A VERDADEIRA FELICIDADE NUNCA MORRE

   


     As pessoas mentem. 

     É fato elas mentirem quase o tempo todo aos outros e, principalmente, a si mesmas...

      Mas existe algo muito mais frequente que a mentira: a total crença de que são ou foram felizes.

      Elas realmente acreditam que foram felizes um dia! Que a vida foi uma maravilha, realmente bela e VERDADEIRA! Confundem ilusões efêmeras prazerosas em felicidade real e genuína!

      Não que não tiveram lá seus momentos eufóricos, de entusiasmo momentâneo, de empolgação pelo novo... MAS TEREM SIDO FELIZES?? Ah... Para... 

      Eu não consigo entender a cabeça de alguém que acredita ser possível existir felicidade e amor no falso, na enganação, no teatro...

      Felicidade e Amor só existem na Verdade... Mas tudo bem. Ninguém sabe o que é verdadeiro dentro de si e na vida, imagina então saber o que seja Verdade.

      Caraca! É incrível a cegueira alheia. É incrível a valorização de máscaras, poses, fachadas, superficialismos...

      Parece que quanto mais eu percebo tudo o que seja artificial, mais o sentimento do que seja Real fica claro. E justamente por isso vem a indignação do que os outros consideram como feliz ou bom. É como uma espécie de insulto à Verdade!

      É como nivelar o que seja verdadeiro a amenidades. Mas às amenidades insossas, sem graça, sem vida, sem paixão! 

      Nessas horas eu constato que as pessoas em geral não sabem o mínimo do que seja felicidade simplesmente porque nunca a sentiram de fato.

      E sabe porque não sabem ou sentiram? Porque associam felicidade com ACONTECIMENTOS OU EXPERIÊNCIAS de vida; não ao sentir-se autêntico.

      Felicidade é viver o verdadeiro Ser, apenas isso. Pois sendo Ser, não importa o que aconteça na vida de ruim, você está centrado Nele - no seu Coração.

      Por isso digo que buscar a Verdade por querer alegria, paz, amor, bem-estar, não está levando-o à Verdade; pois Verdade é Ser e Ser é felicidade... E o que é Ser? É ser o Ser - simplesmente isso. 

      Sabe a Consciência de estar cada vez mais integrado? Sim, cada vez, pois o descobrimento é gradual na maioria.

      Eu não fico indignada com as pessoas em si; fico indignada com a crença no falso, no morto, no sem sentido como algo de valoroso. Ser grato pelo que vivemos, vá lá... Mas acreditar que vivenciamos coisas profundas de alma? Ou que é legítimo, mas que infelizmente as coisas passam ou mudam? Muitas coisas mudam, mas nunca a Verdade em nós.

      Sabe o que agradeço do meu passado? Agradeço que tenha sido falso, pra que eu descobrisse o verdadeiro. No falso há prazer, mas exatamente por haver o prazer, há também dor. No real há também prazer e dor, mas a diferença é que há, mais do que nunca, a felicidade, que em nada tem a ver com o que conhecemos ou podemos explicar. 

      No entanto, eu tento explicar: Felicidade é ser o Ser - e sendo o Ser, sentir dor ou prazer não importa mais. Não falo de ter apatia e nem de indiferença, mas sim de irredutível centramento em si ou uma confiança inabalável.

      Caiu no fundo do poço? Você se levanta, sobe e sai, pois já sabe quem você é. Devastaram sua vida? Você recomeça sem dar satisfação à cobrança dos outros e segue, pois já sabe quem você é. Fez uma p*ta burrada? Você se arrepende, volta atrás e tenta de novo, pois já sabe quem você é.

      E ainda que o desespero muitas vezes nos alcance, ele não mais nos domina completamente, porque já sabemos quem somos.

      Experiências, circunstâncias, vivências são dores e prazeres passageiros. 

      Já felicidade é algo que só quem vive ou viveu o Ser sabe o que é.

      E se você sabe o que é, também sabe que tudo o que é falso torna-se enfadonho - se é que não foi desde o começo e você apenas tentou mentir pra si mesmo...

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