INCOMPREENDIDA ESPIRITUALIDADE
Falar o que seja espiritualidade tornou-se algo extremamente difícil e confuso.
Além de a confundirmos como religiosidade, agora a interpretamos como ter dons mediúnicos desenvolvidos ou, então, o adotar de hábitos alternativos, conhecimentos esotéricos ou filosofias orientais.
Não é que todas essas coisas não façam parte do que caracterizamos como "espiritualidade". Fazem. Mas o cerne ou o essencial do que ela realmente significa raramente é compreendido (e vivido).
Despertar a Consciência está além da aquisição de conhecimentos ou conceitos espirituais... Despertar a Consciência é o AUTORRECONHECIMENTO vivencial daquilo que verdadeiramente somos.
E o que somos?
Eu poderia dizer mil coisas maravilhosas para descrever, mas todas elas seriam em vão; ou seja, completamente vazias de sentido. Amor, Verdade, Sabedoria, Lucidez, Compaixão, Integração, Humildade, Felicidade... Nenhuma dessas palavras conseguiriam caracterizar o que somos, porque além de pequenas perto da grandiosidade do Ser, foram quase todas distorcidas e profanadas pela mente humana.
E, não... Você não precisa ser um iluminado, santo ou mestre ascensionado para saber e sentir o que verdadeiramente é, como Consciência Maior. Você só precisa ter discernimento do que é real e ilusório em si mesmo.
Mas, a questão é que poucos estão conscientes do que seria: somente a personalidade adquirida pelo ambiente (familiar, cultural, religioso e educacional), e o SER que está além dessa personalidade. Para a maioria não há distinção, achando ser isso uma fantasia, uma crendice ou uma esquizofrenia.
É compreensível que não levem a sério, pois nunca vivenciaram conscientemente o que é esse estado genuíno de ser. Alguns podem até ter vivenciado, mas não compreenderam e nem se aperceberam do que ele era, pensando ser apenas um momento de ligeira sensibilidade, amorosidade e sabedoria.
Existe uma diferença absurda entre ser bondoso através de nossa criação, crença religiosa, educação e ética, e ser bondoso através da Consciência que somos. A bondade provinda de uma consciência racional será somente uma conduta de obediência baseada na culpa, na cobrança e no medo; nunca, uma bondade alicerçada no Amor que o Ser é.
A religião nos fez pautar numa moral racional; assim como a filosofia, na ética. Não quero dizer aqui que não tenham suas valorosas funções básicas de ordem e conduta social. Num mundo onde quase toda a população está ignorante do que realmente ela é, não haveria outra forma de existir um razoável nível de inter-relação humana.
Quando começamos a nos integrar de fato ao Ser (Consciência) que somos, não há mais esforço em ser amoroso, desprendido e íntegro. Tampouco há esforço em deixar de ser egoísta, vaidoso ou interesseiro. O próprio conhecimento do que realmente somos vai curando-nos das ilusões doentias e aprisionantes que nos mantêm no estado de confusão e apego.
O comportamento dual e instável de "bom" e "mau", que varia de momento a momento, vai dando lugar ao estado saudável, construtivo e de complementação ao coletivo, de modo espontâneo.
É aí que começamos a sair dos domínios da egrégora mental egoica coletiva e passamos a fazer parte da Una Consciência, que tudo agrega, ama e eleva na vida.
Porém, o mundo fez com que desacreditássemos nesse estado natural de ser do humano. A exigência religiosa só fez as pessoas se frustrarem e se sentirem incompetentes, empurrando-as ao ceticismo, ateísmo ou ao materialismo.
Só que a VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE nunca foi exigência ou cobrança de perfeição. A verdadeira espiritualidade é o processo de RETORNO AO QUE SOMOS, que é o encontro da PUREZA (inocência) que há em nossos Corações.
Então, geralmente quando eu aponto que JUSTIFICAR ou COMPENSAR as nossas fraquezas - tentando fazer atos bondosos ou de caridade - não nos ajuda a encontrar esse Ser em nós, infelizmente é visto como um moralismo autoritário e rígido. Não é moralismo, mas uma conscientização de que se está, inconscientemente ou não, FORTALECENDO O EGO e sua zona de conforto aprisionante, debilitante e degradante, a si mesmo e ao todo.
O interessante é que eu sempre insisti em apontar que a AUTOCRÍTICA também era o outro lado da moeda, que só fazia com que a humanidade sentisse culpa e inferioridade, a afastando totalmente da Verdade. Condenar-se, cobrando um comportamento diferente de suas ações egoicas, também fortalece a personalidade e embota a Consciência.
TRANSCENDÊNCIA é uma palavra que poucos compreendem.
Transcender o "fazer o bem" e o "fazer o mal" (sair da dualidade) é se integrar à Verdade que somos, que SIMPLESMENTE É amor, compaixão, percepção, sabedoria, humildade, e todo valor sublime e espiritual que existe. NATURALMENTE vamos nos desprendendo das ilusões da personalidade e nos reconhecendo como Ser Real.
No entanto, nós nos reconheceremos; não, a sociedade identificada e mergulhada no Ego (mente adquirida). Ser ou não reconhecido pelos outros como alguém desperto, é o de menos. Pode ser desconfortável e cansativo, muitas vezes, por sermos sempre mal-interpretados, mas sabemos que é completamente natural. Portanto, há de se compreender que tudo isso faz parte como nosso próprio fortalecimento espiritual.
Mergulhar fundo em si mesmo não trará confortos. Muito pelo contrário... Trará irritações, incompreensão, desconfianças, medo aos outros, criando, consequentemente, adversidades. A própria desidentificação com a nossa mente egoica adquirida impulsionará natural reação dos demais, porque estaremos enfraquecendo essa rede mental coletiva. Metaforicamente falando, seria como estarmos desfiando aos poucos uma grande teia, feita com muita dedicação e minúcia para nos manter presos nela.
Espiritualidade, na sua real significação, é o DESPERTAR AO QUE REALMENTE SOMOS, juntamente aos nossos propósitos maiores de vida: MISSÃO. É exatamente isso que irá libertar a todos da "teia"; enfraquecê-la. Não, somente a sua crença religiosa, seus dons mediúnicos, seu modo de vida alternativo de bem-estar, seus conhecimentos ocultistas ou seu estilo zen... Isso tudo ainda é secundário.
Precisamos resgatar o verdadeiro sentido da "espiritualização", que nada mais é o resgate de nós mesmos. Pois só assim, o DOM DE CADA UM fará a diferença e terá algum sentido na existência.





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