INFERNO SANTO
O insight que me veio foi o seguinte:
A diferença de um verdadeiro mestre e um guru "falso profeta" é que, mesmo os dois podendo falar a mesma coisa, é uma Percepção do falso, de instante a instante, de um dos indivíduos que faz com que identifiquemos o autêntico.
Perceber é totalmente diferente de saber.
Podemos saber de cor e salteado todos os grandes ensinamentos de mestres verdadeiros, mas nenhum deles lhe dará a SENSIBILIDADE DA PERCEPÇÃO.
Aquelas pessoas que já percebem o falso por si próprias são as que despertaram seus mestres internos. Não, necessariamente, integralmente, mas já possuem o dom de perceber.
São raros os que possuem essa faculdade. A maioria se deixa levar por qualquer boa oratória e escrita. Tendo, o guru, um carisma sedutor, então... Pobres criaturas... Viram verdadeiros miquinhos adestrados.
O verdadeiro mestre não se autorrotula como a um. Enfatiza o questionamento e incentiva os outros a descobrirem por si mesmos, independentemente de como.
Mas a grande cilada é que falsos mestres também se utilizam de uma pseudo-humildade, imitando os reais. Virou bastante clichê a frase "Não me aceitem como seu guru. Não acreditem no que digo. Descubram por si mesmos" e etc. e etc.... No entanto, tratam seus seguidores como a fãs ou servos. Distorcem os ensinamentos "papagaiados" por eles e deixam as pessoas completamente dependentes, seja de orientação, seja de acolhimento.
A Arte da Percepção é pra poucos, porque o medo e a culpa impedem a maioria de enxergar e se rebelar. Isso ocasionará críticas e retaliações dos "fanáticos" e isolará o denunciante de todos. O que é natural e compreensível.
Aqueles que realmente podem ajudar, hoje em dia, são os que admitem suas falhas com honestidade, mas sem que isso seja uma autopiedade ou uma autocrítica. São aqueles que já tiveram uma vivência (ou várias) do Real e já conseguem discernir todo falso e a enganação ao redor. Eles não apenas falam e falam... Mas principalmente escutam o que o iniciante tem a dizer, compreendendo o seu conflito.
Ser, muitas vezes, firme e austero, é necessário. Mas há de haver diferenciação do que é uma humilhação provinda de um Ego narcisista e sádico, de uma verdadeira atenção e vontade de libertar o próximo. O problema é que isso é pouco percebido...
Quase sempre, quando é uma atitude cruel e doentia em diminuir os outros, é interpretado por muitos como a uma necessidade em se "quebrar as pernas do Ego". E quando é uma ação pra se fazer perceber a ilusão, a artimanha ou a ingenuidade do personagem, muitos interpretarão como arrogância.
Tudo é bastante sutil, mas quem tem a Consciência cada vez mais presente, enxerga a intenção egoica e cega do Ego. O reconhecimento do que é falso fica muito mais nítido, por sentirmos a Verdade em nós.
Ser mestre não é simplesmente dizer que "não se quer seguidores e que o desejo é que se libertem o quanto antes", como se tal frase tivesse o poder de identificação dos verdadeiros. A melhor forma de identificar um falso de um verdadeiro é observar como os seguidores ou estudantes agem. Eles estão hipnotizados a ponto de ACEITAREM TUDO SEM QUESTIONAR? Estão idolatrando o mestre, colocando-o num pedestal, a ponto de até dizerem que sua aura é iluminada e que sua presença é puro amor?
Ainda que muitos mestres possam emitir uma energia positiva de amorosidade, acredito que a maioria das pessoas sentirá o contrário, diante deles, pois o Ego se incomodará com suas presenças, já que a vibração de libertação das zonas de conforto condicionadas causará irritação profunda. Porém isso não é algo a ser rotulado. O Coração é que deve falar além de uma ideia pré-concebida.
A questão é que grande parte das pessoas confunde as SENSAÇÕES com o que a Verdade seja. Associam bem-estar com positividade, sendo que muitas vezes é uma armadilha a nos iludir e nos aprisionar. Enxergar o falso é, agora, taxado de ser NEGATIVO, pois o ato de denunciá-lo geralmente causa dor e frustração. Ninguém compreende - ou quer compreender - a TRANSCENDÊNCIA. Pois, inevitavelmente, transcender pede o "encarar" do sofrimento.
Sendo assim, os gurus do "Positivismo" estão no outro extremo, também se autoiludindo e iludindo os outros.
Afiar a nossa Percepção é algo extremamente urgente e importante. É ela que nos dará a habilidade de VER por nós mesmos... E não, o policiamento de estarmos agindo da forma que o mestre disse ou ensinou.
Estar liberto de mestres (verdadeiros) não quer dizer que nos obriguemos a não olhar mais nada que seja deles; pois isso também é um jogo da mente: o de querer parecer autossuficiente.
A diferença é que não seremos mais DEPENDENTES; ou seja, não precisaremos mais, o tempo todo, procurar os seus dizeres. O sinal de que estamos libertos é justamente rever, ocasionalmente, alguns de seus ensinamentos, e constatar que tudo o que estamos percebendo por conta própria, BATE com o que eles já diziam. E isso porque você já terá se esquecido de muitas coisas que eles falavam.
Mas pra isso, é preciso que deixemos de depender deles...
O que falar, então, dos falsos profetas de internet?
Fuja! O quanto antes...




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