LANTERNA DOS AFOGADOS


     Minha função é ajudar as pessoas a enxergarem pontos cegos; a questionarem credibilidades automáticas e instantâneas... Não, a de dizer o que fazerem.

      Eu tento estimular o discernimento, tão atrofiado na maioria, para pensarem diferente do habitual e investigarem por si mesmas, se há ou não coerência no que digo. Mas, em geral, muitos acham que estou impondo uma visão.

      Tenho uma espécie de detector que capta conceitos formatados, pré-estabelecidos e tendenciosos, que engessam e tentam mediocrizar a mente humana.

      Ser um livre pensador não é ter uma mente meramente flexível a qualquer conceito, aceitar tudo como normal e válido ou ser imparcial a tudo. Isso é ser mais um na livre massa de manobra - como diriam os estudiosos de política: um idiota útil.

      Ser um livre pensador é conhecer várias perspectivas de visão, compreender a essência de cada uma, e tirar, você, suas próprias conclusões. 

      Porém a maioria não tira suas próprias conclusões, numa análise ou reflexão mais profunda; ela simplesmente conclui o que já concluíram por ela, já que a mídia, os especialistas, gurus e "mentes brilhantes" estão sempre com a razão.

      E novamente explicando... É por isso que insisto em questionar a tal da respeitabilidade. A experiência e o conhecimento de um indivíduo podem ser muito válidos à sociedade, mas somente se ele os usa para estimular a individualidade, o questionamento e o discernimento de cada um. Se a experiência e o conhecimento são meras ferramentas de doutrinação ou perpetuação numa única abordagem, o respeito e a credibilidade adquiridos serão apenas instrumentos de manipulação, controle e poder.

      O que sempre estou fazendo em meus textos é mostrar o quanto a mente, em geral, está o tempo todo se excedendo em suas colocações, por ter uma visão quase "daltônica" da vida. Ela não consegue enxergar por várias nuances de cores que existem, portanto se guia pelos contrastes que os outros se apegam e dizem ser o melhor.

      O problema atual é que a mentalidade coletiva criou a crença de que "ser livre" é ser contrário a todo tipo de moral. A aversão aos preceitos religiosos, ao puritanismo, à censura religiosa fez com que as pessoas se rebelassem e partissem para o outro extremo, criando, assim, uma cultura de liberalismos imorais e amorais. 

      Devido a essa inversão dos reais valores espirituais (não, necessariamente, religiosos), tudo o que aponta para a libertação do Ser, de tudo o que é falso e ilusório, será rotulado de forma condenatória como a um moralismo hipócrita e PRECONCEITUOSO.

      Ou melhor, tudo o que aparentemente seja contrário àquilo que dê a sensação de liberdade e prazer (sensorial, emocional, mental), será altamente combatido como "ditadura fascista". 

      Numa comparação banal, seria como uma pai tirar o doce de sua criança e ser taxado de tirano cruel, sendo a sua intenção mostrar que o abuso no que é prazeroso lhe trará consequente "dor de barriga". 

      No entanto, o problema é que as pessoas perderam totalmente o senso do que é abusivo e prejudicial. A sociedade foi ensinada a acreditar que realizar os desejos instintivos é um direito de cada um, por pensar que não se ocasiona nenhum mal coletivo. 

      A ideia disseminada foi que você pode fazer o que bem quiser na sua vida, contanto que não faça o mal aos outros. Contudo, se somos seres que nos relacionamos, interagimos e somos interdependentes, como achar que algo que fazemos a nós não irá interferir em outras vidas? E mesmo que seja algo prazeroso ou dê a sensação de liberdade, como acreditar que isso seja um "bem"?

      Há muitas e muitas coisas que aparentemente não interferem ou prejudicam os outros. Sim, aparentemente... Porque consciencialmente, energeticamente e espiritualmente você estará influenciando e contaminando o mundo ao seu redor. Isso, sem falar nos estragos emocionais que a maioria comete às pessoas, sem elas ou mesmo as vítimas perceberem. Acreditam que o mero consentimento dos outros em relação aos seus vícios e peculiaridades excêntricas liberalistas, é um sinal de que não se está afetando de forma destrutiva, o psicológico e o espiritual de alguém. As pessoas são tão ignorantes de si mesmas (não sabem o que sentem ,querem e são) que adotam um modo de ser imoral, achando ser isso libertário e evoluído. 

