O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS



      Sabe aquela sensibilidade intuitiva que um animal ou uma criança tem de perceber o coração das pessoas? Pois, então... Acredito ter isso em mim bastante apurado.

      Essa sensibilidade natural nossa, não, exatamente, JULGA os outros num simples conceito de "BOM" ou "MAU". Mas ela sente quando o coração de alguém ainda não está envenenado pela autoilusão narcisista do Ego.

      O sujeito pode errar, fazer "burradas", ter sido um tonto ou babaca... Mas tudo porque ele foi um cego perdido procurando o seu caminho. Há ainda uma certa ingenuidade, medo e culpa nele; não, uma total prepotência ou vaidade.

      Enxergar além das aparências é um dom pra poucos. Isso porque a inocência que tínhamos quando crianças vai se perdendo devido ao racionalismo exacerbado de se analisar as coisas. A criança (de seis anos) perdoa, apesar da ignorância alheia... Assim como os cães nem sequer guardam a lembrança do mal feito. Talvez, nos dois casos, ambos inconscientemente se traumatizem, mas dificilmente alimentam um rancor consciente. 

      Ver com o Coração é conseguir compreender um alguém pela sua essência, e não pela sua lógica. É realmente sentir a sua sinceridade, ainda que ele cometa vários enganos. 

      Como disse em textos anteriores, seria primeiramente enxergar a intenção da pessoa, e depois analisar os seus conceitos. E a mim, confesso, a pureza da intenção acaba valendo muito mais do que belas e sábias palavras.

      É a velha tecla que eu sempre bato: "apesar de atraentes ou fascinantes, pessoas cultas e intelectualizadas me entediam. Prefiro os sinceros de coração".

      Mas o mundo não é assim... É preferível mil vezes a ideia que um indivíduo apresenta, das suas fórmulas mágicas, dos seus diplomas e condecorações, do que está verdadeiramente por trás deles. E não estou dizendo que ideias não sejam importantes; porém estou expondo que o valor e a importância que damos aos outros gira única e exclusivamente nelas... "Dane-se as intenções dele".

      O meu "parâmetro" atual de perceber a honestidade em alguém ou algum conceito é: "isso me liberta e me conduz à autonomia, ou me faz dependente, cheia de culpa e medo?"

      Observe que podemos muitas vezes nos equivocar na forma de ajudar ou apontar uma ilusão; mas será com uma intenção sincera. No entanto, muitos que possuem uma imagem de benevolência e sensatez, conscientes ou não, estão a condicionar ainda mais as pessoas numa escravidão psíquica.

      Aonde eu quero chegar com tudo isso? Bem, é que quando eu aponto que as religiões, as filosofias ou as crenças de qualquer gênero são sistemas de manipulação, estou dizendo que o Sistema, no qual estamos inseridos, se apoderou de todas as ferramentas de libertação para nos controlar a seu bel prazer. Mas não pense que é somente das crenças tradicionais que eles se apoderaram e distorceram... As ditas filosofias New Age, holísticas ou místicas também entraram no rol das manipulações.

      Todas as boas intenções de fazer o humano se integrar ao divino (que ele já é) foram deturpadas, fazendo-nos meros carneirinhos e seguidores de uma autoridade condicionadora. Essa autoridade, ou nos faz escravos dos desejos do Ego, ou nos faz indivíduos pacifistas, no sentido de ACEITARMOS TUDO COMO AS COISAS SÃO.

      Ora, independentemente do motivo de estarmos vivendo essa vida aqui neste planeta, se eu vejo o mundo em caos e doentio, devo acreditar que É ASSIM MESMO QUE AS COISAS DEVEM SER, e dane-se as pessoas que sofrem com seus supostos "CARMAS"??

      Como já disse várias vezes, não é a CRENÇA de que existe um motivo, propósito ou objetivo divino por trás das vicissitudes que me livrará da revolta, da tristeza, do desespero ou da indignação. ISSO AINDA É UM SUBTERFÚGIO MENTAL!

