A MORAL DA TRANSCENDÊNCIA
Algumas coisas me incomodam e me deixam meio abismada. Não é raiva de ninguém ou crítica a nenhuma pessoa... Mas o meu incômodo está em observar sempre certas conclusões rasas que A CULTURA DE INVERSÃO DE VALORES faz as pessoas terem.
Chego a ser chata e metódica por ficar repetindo a mesma percepção. Mas é porque fico vendo e revendo o tempo inteiro os conceitos inconscientemente adquiridos pela grande maioria. Portanto, sendo chata e repetitiva, digo também que o apontamento não é em relação às pessoas em si, mas em suas visões programadas por mentes manipuladoras.
Não é Teoria da Conspiração; é fato. Nossas mentes foram condicionadas a NÃO TER DISCERNIMENTO e um SENSO CRÍTICO das coisas, propositadamente. Utilizaram-se de conceitos espirituais para nos fazerem sentir culpa e autocrítica, caso tivéssemos algum tipo de percepção um tanto julgadora.
A palavra "julgamento" tornou-se algo extremamente condenatório (paradoxalmente e ironicamente, falando). É bem sutil, mas as pessoas julgam os ditos moralistas, sendo "moralistas dos moralistas".
Na Lei Universal existe também um tipo de julgamento, porém, esse, não criado a partir de conjecturas humanas. Assim como existe o caos, existe nele (Universo), a ordem. E pra que a ordem exista, é necessário que haja um julgamento do que seja caos.
Não estou dizendo, com isso, que seja certo e ideal que as pessoas julguem aos outros com seus conceitos adquiridos, seus apegos e arrogância. Não estou dizendo que exista um "dono da verdade" que tenha o direito de apontar o dedo e dizer o que seja correto, baseado em suas crenças... Porém, sim, existem pessoas mais conectadas com a Consciência, que já conseguem enxergar além das ilusões e DISTINGUIR o que é construtivo do que é destrutivo; o que é atraso do que é avanço; o que é aprisionamento do que é libertação do Ser.
Se você se isenta de dizer o que vê de errado ou egoico no mundo, ninguém vai sequer questionar se aquilo é ruim ou não. As pessoas serão o tempo todo levadas por interesses escusos, através de seus próprios instintos. Elas nunca questionam nada e vão pelo o que a maioria acha ser mais "bonito", "legal", "descolado" e "livre".
A velha questão da LIBERDADE... Isso que todo mundo quer pra si, sem ao menos saber o que ela significa. A velha questão do "TER O DIREITO DE SE FAZER O QUE BEM QUER, já que não estamos fazendo o mal a ninguém". Claro que temos a bosta do direito de fazermos o que bem queremos (com exceção dos crimes)... E por isso mesmo o mundo está a imundície que está.
Batendo na mesma tecla: "Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém". O problema é que as pessoas querem enxergar o "fazer o bem" pelo mesmo parâmetro conceitual que os crentes religiosos possuem; só que por uma outra perspectiva.
O que seria fazer o bem? Seria fazer caridade? Ajudar um mendigo? Dar dinheiro aos necessitados? Fazer favores aos outros? Ser prestativo e amigo de todo mundo? Sim, pode até ser fazer o bem... Mas se eu faço essas coisas, justifica e isenta todos os meus desejos e atos doentios de dependência? Tudo isso me purifica e faz desaparecer com o mal que faço a mim e aos outros, com os meus vícios, depravações, manipulações, abusos, mentiras, traições, vinganças? "Ah, mas aí já se está fazendo mal aos outros!". Sim, está, só que as coisas muitas vezes são tão NORMATIZADAS e feitas com "elegância", que todo mundo começa a achar que aquilo é muito bem aceitável; um estilo próprio de viver da pessoa. Ninguém leva em consideração que o mal acontece até mesmo, inconscientemente, em nós e nos outros.
Não, meus amigos... Não é um estilo pessoal e excêntrico de ninguém; é CONDICIONAMENTO DOENTIO implantado pra que você seja ESCRAVO DO SISTEMA. Você acaba cada vez mais dependente de seus instintos animalescos. E o que aqueles que manipulam a sociedade querem, é que você pense que é natural, libertário e sadio.
Quer se acabar em drogas? Quer transar com todos(as) e com tudo a hora que quiser? Quer ter vida-dupla? Quer trapacear no jogo, cortar a fila e estacionar em vaga de idoso? Quer manipular as pessoas pra ser idolatrado e ganhar muito dinheiro? É um direito seu.
No entanto, não venha dizer que "isso é de menos porque eu faço o bem". Somos todos humanos falhos, erramos, fazemos besteira... O problema é querer "varrer todo o lixo pra debaixo do tapete", ao tentar compensar nossos vícios e toda insensatez com ações benéficas.
Isso ainda é estar no nível de dualidade mental do Bem e do Mal. TRANSCENDER a dualidade é chegar num nível de compreensão em que você sabe discernir muito bem o falso do verdadeiro e não fica mais preso ao falso.
A AMORALIDADE não é ser uma pessoa desapegada, elevada, equânime, neutra ou impessoal. A AMORALIDADE é ter um outro conceito (contrário da moralidade) que diz que você não deve julgar as pessoas, porque "tudo é relativo". Claro que tudo é relativo... Só que no nível egoico do personagem. No nível da Verdade e da Consciência EXISTE, SIM, UMA MORAL, só que ela corresponde À PUREZA DO CORAÇÃO.
Se formos analisar pela perspectiva da INOCÊNCIA, um alguém realmente depurado espiritualmente não irá defender ou se apegar à artifícios que lhe deem prazer e realizações. Ele simplesmente se abre ao que é. Tampouco irá se isentar de diferenciar o que é sadio e doentio. Lembrando que "doença" é um mal que a pessoa não teve a intenção de ter. Mas teve, portanto, existe.
O interessante de tudo é que as pessoas que defendem tanto o NÃO-JULGAR o sexo livre, as drogas e outras dependências, são as que mais julgam aqueles que não se dedicam a ganhos pessoais. Elas são realmente libertárias às suas conveniências, mas totalmente críticas e moralistas com o modo de ser e viver impessoal de um alguém mais contemplativo e introspectivo.
O Ego Espiritualista é o Ego mais difícil de se fazer renunciar. Talvez, ele seja a última etapa, porém a que menos as pessoas conseguem se libertar. Isso porque a ilusão de se estar DESAPEGADO dos conceitos mundanos ou religiosos, faz elas pensarem que já são muito sublimes e sábias. Mas a grande pedra de tropeço é que elas se apegam aos conceitos espirituais adquiridos, ou seja, NÃO É UMA PERCEPÇÃO PRÓPRIA GENUÍNA E INSTANTÂNEA.
A ideia de que eu me aprisiono e aprisiono as pessoas em dependências, mas também faço o bem, COMO JUSTIFICATIVA, não cola. Todos fazemos bem e mal... Todos. A grande diferença é que você, que está pela Luz, não irá criar pretextos pra que seus vícios (de qualquer tipo e tendência) se tornem amenos e aceitáveis pelo suposto "bem" que faz aos outros.
Os assassinos também fazem o bem aos seus... Os corruptos também fazem bem aos seus... Os psicopatas também fazem bem aos seus...
E se você acha que se viciar em drogas, álcool, sexo, comida, jogo - ou qualquer outra coisa que aparentemente não faça mal aos outros -, não possui efeito algum na sociedade e no mundo, está redondamente enganado. Um ato seu reverbera em todo coletivo como fortalecimento de uma egrégora.
No que você está ajudando a fortalecer?
Na LIBERTAÇÃO ou na libertinagem humana?





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