      Liberdade não tem nada a ver com SATISFAZER SEUS DESEJOS de forma livre. Pelo contrário... Liberdade é ser livre dos seus desejos, não sendo escravo de suas diretrizes. 

      Aquele que realmente é livre não busca primordialmente a liberdade externa mundana; mas, sim, a liberdade interna que não DEPENDE (psicologicamente) de qualquer estímulo de fora, para ser feliz. Isso porque ele descobriu em si que a verdadeira felicidade não está ligada com a obtenção de prazeres, mas em se descobrir o que ele é: a própria Fonte de Luz.

      Então, fazer o bem, num nível espiritual e sublime, é ajudar o próximo a se libertar das amarras mundanas dos desejos. Não seria eliminar os desejos, mas não alimentá-los ou priorizá-los. Fazer o bem maior é querer que a humanidade volte às suas condições verdadeiras (totalmente esquecidas)... Fazer com que as pessoas se enxerguem como seres divinos, cheios de potenciais - não o mero potencial da mente, mas o oculto potencial da Alma.

      É interessante que a mente humana foi tão condicionada a ser submissa, que quando falamos que todas as pessoas possuem o Ser Divino nelas, a Consciência Suprema, o Eu Maior, elas automaticamente rotulam isso como a um antropocentrismo. Chega a soar como blasfêmia ao "Criador", como se quiséssemos nos equiparar a Ele na Terra. A noção das pessoas é limitada e dual, achando que tudo se resume a Deus Todo Poderoso no céu e homem eternamente primitivo, banal e insignificante, espiritualmente, na terra. Mais uma vez, entra em cena o olhar daltônico de ver a vida. 

      Dizer que somos seres muito além do que pensamos e vivemos - e que somos extraordinários - não quer dizer que sejamos SUPERIORES a nada ou ninguém. Apontar que você é muito mais que seus desejos, instintos e dependências psicológicas, não tem a intenção de indicar um "poder SOBRE todas as coisas", mas um "poder COM todas as coisas". Você começa a fazer parte de uma UNA Consciência; esse, sim, é o poder. Porém para que isso possa ser possível, é inevitável ter que nos POSICIONAR pela Verdade, renunciando tudo o que seja falso - todo subterfúgio de si mesmo.

      Estar liberto dos desejos e dependências não é DESPREZAR os prazeres da vida. Liberdade é ter ou não ter realizações, sem se apegar a nenhuma das duas condições. Você fica ABERTO ao que é - sem conformidade com o que é, e nem reluta com o que é... Mas sempre com sabedoria para distinguir quando, como, onde e porque agir. 

      Nem sempre conseguiremos sentir essa liberdade, no processo de purificação. Entretanto, o fato de já termos a Consciência desperta quanto ao que é primordial e de valor, é o que nos direciona à REAL LIBERDADE DO ESPÍRITO. É nesse encontro ao que verdadeiramente somos e ao que realmente importa, que fará com que tenhamos mais atitudes nobres e compassivas. E, não, a sua luta ou autocondenação por uma conduta mais virtuosa. A verdadeira virtude e suas ações benéficas não serão nunca um esforço - pois tudo o que é esforço ainda estará na esfera do Ego (mente). E ainda que nossos vícios e padrões doentios não aparentem um esforço, eles serão constantes conflitos internos e externos na vida. Portanto, inconsciente esforço de preservação do padrão adquirido.

      Não, eu não estou dizendo o que é "certo" ou "errado". Estou lhe mostrando o que NOS APRISIONA em ilusões e o que NOS LIBERTA deles. Não estou obrigando ninguém a ser "santo", mas alertando que "os demônios" estão sempre à sua espreita - mas você quase não percebe. Os "demônios", no caso, seriam todas as tentações que nos desviam do real propósito de estarmos aqui. E se disseram que o seu real propósito é aproveitar a vida, realizar-se e "ser feliz", é pura enganação. Não é que não devamos ser felizes; o problema é que ensinaram a você que felicidade é obter satisfações humanas, sendo que a real felicidade só se encontra no espírito. Todo o restante é acréscimo, mas que não altera em nada essa felicidade espiritual. 

