O QUE É SER REVOLUCIONÁRIO?
Existe uma diferença bastante sutil entre uma reação provinda de condicionamentos, e uma ação provinda da Consciência que se utiliza de suas vivências e características pessoais.
Todos nós temos traumas que originam medos, raivas, aversões, culpas e carências. E quando essas coisas nos dominam, somos prisioneiros e a nossa vida é construída a partir delas. Talvez por isso, filósofos questionem tanto o tal "livre-arbítrio". Onde há liberdade de escolha e ação se somos escravos desses sentimentos?
Mas, ainda que todas as pessoas tenham seus traumas e experiências negativas, o Universo se utilizará delas para o seu próprio sentido de expansão; ou seja, tudo o que aparentemente foi ruim na nossa vida e que nos fez ser de um jeito específico, será usado A FAVOR de uma compreensão integrativa do Todo. Contudo, há um porém... Pra que seu "eu" seja aproveitado para o Bem coletivo, será importante TRANSCENDER os seus traumas.
É aí que eu digo que é bem difícil discernir o que é AÇÃO e o que é RE-AÇÃO em você e nos outros.
Como já contei várias vezes sobre mim, tive muitos e muitos traumas que tiveram como consequência muitos complexos e autoestima baixa. No entanto, venho percebendo cada vez mais que quando a Consciência Maior começa a se tornar uma constante em você, tudo o que era trauma e complexo se transforma em SABEDORIA.
A Sabedoria não apagará as experiências negativas da vida, mas as transmutará em POTENCIALIDADE para uma função específica. Portanto, não haverá mais em você a dor e a revolta.
O fato de eu ter vivido a vida, desde criança, como a uma EXCLUÍDA, me concedeu um potencial incrível de TRANSFORMADORA CONSCIENCIAL. Minha rebeldia ou inadaptação social não é alimentada por revolta e ódio do Sistema. É simplesmente uma visão natural de tudo o que é falso e manipulador.
Não existe mágoa ou rancor em mim, por ter sido uma outsider do mundo. Na verdade, o que sinto, hoje, é uma GRANDE ALEGRIA e GRATIDÃO por ter essa característica em mim; pois é ela que me liberta e ajuda os outros a também se libertarem de suas superficialidades.
A Vida se utiliza dessa minha peculiaridade pessoal, para que eu seja uma agente de libertação e Despertar. E não existe honra maior de ter sido "escolhida".
Quando falo de eu "quebrar paradigmas", questionar o modus operandi e o status quo do Sistema, não é com uma energia de rancor e vingança, como as pessoas geralmente pensam. Pelo contrário, é com um verdadeiro sentimento de DOAÇÃO E SERVIÇO ao coletivo... Por realmente querer contribuir com toda a humanidade.
Num texto escrito neste Blog, chamado "A Tristeza e o Mundo" (https://notasdoprimeiroandar.blogspot.com/b/post-preview?token=lbP85VgBAAA.Ag1p6v-8858SZb99aqmd9H1lA7rLSq3qudzC9FInSeXB8evo0LawGxzwfQLWgcWD3NCqs6H_UcSEWgvfOpc_Fw.dB91mwDg38CyHvGOauS2IA&postId=4796087046955471387&type=POST), conto que senti uma dor tremenda e visceral por assistir um simples filme de animação. Não descarto a possibilidade de eu ter me identificado com a vidinha sacrificante e mais do que medíocre do personagem. Pode, sim, ter sido isso... Porém, essa dor que senti não foi apenas a minha dor pessoal, mas a de toda população planetária que vive escrava desse Sistema Global. Seria muito mais um "corpo de dor" coletivo.
Outra coisa da qual é difícil distinguir, é se a vontade que sentimos de ter uma vida mais simples e mais "natural" é um mero subterfúgio do Ego, ou uma espontânea direção que a Alma nos aponta. É visível a quem está mais consciente de que a mente cria várias zonas de conforto camufladas de ESPIRITUALIZAÇÃO ou sutilização do ser.
É muito fácil nos enganar com o estilo de viver mais "natureba", como um real encontro do Eu Maior. Podemos estar vivendo mais adequadamente ao que a nossa Alma sente, porém isso ainda não significará que se está verdadeiramente desperto. Ainda que não tenhamos mais a vida estressante do "ganha-pão" das metrópoles, o "eu" continuará vaidoso, libertino e cheio de ideias conflitantes, caso não se observe humildemente.
Mas há também os que já estão realmente conscientes e que sentem necessidade de uma vida mais simples, reclusa e de maior contato com a natureza. Nesse caso, não seria uma fuga de si, mas um sentimento natural de sair o máximo possível das dependências urbanas.
Eu, por exemplo, admito: não consigo mais viver em meio a um "formigueiro de gente". E isso não é nem por algum tipo de revolta, mas porque, de fato, me sinto muito mal. Fico com o corpo pesado, sinto tonturas e muito cansaço. É como se uma força naturalmente me guiasse a locais menos densos; com mais energia sutil.
Percebo, então, que há diferenciação entre um padrão de reação ou fuga da mente, e uma espontânea vontade de libertação como humanos.
O Universo está se utilizando de várias características pessoais minhas, que comumente achamos negativas, para fazer uma revolução consciencial. Isso porque eu já não estou mais me apegando às dores, e sim ao fortalecimento do Ser que as experiências dolorosas me proporcionaram.
Minha função basicamente é inspirar as pessoas à Verdade e elevar o nível consciencial na Terra. Eu estimulo os outros a se questionarem e a questionarem a todas as "verdades" impostas a nós - seja pela sociedade, escolas, políticos, ciência, cultura, religião, misticismo... Consequentemente, isso, eleva o padrão vibratório do planeta.
Então eu me pergunto: "Será que realmente não estou fazendo nada na vida?".
Bastante irônico.



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