O DESPERTAR DOS MESTRES

      


      Quando eu aponto para o fato de que é importante seguir a caminhada espiritual individualmente, sem mentores ou grupos fraternos, não estou dizendo que temos que rejeitar ajuda de irmãos que estão na mesma caminhada.

      O que quero dizer é que é preciso enxergar se a Percepção e a Sabedoria que estamos tendo é somente emprestada ou se são legítimas e independentes. Porque se as pessoas se agregam anos e anos num tipo de grupo e ainda observam a vida através das mesmas lentes do guia, nitidamente estão presas e dependentes de autoridades.

      É comum muitos se acomodarem na necessidade de validação e confirmação de um mestre. Ter uma iniciação com alguém é fundamental e muito válido, mas é preciso perceber se a eterna posição de "discípulo" realmente é conveniente. Seria ainda uma falta de preparação do indivíduo ou uma mera comodidade?

      Algo que tem ficando cada vez mais claro a mim, é a transformação que vem ocorrendo no modo de aprendizado espiritual. Tempos atrás, mestres, guias, gurus eram de fato apropriados ao ensinamento. Os verdadeiros mestres, em geral, eram seres já de Consciência Plena, Iluminados ou em estado de Amor Puro. Eles realmente passavam - e passam - visões que sozinhos não conseguiríamos enxergar... Ou que, então, supostamente demoraria muito tempo para enxergarmos.

      No entanto, foi constatado que poucos eram os que alcançavam um estado pleno de Consciência e Amor. Raríssimas vezes o discípulo atingia o mesmo estado do mestre. E isso ainda, quando a pessoa acreditava que pudesse chegar lá.

      Imagina, então, hoje, em que a maioria dos que entram na jornada espiritual está cada vez mais cética quanto a esse estado pleno do Ser... Grande parte da população acha isso possível apenas a seres especiais, que tiveram muita experiência ou várias "vidas terrenas".

      A questão não é acreditar que você é um messias ou que deva atingir a Plenitude... A questão é se fechar na descrença de poder avançar cada vez mais na elevação consciencial; ou seja, de se aprisionar na mediocridade do eterno neófito, dispensando a oportunidade de ser a sua própria fonte de sabedoria.

      Devido a essa crença cética, vejo que novos tempos exigem novos "métodos". E a nova maneira de ensinar e aprender, nos dias atuais, é a de constatar "ao vivo e a cores" os sujeitos que estão avançando gradualmente na Consciência.

      Mestres iluminados encontravam-se a um abismo de distância dos "simples mortais". Criava-se - e ainda cria-se - um mito enorme e uma idolatração a eles, que não permite as pessoas de sentirem, ao menos, a vontade de chegar num mesmo nível. Poucos acreditavam conseguir, pois a disparidade, além de ser muita, dava a entender que levaria longos anos de vida para conseguir tal feito. O que é uma mentira. Sabedoria espiritual não tem relação alguma com experiência, tempo ou idade... Sabedoria tem a ver com sensibilidade e humildade do ser.

      Pra que a idolatria e "pedestais" sejam quebrados, é preciso a ajuda de pessoas que estejam firmes no caminho de mergulho no Ser. Não serão pessoas prontas, plenas, muito menos iluminadas; e é justamente esse o propósito da Vida: mostrar aos outros, na prática, o processo de Despertar da Consciência.

      Sim, a Vida quer dar provas de que é possível ao mais comum dos humanos. A Vida quer desmistificar a "Iluminação" ou a "Bem-aventurança", mostrando exemplos vivos no "subir da montanha".

      Não existirá mais relação guru e discípulo, e sim, irmão e irmão... Uns, com os passos um pouco mais à frente, outros um pouco atrás, mas sempre de mãos dadas. É esse o novo modo de desenvolvimento da conscientização.

      Mas pra que isso aconteça é necessário o abandono de AUTORIDADES, no que consiste o Despertar. É preciso acabar com o idealismo e a visão idólatra em relação a quem possui uma boa percepção das coisas. Precisamos, sim, de AMIGOS na caminhada... Mas amigos que incentive o potencial e a sabedoria de cada um; não amigos que compartilham os "decorebas" dos ensinamentos de gurus ou "papagueiam" seus dizeres.

      Os verdadeiros mestres de agora são aqueles que estimulam o emergir do mestre interno de cada um. Serão honestos e transparentes ao mostrar que possuem fraquezas como qualquer pessoa, porém terão maior sensibilidade e clareza em perceber o falso em tudo. Eles não dirão a ninguém o "como" fazer; não darão "receita de bolo" e nem conselhos de como a vida pode ficar melhor. Apenas indicarão o ponto cego de cada amigo e compartilharão suas vivências, pois a comprovação da paz e da liberdade será somente do próprio indivíduo.

      O mundo, hoje, é o renascimento dos BODISATVAS. 

      Eu, você e muitos outros seremos um, sem sentimento de vaidade ou prepotência alguma... Pelo contrário, não há estado de ser mais humilde e de renúncia pelo próximo como esse. 

      E acredite: você é um bodisatva em potencial, do qual o mundo necessita urgentemente. 


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