      Somente a REAL DESCOBERTA DE QUEM SOMOS é que nos fará naturalmente ter paz e confiança internas pra que a Compaixão se instale. Não estou desmerecendo o esforço e a dedicação de se fazer o bem, a caridade e o auxílio ao próximo, mesmo as pessoas ainda não tendo o reconhecimento de quem são de verdade. A moral religiosa e a ética são válidas, ainda que muitos as usem para fortalecer sua vaidade. 

      Mas a intenção do que venho escrevendo é nitidamente pra que nos libertemos o máximo possível das DEPENDÊNCIAS de sistemas de crença e até de autoajuda (no seu sentido interesseiro e pejorativo). A autoajuda também virou apropriação desse sistema que apenas visa a adequação robótica camuflada de BEM-ESTAR e vida equilibrada.

      Não é errado querer ter equilíbrio, sanidade e harmonia na vida. É óbvio que não... Mas nessa de querer ter equilíbrio, a maioria está se perdendo em conceitos superficiais de como a vida precisa ser, esquecendo-se de mergulhar mais profundamente em si.

      A vida e seus aspectos fenomênicos tornarem-se mais importantes do que o Ser em si; que é a real chave de tudo. É mais glorioso aprender a manipular energias, o poder da atração, ser expert em PNL, do que voltar-se primeiramente a QUEM REALMENTE SOMOS. Se o desenvolver dons paranormais ou da mente estivesse diretamente ligado a ser ESPIRITUALMENTE CONSCIENTE, os ditos "magos negros", feiticeiros, ocultistas obscuros seriam seres de elevado grau de Consciência? Olha a incoerência... Talvez por isso estejam espalhando que ao humano é impossível o alcance do Amor; que não existe a verdadeira Compaixão na Terra. Querem que acreditemos que somos seres primitivos como Alma,e fiquemos acomodados a essa condição medíocre. 

      Isso não quer dizer que devamos nos esforçar para evoluir. Não quer dizer que devamos ter expectativas ou idealismos de sermos perfeitos. Isso quer dizer que temos todos os mesmos potenciais e possibilidades de sermos Luz (Amor, Sabedoria, Lucidez, Integridade), pois é o que todos essencialmente somos. Mas se nos fechamos na crença de que é IMPOSSÍVEL sermos isso que somos, consequentemente seremos eternamente indivíduos limitados e usados como massa de manobra a interesses escusos.

      Ninguém percebe, mas sutilmente nos impõem CULPA. Muito se fala do medo, medo, medo... Mas a culpa é simultaneamente utilizada para nos controlar. Talvez até muito mais do que o medo. Todos nós cometemos erros, mas se não nos libertarmos da crença do "carma", de que merecemos, de que somos OS ÚNICOS responsáveis pela dor, continuaremos na mesma rede que as religiões nos impuseram. 

      Pessoas me fizeram mal... Tiveram más intenções...  Me prejudicaram intencionalmente... Tá, tudo bem. Mas, é óbvio a mim que só fizeram o que fizeram porque ESTAVAM CEGAS - eram completamente ignorantes da Verdade. Como posso condenar eternamente e culpá-las por serem cegas? Posso tentar acordar as pessoas de suas cegueiras ou crueldades (coisa quase sempre ineficaz, eu sei), mas como posso, nessas alturas, associá-las à sua ignorância ou autoilusão? Não pense que isso não inclui os "gurus falsos profetas"... 

      Então, independentemente do motivo divino de estar vivenciando esse mundo atrasado espiritualmente, minha "função", aqui nele, não é a de achar tudo "fofo", maravilhoso, uma bênção... Pois apesar de eu ter a Consciência de que a PRÓPRIA EXISTÊNCIA, não importa onde, já seja uma dádiva, meu propósito a que vim é justamente IDENTIFICAR O FALSO, o feio, o grotesco, o aprisionante, o limitante - e tudo o que nos faz seres dependentes e inferiorizados. Isso não é ter ódio ou revolta da vida... Isso é ter OUSADIA em quebrar todos os padrões, rótulos e caixas limitadoras.

