O DOM SUPREMO



      Até hoje venho tentando entender o porquê das exigências de um padrão de ser, feitas pela sociedade. Por mais que existam muitas coisas bastante úteis, convenientes e funcionais, por que achamos que tais coisas são extremamente imprescindíveis a TODOS?

      O pensamento viciou-se numa premissa de que se algo nos facilita a vida e nos dá condições de obter qualidade no âmbito racional ou físico, é porque é OBRIGATÓRIO nos esforçar a ter esse algo.

      No entanto, eu me pergunto: "As coisas realmente essenciais e importantes,pra que cada indivíduo siga o seu propósito de vida, depende de um ESFORÇO (luta) para se qualificar a ele, ou elas chegam e ocorrem naturalmente no tempo e espaço certos?

      Vou tentar exemplificar... Se sinto REALMENTE VONTADE de aprender corte e costura, minha dedicação, atenção e estudo serão constituídos de ESFORÇO (luta)? Não seria uma dedicação baseada em satisfação e entusiasmo? E se não sinto a mínima vontade em aprender algo do qual o mundo fale que é importante e que me dá melhores condições, devo me dedicar, mesmo contrariada?

      Antes que a mente puxe o gatilho e automaticamente atire previsíveis argumentações, dizendo "Ora, sem o esforço seríamos todos seres analfabetos e sem função alguma", eu pergunto: "Quando crianças, o aprendizado essencial ou fundamental é um esforço ou uma espontânea atenção e curiosidade?"

      Sem desmerecer diversas funções e habilidades que nos facilitam a vida, pois isso é um fato, como podemos exigi-las a todo mundo, sendo que não sabemos nada sobre o sentido de viver de cada um? Novamente, a questão do PRECISAR encontra-se num nível pré-julgador e pessoalista.

      Se queremos ser funcionais e úteis ao sistema, é óbvio que devemos seguir seus ditames e suas exigências. Querer ser um alguém de sucesso nela e não se "esforçar" para atingir seus padrões de qualidade seria insensatez. Mas quem atingiu o nível consciencial-espiritual do Ser sabe que para seguir a vontade da Alma e realizar o propósito maior de vida basta guiar-se pelo entusiasmo... Não haverá esforço, no seu sentido de luta e obrigação, mas, sim, paixão.

      É claro, que no caminho da missão haverá contrariedades e obstáculos, porém não serão suficientes para desviar-nos dele. A diferença entre fazer algo com amor e fazer algo por conveniência, é que o primeiro não se desperdiça tempo e energia, já o segundo, além de desperdiçar, desvia-se do verdadeiro propósito. 

      Mas se eu quiser ir direto ao ponto, me conduzindo pelo o que meu Coração sente vontade e não pelo que a maioria acha o "certo", dirão que sou irresponsável, teimosa e indolente.

      O Ego sempre valorizará somente aquilo que é de cunho material e intelectual. Isso porque a sociedade funciona através desse parâmetro. Ter conhecimento e informação ainda é mais importante do que SE AUTOCONHECER e ter sabedoria própria. Sendo assim, a missão de vida é ignorada, pois o que importa é ser versátil.

      As pessoas desconhecem o fato de que descobrindo o que de verdade somos, aquilo realmente necessário ao nosso sentido de estarmos aqui, chega de forma fluida e, então, sentimos espontaneamente interesse por determinado assunto, função ou habilidade. Aí, sim, a informação e o conhecimento têm seu propósito direcionado. 

      Contudo, é mais fácil ditar regras de como ser melhor, mais inteligente e útil, ainda que o propósito de alguns neste planeta seja apenas o de trazer CONSCIÊNCIA E AMOR.

      A vontade sincera é a base de tudo, e,não, o esforço contrariado ou a luta para se tornar melhor. É errado querer se aprimorar primordialmente em espírito? Por que é tão importante ter conhecimento de tudo, mesmo eu não sentindo interesse? Não estou dizendo com isso de nos fechar às possibilidades, pois podemos nos interessar futuramente por diversas coisas... Estou apenas apontando que aquele que já se descobriu com um propósito espiritual na Terra, não se cobrará qualificações sistemáticas, ainda que essas lhe tragam vantagens, facilidades e acessos mundanos. 

      Tudo aquilo que é realmente necessário àquilo que vim fazer nesta vida, simplesmente chega naturalmente, sejam informações, conhecimentos ou oportunidades. Até mesmo pessoas chegam... Pude constatar que nada do que me veio de oportuno nesse caminho de Despertar dependeu de um esforço meu. As coisas aconteceram. E tudo o que não aconteceu como eu esperava, sinto profundamente que foi porque algo melhor e maior está por vir. Como disse, existem os obstáculos, mas eles não nos impedem de seguir em frente... Mais do que isso: nos impulsiona a uma perspectiva mais ampla e poderosa.

      A "vontade" provocada pela razão, mesmo que nos dê certas conveniências, é sempre por um sentimento de culpa, cobrança, medo, inveja, comparação ou crítica. Incontestavelmente nos faz melhores em vários âmbitos, mas extremamente vazios em termos de SENTIDO. O que mais vale: sermos cultos e conhecedores de tudo, ou fazermos aquilo que viemos fazer com o nosso dom único?

      Quem dera fôssemos Leonardos Da Vinci e tivéssemos realmente vários dons... Não que eu não acredite que haja gênios como ele, mas penso que muito mais do que "esforço", o que existe é uma natural paixão de Alma nesses seres. 

      O que está por trás da vontade de se aprender algo? Um interesse verdadeiro ou uma voz que diz que sem esse algo não seremos bons, melhores ou bem-vistos? 

      Há de se saber diferenciar o que é uma alienação normótica e medíocre, do que é um real centramento em nossa missão. A pessoa desinformada, em geral, é quase sempre condicionada a se interessar por coisas fúteis e a viver no padrão de rebanho. Já aquele que conhece a si sabe o que convém ou não a ele, no seu objetivo maior de vida.

      Se notarmos, novamente existe um pêndulo no padrão de pensamento: o dos que não querem conhecer nada que seja diferente, e dos que acham que devem conhecer de tudo. O problema é que os dois extremos, tendo conhecimento ou não, fecham-se em seus dogmas de preconceitos e na incapacidade de ponderar.

      Mas tudo isso ainda fica no nível intelectual de se ver o que é necessário ou não; ideal ou não... Fazendo-nos perder do que realmente importa a nós como Ser-Consciência. 

      A questão do que é válido a nós não deve se guiar pelo "COMO PODEMOS SER MELHORES", mas sim no "O QUE VIEMOS FAZER", pois tendo uma noção do que viemos fazer, o "como", consequentemente, se apresenta.

      O meu modo de ver a vida choca e incomoda porque simplesmente eu quebro todos os estereótipos do que seja ter INTELIGÊNCIA. Pois mesmo eu não tendo a qualificação adequada de um alguém estudado, mesmo eu não sendo culta, grande leitora e conhecedora de muitos assuntos, há uma Percepção aguçada que se manifesta e põe em xeque os sistemas de crenças e as estruturas cristalizadas da sociedade. Eu até poderia dizer que sou eu que tenho essa inteligência, mas seria uma inverdade... Essa inteligência que é independente de estudo ou prática é a Consciência que todos nós somos.

      Ela não me dá habilidades funcionais que a razão dá, mas me dá a lucidez e a sensibilidade em enxergar todo o falso e fútil.

      Portanto, ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem a Verdade, eu nada seria. Pois a Verdade, sim, é o idioma que eu falo.

      Ela está no seu currículo?


Comentários

Postagens mais visitadas