LIBERTE-SE DA AUTOESTIMA



      Um dos sinais de que já estamos mais integrados com a Verdade, conscientes e libertos, é o valor que damos a nós mesmos, sem qualquer ligação com a chamada "autoestima".


      O amor por si já não depende de aspectos externos ou de nossa personalidade. O amor por si é alicerçado na própria Consciência Maior. No entanto, não nos orgulhamos Dela; isso porque simplesmente sabemos que não é uma qualidade pessoal nossa. Somente o fato de sentir e constatar a sua Presença, já faz nos valorizarmos sem que precisemos nos prender a nenhuma característica considerada boa.

      Podemos gostar de muitas características em nós, e não gostar de outras. Isso é natural, como pessoas. Porém quando alcançamos a integração com a Consciência, esse gostar e não-gostar não mais influencia o sentimento de Amor por nós mesmos. O estado emocional não varia mais conforme a sua aprovação ou desaprovação - inclusive, a dos outros - quanto ao seu eu.

      Não estou dizendo que no processo de Despertar, não fiquemos tristes pelo desprezo alheio. (Ou então, que não tenhamos vontade de melhorar, ter bom gosto, ou nos cuidar como humanos). Contudo, essa tristeza é muito mais pela incompreensão e pelo sonambulismo das pessoas com seus valores deturpados, do que por qualquer desprezo a nossas características depreciadas. 

      Já não sentimos mais a necessidade de provar nada a ninguém... Nosso amor-próprio mão fica à mercê da aprovação dos outros sobre quem somos, como aparentamos, o que temos e o que fazemos. 

      Ser um alguém refém de sua imagem e autoestima é nunca alcançar um amor profundo e verdadeiro por si. Se nos acham bonitos, inteligentes, divertidos, gentis, simpáticos, bem-resolvidos nos sentimos o "maioral". Se nos acham feios, burros, chatos, secos, frios, mal-resolvidos nos sentimos um "lixo humano". Não encontrar o cerne do Ser em nós, é ficar sob a maré de altos e baixos da autoestima - uma valorização completamente fugaz e superficial.

      Você consegue se amar, sentindo-se, ao mesmo tempo, um "zé ninguém"? Consegue se amar, sentindo-se, de vez em quando, feio(a), burro(a), fracassado(a), rejeitado(a), tosco(a), sem graça? Não? Então, a dura realidade é que você não se ama.


      Ter autoestima nunca foi AMAR-SE, pois o Amor só pode ser incondicional. E amar-se - independente de suas "qualidades ou defeitos" - não quer dizer justificar ou ignorar os seus "defeitos". Mas significa amar-se ALÉM de sua personalidade.

      Querer sair do estado de ignorância consciencial e ser um indivíduo mais desperto e amoroso não depende de se ter uma autoestima alta, tampouco, achar-se o ser mais desprezível de todos. Basta ter sensibilidade, humildade e bom senso ao constatar o sofrimento e o conflito que se causa, quando somos dominados pela mente, esta, condicionada a ser orgulhosa, narcisista, gananciosa e competitiva.

      A autoestima, aliás, é mais um padrão normótico ensinado a nós, desde crianças, no qual se dizia ser importante ter. Mas é ela que nos faz apegar cegamente - cheios de arrogância, prepotência e vaidade - às qualidades do Ego hiper-valorizadas pela sociedade. E, como consequência, temos uma humanidade completamente comparativa, fútil, invejosa, complexada e cruel.

      Em todos os aspectos humanos é incentivado a ser "o melhor" ou o mais "aceitável" socialmente. Temos que ser os mais lindos, mais sexys, mais inteligentes, mais informados, mais extrovertidos, mais ricos, mais cultos, mais populares, mais conquistadores, mais "pegadores", mais ativos, mais fortes, mais simpáticos, mais, mais e mais...

      E quando não somos nada dessas coisas, somos a escória social. 

      Eu sou uma dessa escória... E ME AMO, SENDO EXTREMAMENTE FELIZ POR SER QUEM SOU! E sabe por quê? Porque ter essa Consciência (Sabedoria, Lucidez, Compaixão, Sensibilidade, Intuição) em mim já é o suficiente para ter nascido na Terra. E o mais irônico é que TODO MUNDO é essa Consciência, portanto, não há sentimento de superioridade algum. Há, sim, uma vontade imensa (paixão) de incentivar, inspirar e esclarecer aos outros sobre isso a que eles estão adormecidos (já que, em sua maioria, Consciência é só um conceito adquirido por terceiros). 

      Já não me importo que me julguem de "perdedora", simplesmente porque, a mim, esse adjetivo não tem sentido algum dentro do universo de Sapiência a qual eu adentrei. Sinto-me livre da significância falsa e artificial que o Sistema implantou nas pessoas do que seja um perdedor ou um vencedor.


      Somente pelo simples fato de ter despertado e saído da Normose Coletiva em busca do pódio, já me considero uma vencedora. Ainda posso não ter me soltado de todas as correntes, mas com certeza já arrebentei as mais grossas e aprisionantes, das quais 99,9 % da população ainda se encontra presa. 

      Eu não estou sentindo-me um fracasso, não estou reclamando da vida, não estou em depressão, não estou me culpando e nem responsabilizando ninguém... Não me sinto inútil e nem incompetente. Pelo contrário, sinto mais do que nunca, na minha vida, fazendo algo de importante e valoroso ao escrever e divulgar os insights que me chegam. Pode não parecer nada aos olhos do senso comum, mas minha Alma sabe que a mensagem é poderosa e chega em quem tem que chegar. 

      À mente exclusivamente racional, o "fazer" está ligado à ação física e sempre à obtenção de algum resultado, também, físico (ou material). À visão do Coração, "fazer" está muito mais ligado àquilo que se promove no espírito, que na maioria das vezes está relacionado à INSPIRAÇÃO ou aos sentimentos mais sublimes. Vendo por essa perspectiva, acredito que a Consciência, que de mim se utiliza, já está fazendo de alguma forma o seu papel. Sua função pode progredir ou estagnar, mas vai depender do quão entregue estou a Ela.

      Sinto que esteja cada vez mais entregue a Ela e, talvez por isso, meu Ego já não tenha muito poder de escolha no que se refere à sua exposição ou resguardo. Não é que passamos a não ter individualidade; o que ocorre é que aquilo que o Coração sempre sentiu como verdadeiro entra em ressonância com o que a Consciência Maior quer; ou seja, entramos em sintonia com o que Deus (Verdade, Amor) quer de nós.

      Ter autoestima, então, passa a ser irrelevante, ao descobrirmos isso. 

      Meu amor-próprio está alicerçado naquilo que me descubro como Ser-Consciência.

      Não preciso provar o meu valor. Mas preciso apontar, com bastante insistência, o verdadeiro valor que há em todas as pessoas - independentemente do valor que dão a elas.


Comentários

Postagens mais visitadas