      A intenção inicial das pessoas de libertar os outros dos condicionamentos, quase sempre é legítima. O grande problema é que quando surge os ganhos financeiros, a fama, o prestígio, os seguidores, os aplausos, a reputação e as facilidades em geral, elas se apropriam da Verdade para fins do Ego. A atenção dos admiradores gera prazer e poder, fazendo do indivíduo mensageiro DEPENDENTE deles. O que era pra ser um instrumento de libertação vira mais uma estrutura de recíproca vampirização. E nesse ciclo vicioso, todos tornam-se zumbis ou hipnotizados. 

      Não acho exatamente ERRADO querer escrever livros ou dar palestras sobre Espiritualidade. A questão é sempre o COMO se está utilizando disso. É pra engrandecer o seu Ego, ter controle das pessoas, fazer delas "discípulos carneirinhos", ganhar dinheiro através de enganação, mentira e manipulação? O erro não é o ganhar dinheiro... O erro é quando o dinheiro passa a suplantar o objetivo principal: o de passar a Verdade e libertar as pessoas.

      Portanto, me perdoem, mas nesse caso de manipulação à autoafirmação do eu, sim, serei crítica. "Ah... Mas não podemos julgar; não podemos apontar o dedo; você está sendo negativo(a) e atraindo negatividade...". Posso até estar atraindo ódios, revoltas e indignações, mas não estou sendo negativa. Pois quando falamos coisas, não por motivos pessoais ou melindres, mas, sim, por estar realmente enxergando a ilusão, sentimos o dever de expor o que a maioria não vê. Enxergar o engodo e se isentar de alertar é o mesmo que uma isenção de socorro num acidente trágico.

      Quando o que apontamos causa irritação nos outros, mas que não é de uma motivação pessoal, de um capricho do Ego ou de uma autoafirmação, já estamos naturalmente protegidos pela Consciência. Isso porque não há uma intenção de fazer o mal a ninguém, por mais que o Ego sinta-se prejudicado... O que há é simplesmente a intenção de tirar a todos do autoengano. E quando digo todos, é todos os envolvidos. E o mais interessante de tudo, é que a intenção não é nem mesmo minha (Danny), mas de algo além de mim.

      Todos têm o direito de fazer o que bem querem, teoricamente. Ninguém veio aqui pra se formatar e ser igual ao outro. Mas assim como a maioria tem o seu caminho e a sua função dentro de um contexto, a minha função principal é a de ajudar as pessoas a enxergarem "os pontos cegos", as "pedras de tropeço" e os condicionamentos. E quando digo que o condicionamento da maioria é valorizar PRIMORDIALMENTE as coisas do mundo, é porque não tenho como deixar de apontar isso. Minha incumbência recebida é essa.

      Hoje está muito mais clara e factual a compreensão de que sem a libertação de mestres externos, líderes autoritários, gurus, guias e todo indivíduo que se coloque como "centro", não haverá a possibilidade da integração da Consciência Maior que somos. Digo isso por experiência própria e com absoluta certeza. Enquanto houver a dependência de aconselhamentos de terceiros, a Presença não se manifesta de forma contundente. Isso inclui guias espirituais, videntes, terapeutas, psicólogos, etc. Somente quando experimentamos de tudo e vemos o quão são superficiais, passamos a focar toda a nossa atenção em nossa voz do Coração.

      E quando falo de "aconselhamento", estou me referindo a orientações de como devemos ser e fazer... Não, ao incentivo de se questionar, provocar e refletir sobre as coisas. Pois ainda que muita ajuda nos faça perceber coisas em nós mesmos, ela não nos ajuda a praticarmos a percepção por si.

      O mundo necessita de pessoas com mais autonomia e menos seguidores... O mundo necessita de pessoas com mais ousadia e menos condescendência...

      Pois é só com autonomia e ousadia internas que transformamos a realidade, já que o fazer externo é consequência delas. E a intenção é que todos nos libertemos.

      É essa tecla que venho batendo, ainda que se interprete isso como "negatividade". 

      Eu enxergo a Essência e o Coração das pessoas... E o irônico é que a maioria delas me vê como errada, disfuncional e equivocada. Mas faz parte...

      O mundo está perdido, mas o Coração de muitos só quer ser reconhecido. Posso até ver, mas cabe somente a cada um se perceber.


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