      Você pode ESTAR triste, insatisfeito, desanimado, cansado, e SER feliz. Não há contradição. Estados emocionais vêm e vão, mas se houve o encontro com aquilo que você já é, o sentido de felicidade muda completamente.

      Não existe felicidade maior que o Amor Incondicional - o qual não necessita nada em troca, pois amar já é o próprio preenchimento do nosso ser. (O problema é que a maioria ainda sente medo, por isso desconhece o Amor total). 

      Muitos podem se perguntar: "Mas se amamos de verdade, como podemos sentir tristeza, insatisfação, desânimo e cansaço? Não deveríamos sentir somente alegria ao amar?" É que o sentido de tristeza, insatisfação, desânimo e cansaço, já não têm mais relação com a nossa condição pessoal de vida, mas, sim, com um sentimento de empatia por todo o coletivo. E enquanto uma só alma estiver em sofrimento, não estaremos de fato plenos de alegria. 

      Conforme vamos despertando cada vez mais, vamos nos sentindo mais cientes e integrados com o todo. Começamos a ver e sentir tudo como a uma mente coletiva; não mais individual. E antes que se pense que, sendo isso verdadeiro, não devemos julgar ou criticar o próximo, eu digo que não devemos julgar o próximo, mas, sim, a mente egoica, narcisista e doentia do coletivo, que o próximo está inserido e inserindo muito mais pessoas. Não devemos pensar que cada um deve ser responsável apenas por si e nos isentarmos de alertar; pois quem enxerga tem o dever de expor o que vê aos outros, que possuem dificuldade de perceber.

      Minha missão é delatar a Matrix e seus vários tentáculos. Engana-se quem pensa que Matrix significa apenas o mundo econômico, político e religioso. Matrix significa tudo o que nos padroniza para o seu fortalecimento e perpetuação. Podem ser ideias libertárias e vanguardistas; não importa... Ela pega tudo o que seja inovador e transforma em um componente de adequação ao Sistema... Coloca rédeas nos mais selvagens, sem mesmo perceberem, fazendo com que achem que estão revolucionando. 

      Como isso acontece? Geralmente quando o que é revolucionário se torna mais um produto de comércio ou uma engenharia social manipuladora.

      Eu não critico as pessoas que se deixam levar por ilusões e ilusionistas... Mas quando enxergo Coração e potencial de revolução nelas, tenho a atenção, o cuidado e a insistência (quase de mãe) em conscientizá-las. (E intuição de "mãe" nunca falha). Vejo o tempo todo as pessoas ingenuamente caírem em conceitos de gente oportunista, dominadora ou fascinada com sua própria popularidade em determinado meio social. Vejo (e vi) gente desprezar o que o Coração pede e grita, em prol de facilidades, confortos, status, aceitação de amigos e grupos. 

      São muralhas erguidas, mas elas não enxergam quem as constrói. A maioria quer que transponhamos as muralhas e nos comportemos indiferentes às suas ilusões convenientes; quer que voltemos a nossa consciência de "quinta" para a "terceira" dimensão. Ninguém tem culpa, mas sinto tristeza pela rejeição de tudo o que é autêntico e cheio de vida nelas mesmas. A busca por comodidades vai matando silenciosamente sua integridade, honra, coragem, autonomia e paixão pela Verdade. 

      Portanto, quando eu aponto que "os demônios" (Matrix) e suas ciladas estão fazendo as pessoas caírem como patinhos, não é para ridicularizá-las ou humilhá-las. Os iludidos e os ilusionistas estão no mesmo barco furado; eu só tento jogar algumas boias e indicar o farol aos que ainda podem ser "salvos". (Não sei bem como, mas consigo ver quem ainda tem chance de ser libertado). 

      Mesmo que muitos pensem que a boia é só uma armadilha - para tirá-los da suposta liberdade prazerosa -, e o farol, uma simples e perigosa miragem, sigo apontando.

      Não é uma armadilha; é só um auxílio.

      Salva-se, no entanto, quem quiser.



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