ESOTERISMO PROFANO
O esoterismo, assim como todas as crenças, é uma faca de dois gumes: ou ela o liberta ou o aprisiona.
A crença possui uma função primária de abrir-nos ao transcendental. Mas o grande problema é que a maioria se agarra a ela, na intenção subconsciente de autoafirmação e segurança (material e psíquica), desconhecendo, portanto, que a real segurança só pode vir da integração com a Consciência Superior.
A obtenção de conhecimentos ocultistas, além de fascinante, nos dá uma sensação única de poder. É como se a aprendizagem de manipular energias e a paranormalidade dessem ao homem um sentimento de controle sobre a vida, fazendo com que muitos nesse meio mergulhem na arrogância, na prepotência e na ganância.
O conhecimento esotérico também foi deturpado por mentes egoístas e ardilosas, com o passar das eras. Seu intuito original era o de auxiliar a humanidade na sua existência no mundo, assim como em seu autoconhecimento.
Mas, alguns poucos, sabendo do quão tais informações libertavam os indivíduos, tanto do poder que lhes dava, resolveram ocultá-las de todos, possuindo-as somente para seu pequeno grupo seleto. Penso, eu, que o cientificismo tenha sido implantado com força na mentalidade da população, justamente para que todos desacreditassem e se afastassem de tais conhecimentos, já que muitas das ferramentas esotéricas potencializam o sexto sentido, a intuição e a telepatia.
Hoje em dia, o ocultismo é utilizado, pela grande maioria, para a obtenção de bens e vantagens, seja em qualquer área humana. Ainda que eu seja a favor das terapias auxiliares alternativas para um bem-estar e cura de doenças, vejo que a espiritualidade mística virou um grande comércio e marketing, com verdadeiros gurus mercenários.
Fora as grandes autoridades políticas que se utilizam dos conhecimentos esotéricos para ganhos de poder, riquezas e controle sobre a sociedade. Aquilo que seria para nos abrir a uma dimensão superior, está sendo utilizado para a interação com dimensões densas e entidades baixas e obscuras. As famosas "magias negras" são pactos espirituais e energéticos com essas entidades que visam sempre o ganho individual em cima da destruição e do prejuízo alheio.
Pude adentrar no mundo esotérico desde muito nova, mesmo que superficialmente. Li alguns livros, fiz alguns cursos básicos, porém nunca pertenci realmente a nenhuma seita. Também tive a oportunidade de conhecer muita gente maravilhosa nesse meio; pessoas de grande coração, mas visivelmente ingênuas, em parte.
Nunca fui chegada em ritualística. O que me atraia era muito mais o estudo que abria a minha mente e me fazia entender aquilo que eu mesma vivenciava sensitivamente, mas que, no entanto, não entendia. Ainda assim, segui (meio "cambaleando") o caminho místico, e por curiosidade quis conhecer a tal da "magia Wicca". Foi uma passagem bastante rápida por esse meio. Na verdade, a curiosidade vinha desde adolescente, através do livro "Brida", mas o que me levou a conhecer de vez, foi o desespero por ajuda espiritual e emocional, já que eu passava por muitos reveses, ironicamente descoberto, depois, ter sido influenciado por magia negra contra mim.
Teoricamente me formei como "bruxa", num curso de seis meses, mas não obtive nenhum poder de magia ou dom paranormal ostensivo. Contudo, serviu para que eu tirasse várias conclusões sobre mim e sobre o que era o ocultismo. Durante o curso, constatei que eu era uma sensitiva, pois havia descoberto que minha telepatia era bem razoável. Eu intuía o que os outros pensavam e isso me surpreendeu. Quanto ao ocultismo, constatei que havia algo literalmente oculto por detrás daquela prática, em particular: no dia da formatura (iniciação) descubro que era preciso "servir" uma entidade feminina.
Eu não vi má fé de ninguém ali; pelo contrário, via que as pessoas tinham boa intenção. (Como disse: talvez fosse ingenuidade). No entanto, a promessa que era preciso fazer, e a prova de lealdade que era preciso dar a ela (deusa) para me tornar uma "sacerdotisa", me deixou muito com o pé atrás. "Como assim?" pensei, "Desde quando ser de luz ou divino precisa de PROVA e promessa minha?"
Sem premeditar nada, eu simplesmente me calei. Não respondi, quando foi me indagado de qual seria a prova da minha fidelidade. Aquilo me pareceu ser uma espécie de pacto. Mesmo não respondendo, o ritual seguiu até o fim.
Após o curso, fui deixando as práticas de lado. E por mais que eu me interesse por conhecimentos esotéricos, é somente por aqueles voltados para o autoconhecimento com suas simbologias arquetípicas, como o Tarot e a Astrologia.
Paradoxalmente e naturalmente fui descobrindo, em seguida, o que estava ocorrendo por "trás dos bastidores" na minha vida. E com isso, fui conhecendo na prática outras vertentes espiritualistas - que até então, eu só conhecia de "muito ouvir falar", como o espiritismo kardecista, de Ramatis, e o umbandista - para poder me curar da "urucubaca".
Em um ano e meio conheci todas essas vertentes e também pude tirar minhas conclusões... Novamente me deu a impressão de que as pessoas ali, incluindo muitos espíritos, não tinham má intenção nenhuma, mas que havia algo por trás se ocultando e com intenções escusas. Percebendo que algo me repelia desses centros, fui voltando totalmente ao meu ser interno.
Constatei que me fortaleci espiritualmente, quando me afastei de qualquer instituição religiosa ou escola mística. Minha autonomia consciencial e psíquica foi se tornando muito mais firme.
Entretanto, foram as experiências práticas de frequentá-las que me proporcionaram a percepção disso. Se não houvesse essa "peregrinação" espiritual, eu não teria hoje a certeza de que a fonte e a cura estão dentro de nós mesmos.
Há uns cinco anos eu era completamente leiga sobre forças espirituais e energéticas a nos influenciar, e por isso era totalmente vulnerável a qualquer ataque. Estava no início de meu Despertar Espiritual e abalada emocionalmente por mudanças radicais de vida e por traumas mal-resolvidos... Eu era um prato cheio aos obsessores. Portanto, nesse sentido, o conhecimento adquirido foi importante e útil.
O ensinamento místico foi trazido das estrelas para o auxílio ao homem, mas deturpado e manipulado para fins egoístas e de dominação.
As pessoas, em geral, pensam primeiro em prosperidade financeira, sucesso, relacionamento afetivo, reputação, prazeres... Enquanto que a espiritualidade genuína em prol da purificação do Coração fica em segundo, terceiro, quarto ou último plano.
O conhecimento que antes era secreto, agora foi revelado...
Mas isso porque foi descoberto que o poder espiritual também corrompe, aprisiona e controla as pessoas.
O esoterismo é a faca de dois gumes que ficou cega de um lado.





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