A SENSIBILIDADE E O ÊXTASE
Sinto-me muito acolhida pelas pessoas que já vivenciaram o que senti como êxtase espiritual e que entendem a minha maneira de ser.
É como se eu e elas estivéssemos acordando juntas e percebendo que somos a mesma essência consciente... A mesma energia se descobrindo diferente dos irmãos adormecidos, mesmo nos sabendo iguais. Portanto, sim, estamos em alternados estados de consciência e empatia, porque ora nos vemos como Consciência, ora reparamos na hipnose coletiva e a repelimos, como quem descobre que a corda que sempre nos agarramos é na realidade uma cobra venenosa. Mas faz parte do processo.
Percebi também que nesse processo há muitas maneiras de ser tocado pelo extraordinário, pela completude, pelo amor... A conexão pode ocorrer tanto pela dor como pela comoção de um bem maior.
No entanto, o êxtase de uma comoção só acontece a pessoas já bastante sensibilizadas pelas dores da vida... Àquelas que desde a infância conhecem bem o que seja o sofrimento, a solidão e o vazio.
Então, como sua trajetória foi de muitos momentos tristes e solitários, quando deparam-se com algo extremamente belo e magnífico à alma, são arrebatados pela plenitude espiritual. E nisso vem o extasiar da Graça.
Não quer dizer que todos os que sofreram de forma contínua serão tocados por esse sentimento. Dependerá da resposta de cada um perante às vicissitudes... Do quanto nos tornamos humildes ou, então, revoltados com a dor.
E mesmo que tenhamos sentido a transcendência, não significará que estaremos sempre humildes, abertos e em total renúncia. Porém nos dará maior estímulo e lucidez em caminhar rumo ao estado de amor pleno.
O que torna um alguém aberto a esse sentimento grandioso está diretamente ligado à rendição, ou seja, quando o seu ser já está calejado e quando não há mais luta e contrariedade ao sofrer. Você não se esforça para ter controle ou mesmo poder ser "feliz"; você compreende a situação e, à partir da compreensão, age de forma consciente, sábia e amorosa perante a vida.
Render-se não significa resignar-se. Render-se é aceitar sua limitação e, então, abrir-se para o desconhecido. E ainda que não consigamos isso frequentemente, a gradual renúncia vai ocorrendo àqueles que em algum dado momento sentiram o êxtase espiritual - caso estejam convencidos que nada mais no mundo os preencherá.
Não é o "como" ou o tipo de gatilho externo que possibilitará a vivência desse amor pleno. É o grau de sensibilidade de um sujeito e a sua simplicidade como personalidade que abrirá a conexão com esse estado superior de ser. Pois uma vez sensível, humilde e verdadeiro, qualquer evento emocionante, por mais insignificante pareça, lhe fará voltar a sentir unicidade, gratidão, devoção e generosidade.
Porém, não como mera imagem ou vontade mental (ego) de sentir e ser... E sim como um real e visceral sentimento de integração com o Todo.



Comentários
Postar um comentário