outro, e o porquê dele estar afirmando certas coisas.
Claro que quase sempre existirá o Ego se sobrepondo às constatações de um sujeito. Mas não é por isso que as constatações serão sempre erradas. Haverá coerência e sinceridade em muitas percepções, e é essas das quais precisamos nos ater e ver o sentido maior por trás.
Porém, a razão não consegue enxergar de forma pura e de Coração aberto. Ela só refuta, debocha, humilha, separa, preconceitua pra se sentir superior. Infelizmente todos que caem nas ilusões egoicas da mente tornam-se arrogantes e obtusos, simplesmente porque o Ser inconsciente (Ego) de todo mundo funciona dessa forma.
Aquele que se sente "forte" na sua respeitabilidade, na sua especialização, na sua EXPERIÊNCIA, não perceberá a Essência e importância que há no outro que o "aplaude". A única coisa que perceberá será a admiração, a confiabilidade, o elogio e a dependência que esse tem a ele. No entanto, a mente mecanicamente disfarçará isso como "gratidão", forjando uma suposta humildade. Agora, enxergar realmente os insights, as sacadas, as descobertas, as vivências, os estudos individuais do outro não acontecerá, porque o pré-julgamento em relação a ele já estará formatado na razão.
É por isso que eu sempre venho apontando e "combatendo" a dita REPUTAÇÃO. Ela pode ter vantagens quando se trata de se obter CREDIBILIDADE das pessoas, em geral. É (infelizmente) através ainda da reputação que conseguimos ter algum crédito, atenção e respeito da população. Contudo, é ela que fortalece o Ego, na sua prepotência e no seu sentimento de superioridade.
Não importa se o outro é um leigo, iniciante ou neófito e você um respeitado profissional, professor, estudioso ou especialista. Seus conhecimentos podem ser válidos a ele, mas ele é um alguém muito mais LIVRE para ver e sentir além da cristalizada e conceituada "caixinha" de percepções que o status lhe proporciona e aprisiona.
Quem está transcendendo a mente constata que estamos a voltar a um estado de "OLHAR PURO" ou de uma percepção fresca e momentânea do outro indivíduo. Portanto, o olhar de ontem não será o mesmo de hoje e nem de amanhã. Num dia veremos suas limitações, no outro sua essência clara e vibrante. Já a mente verá sempre com um olhar de pré-julgamento, e assim, perderá toda lucidez, verdade e sabedoria que alguém esteja lhe apresentando.
Entrando numa vertente mais espiritual, existe um nível consciencial em que percebemos o verdadeiro por trás do falso que esteja se apresentando em algum indivíduo ou em alguma situação. Tentando explicar melhor, seria como se uma pessoa estivesse atrelada aos seus conceitos, de forma distorcida, mas que mesmo assim nós conseguíssemos COMPREENDER o que a Consciência Maior está querendo nos comunicar através dela... Ou seja, seria captar aquilo que a própria pessoa não está enxergando, mas que no entanto, ela está apontando de forma ainda limitada.
Eu vejo isso como uma "comunicação" com o Ser, mas com certas "interferências" que o Ego provoca, por ainda não alcançar uma visão além e mais desprendida.
Por exemplo... Eu vejo muito no meio espiritualista falarem sobre a Unicidade, a Integração, que "todos somos um", que a separação é uma ilusão da mente, e, sobretudo, que precisamos ser fraternos e compassivos. Não deixa de ser uma verdade, mas o problema é que isso, tornando-se um conceito, faz a personalidade agir de forma errônea, aceitando de forma passiva qualquer mal, prejuízo, agressão, violência ou abuso de poder de outras pessoas. Se não há um bem maior envolvido, não se pode permitir e ficar à deriva nas insanidades alheias. Como já dizia um grande homem chamado Krishnamurti, quando nos deparamos com uma serpente, é preciso agir, se distanciando dela. Muitas vezes, o distanciamento deve ser enfático ou brusco, mas decisivo para não sermos "envenenados".
Mas aqueles que também defendem uma reação automática, só conseguem ver ameaças e inimigos, como se esses fossem os grandes culpados de todo mal no mundo. Inclusive, personifica-se a ignorância consciencial dos outros, como a própria encarnação da maldade.
É esse tipo de "ponto cego" que eu vejo o tempo todo, em qualquer área humana. Não há ponderação e discernimento minucioso; o que há é conclusões autômatas.
Precisamos entender que não existe essa personificação pessoal do mal, mas que existe uma real ameaça da CEGUEIRA CONSCIENCIAL humana (ou não-humana, quem sabe?). Não significa a mesma coisa, pelo fato de se entender que aquele que comete o mal está apartado da Luz, perdido em sua inconsciência. Isso, porém, não tira o peso e o perigo da insanidade do outro e da mente coletiva, e que, sim, é preciso tomar uma posição rigorosa. Percebe a visão integrativa desses dois contrapontos?
Mas o que em geral acontece é que, ou as pessoas caem em reações inconsequentes, agressividade e autoritarismo, ou em condescendência, indiferença e autocontrole pacifista forçado. Isso ocorre quando TODOS NÓS estamos mergulhados no autoengano do Ego. É raro existir de nossa parte uma VERDADEIRA AÇÃO sábia, inteligente e amorosa. Uso a palavra "amorosa" no sentido de consciente e justa; e não, meramente dócil e complacente.
A mente condicionada não consegue atingir essa compreensão que une, integra e fortalece um propósito maior. Não. Ela só rejeita, discorda, discute, debocha porque só vê o superficial, não sabe compreender a essência que o outro está apontando, está envolta em preconceitos e tem a arrogância de se achar "mais" que as outras pessoas que vivenciam coisas diferentes ou mesmo que estejam em um nível de consciência mais "normotizado" (de normose).
Constatarmos que estamos mais conscientes não nos dá o direito de sentirmos "superiores" e, assim, rechaçar TUDO que não seja parte do nosso universo. É claro que devemos separar o joio do trigo, nos retirar de tudo que não nos eleva como Consciência, nos distanciar de todos atos doentios e mentes insanas, e de tudo o que nos aprisiona como seres espirituais... Mas é preciso muita sensibilidade, humildade e percepção para distinguir se a nossa rejeição a determinadas coisas é provinda de uma real sabedoria, ou se é um mero preconceito alicerçado na RESPEITABILIDADE e na APROVAÇÃO ALHEIA ao nosso personagem.
Aceitar uma perspectiva nova e diferente não se exige exatamente uma CRENÇA, mas um olhar inocente e um Coração aberto para se libertar a Consciência da mente condicionada separatista, que despreza o "desconhecido". (Mesmo que ela pense que não).
Tentar escutar, compreender e alcançar o que o outro está dizendo é conseguir enxergar a Alma dele e absorver além de suas palavras. É compreender o que o Universo está querendo lhe transmitir através das pessoas, principalmente das mais simples e desacreditadas.
Mas infelizmente a reputação, o preconceito, a arrogância e a vaidade é o que impedem as pessoas de vivenciarem de fato a Integração que nos liberta e potencializa.
Quanto a mim, eu sigo desviando dessas armadilhas, apontando pra que as pessoas não caiam nela, e assim, cada vez mais só.






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