WHO AM I ?
Vieram outros insights. E quando eles vêm, procuro escrevê-los logo, pois facilmente se perdem e, então, não consigo mais captá-los para uma comunicação.
Algo me diz que é importante elucidar alguns pontos... Bastante confusos e controversos.
A questão é: "Como sabemos quem é o Ego e quem é o Ser (Consciência) em nós?"
Muitos, por serem céticos à expressão mais pura de um indivíduo, acham que tudo não passa de fantasia. Pensam ser devaneios, meras suposições ou autoenganos.
Na verdade, o Ego, nosso personagem, se faz passar muitas vezes por Ser. Ele pega todas as informações recebidas de verdadeiros sábios e, por ter um entendimento intelectual, acha que a Verdade já está integrada nele.
Isso acontece muito no início do Despertar, por ainda não sabermos diferenciar o que seja conhecimento, e o que seja sabedoria do Ser. Aconteceu comigo e acontecerá à maioria.
E mesmo que já saibamos discernir, o Ego virá, ora ou outra, disfarçado de Consciência (e cairemos na dele)... Porém, não porque ele queira nos confundir e enganar; mas simplesmente porque ele realmente pensa ser a Consciência. Esse fato é o mais duro de se aceitar.
Mas, isso não quer dizer que a real Consciência não se manifeste em nós. Ela chega no instante em que não há nenhum tipo de julgamento - pois Ela é puro Amor.
Apesar de mestres espirituais dizerem que para estar no estado real de ser não se exige tempo - coisa que consigo compreender e concordo -, existem momentos ou etapas pelos quais passamos naturalmente, que é um amadurecimento consciencial gradual (em uns mais rápido e em outros mais lento, dependendo do desprendimento de cada um).
Uma dessas etapas é o perceber e constatar todo o falso em nós. Sem isso fica impossível a manifestação do Ser. E como já disse, mais adiante, o Ego se vestirá de Consciência, de diversas formas, nos aprisionando nesse estágio. Para alguns dirá que ele é o Ser verdadeiro, pois suas condições de vida melhoraram materialmente, profissionalmente ou socialmente. Para outros dirá que é Ser porque já se fala bonito, se escreve com lucidez ou porque "silenciou a mente". E, assim, cairemos muitas vezes no engano do Ego, que é o nosso próprio engano. Não existe eu e o Ego; o que existe é Ego começando a perceber a si mesmo.
Mas, então, quem é a Consciência? Não é essa que enxerga todo conflito do Ego?
Nem sempre. Durante um bom tempo seremos nós, Ego, a observar o Ego primário condicionado. Ainda não será o Ser; será um Ego espiritualizado, somente. E mesmo que seja, constatar o quanto é importante a nossa mente se autoperceber. Seria o começo de uma libertação...
O grande entrave, porém, é não sair dessa autopercepção, e continuar no mesmo conflito - antes com os outros -, só que agora, consigo mesmo. Conseguir se observar sem a crítica é uma das nossas maiores dificuldades.
Enquanto houver desejo contínuo de se livrar ou eliminar os distúrbios mentais, haverá conflito. Enquanto houver desejo contínuo pelo silêncio ou paz, haverá frustração. Não estou me referindo aos que estão iniciando no Despertar Espiritual, já que esses necessitam primordialmente desse querer, mas sim àqueles que absorveram a informação "Ego e Ser" e já conseguem se perceber como entidade falsa.
É integrar em nós a consciência de que constantemente somos Ego X Ego, numa eterna caça "gato e rato". Contudo, não usando essa consciência para justificar nossas fraquezas e nos isentarmos de admitir o quão prejudicial e doentio é o padrão egoico. Mas é enxergarmos toda a nossa doença, sem condenarmos a doença, muito menos o doente.
Se aqui eu disser a diferença entre o Ego que se faz passar por Ser e o próprio Ser, para não mais nos enganar com ele, será mais um conceito condicionador da mente. Pois é só no sentir que conseguimos discerni-los. Ainda assim, arrisco a dizer que o Ser nunca será recriminador ou autocrítico - mesmo que ele enxergue todo o mal que o falso promove... E em contrapartida, não será defensivo ou se justificará - pois será mais do que neutro; será amoroso e autocompassivo. O Ser é aquilo que somos, quando "inspirados".
Consciência ou o Ser que somos não é algo que deva ser interpretado como algo "de outro mundo", de seres divinos e especiais... Não deve ser visto como um estado de ser do qual se adquire poderes sobrenaturais, uma aura de santo ou de mestres ascensos...
Ser é apenas ter percepção, lucidez, sabedoria, amor impessoal - inclusive tendo pessoalidade -, real humildade, desapego, equilíbrio e confiança em si e na vida. Mas essas coisas só conseguimos ter quando já somos o verdadeiro Ser; e não o contrário: ter essas virtudes pra ser.
Ser Consciência é muito mais simples e alcançável do que as pessoas imaginam. Não é um cessar do pensamento ou do "barulho mental", como é comum dizerem; é só a não-identificação com ele, ou seja, o seu distanciamento. E desse distanciamento, ele torna-se fraco.
Ser Consciência é apenas enxergar... E nesse enxergar, compreender e se render à incondicionalidade do Amor.
E o que é o Amor?
Bom, isso eu já não posso explicar, nem mesmo se quisesse. Só posso dizer que é você.



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