O FLUIR DO PROPÓSITO DIVINO
O dinheiro no meio espiritual sempre foi uma grande polêmica.
Aprendemos desde cedo que ganhar dinheiro por funções e profissões relacionadas a áreas mundanas, seja pela venda de um produto ou prestação de serviços, é válido e louvável.
Já ter uma fonte de renda na qual sua função é passar conscientização espiritual, é visto como ganância e aproveitamento astuto.
Apesar de eu apontar muito para o quanto a mente egoica é interesseira e quer levar vantagens, é preciso ter cuidado ao discernir o que é ambição sobre a fé e a ingenuidade das pessoas, e o que é ter uma profissão unida ao nosso maior propósito de vida.
Hoje, mais do que nunca, vejo o quão vai tornando-se mais complicado ter uma profissão, emprego ou atividade separado da missão de um indivíduo. É como se não houvesse mais tempo ou sentido em separá-los, pois é preciso que se assuma de vez o seu dom único no planeta.
Pode até ser possível ter duas funções: o seu trabalho de "ganha-pão" e a sua missão de vida. Porém é preciso que a fonte de renda não se sobreponha àquilo que realmente você veio fazer na Terra, em contribuição à humanidade.
Descobrir que sua missão é ser um cientista, um gênio da música, um visionário da informática, um atleta ou um artista é muito mais aceitável e, de certa forma, mais acessível em sociedade, do que ser um visionário espiritual. A ajuda espiritual por si mesma não "pega bem" ao ser cobrada e, por isso, muitos acabam se utilizando da autoajuda esotérica holística, como uma prestação de serviço alternativa. (Diga-se de passagem, prestação muito bem cobrada).
Formas de cura espiritual, através de forças sobrenaturais, não podem ser cobradas, mas a doação de uma quantia de dinheiro pelo pedido de uma contribuição acaba tendo o mesmo objetivo. (Vide: igrejas protestantes). Nesses casos, é bastante complicado a questão de se obter ganhos financeiros, já que a maioria é curada muito mais pela sua própria fé e poder mental do que por forças ditas "do bem". Não é que não existam forças extrafísicas que nos auxiliam a até curam, contudo, a espiritualidade é um campo bem propício e fértil a muitos enganadores ou falsos profetas que se aproveitam do desespero alheio. A maioria torna-se refém de manipuladores inescrupulosos.
Mas, e na área de orientação espiritual? Será que é errado a divulgação da Consciência, tendo-a como propósito de vida e, ao mesmo tempo, sua fonte de renda?
Penso, honestamente, que não seja errado QUANDO O DINHEIRO NÃO SE SOBREPÕE À MISSÃO, não sendo, portanto, o seu objetivo primário. Mas completamente imoral QUANDO O DOM ESPIRITUAL É PROFANADO EM PROL DE REALIZAÇÕES DE DESEJOS INFERIORES E DE FAMA.
A obtenção de recursos financeiros deve ser usada para que a pessoa possa ter uma básica e saudável autossustentação no mundo, exatamente pra que a possibilite de realizar sua missão - visando, de forma exclusiva, a autonomia consciencial dos outros. Pois se não há como se manter materialmente -, numa boa alimentação, vestuário, abrigo, higiene, saúde e, agora, em um simples acesso tecnológico - não há como ser um agente de "evolução coletiva humana".
O que acontece com muitos daqueles que estão fazendo mau uso da espiritualidade, é que eles se utilizam da carência ou da ignorância das pessoas, enganando-as, confundindo-as ou incentivando-as a crenças que FORTALECEM A IDENTIFICAÇÃO EGOICA (Ego). A maioria desses que manipulam os outros para seus interesses próprios, os estimulam a almejarem a REALIZAÇÃO DOS DESEJOS, aos subterfúgios mentais e sensoriais de distração, e à pseudo-extinção das circunstâncias ruins na vida. Prometem a cura de todo mal através do "pensamento positivo", transformando tudo o que seja mal e negativo em "providência divina" ou, então, em um estímulo à culpa - "Se há dor ou tristeza, você é desequilibrado, ignorante e incompetente!".
Aqueles que estão trabalhando para a LIBERTAÇÃO DA HUMANIDADE, ou estão divulgando informações evidentes de controle (mental e espiritual) de uma "elite" sobre a população, ou estão ajudando as pessoas a se desprenderem do domínio do Ego com seus vícios e instintos primários. Querer se libertar do sistema Matrix (ou de seres sombrios) sem que esteja liberto dos seus impulsos reativos emocionais, seus desejos materialistas, sensoriais ou psicológicos, ou sem que esteja desapegado da sua imagem, aprovação alheia e crença condicionada, é totalmente em vão.
É preciso um sério trabalho interno, PORÉM NO INTUITO DE INTEGRAÇÃO COM O ESTADO AMOROSO DE SER.
Portanto, eu digo que onde houver CULPA ou O PESO DA RESPONSABILIDADE TOTAL PRA SI, por querer sair forçadamente de um estado de vítima (que é o seu oposto), NUNCA HAVERÁ INTEGRAÇÃO NO AMOR. Pois quem realmente se ama e se respeita sabe que TODOS NÓS FOMOS ILUDIDOS desde pequenos pela mentalidade egoica coletiva, criada justamente para a intenção de controle e domínio de poucos... Sabe que na inconsciência não pode haver responsabilidade.
Ter o seu propósito de vida espiritual, juntamente com a sua atividade de sustentação na vida, pode ser difícil em sociedade, mas não deve ser considerado "pecado" quando há uma real intenção de libertar consciências do estado egoico para a Verdade. Escrever livros, ter inspirações artísticas, ser facilitador, músico, produtor, cineasta, poeta, ou filósofo para divulgar o Despertar da Consciência, ganhando com isso, deve ser louvável também.
O problema não é o dinheiro. O problema é a ganância dos indivíduos que se aproveitam da ingenuidade, dependência e submissão dos outros, para enganar, disseminar falsas crenças e escravizá-los psicologicamente, em troca de valores exorbitantes, fama e idolatria.
Deus e a Verdade devem vir em primeiro lugar...
Mas é preciso estar com a mente e o coração abertos ao que o Universo quer nos oferecer de acréscimo.
É preciso saber fluir.






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