A TRISTEZA E O MUNDO
Confesso: tenho um hábito inconsciente (não mais) de dizer "Graças a Deus!".
Era uma maneira de expressar um "Que bom!" ou "Ainda bem!".
Não percebia esse condicionamento no linguajar, mas agora percebendo, digo: GRAÇAS A DEUS! em alto e bom som.
É agora consciente, que a frase ganha um real sentido. Qual sentido?
O de que graças à Fonte, à Verdade, ao Amor, ao Criador, ao Todo ou à Consciência Suprema, eu existo e estou despertando. Graças a Deus Eu Sou Graça e todos nós somos... Graças a Deus SINTO Graça... Logo, sou GRATA.
Incrível como a Vida orquestra as sincronicidades na hora certa... É incrível os sinais, apesar de sutis, de que o meu aviso do padrão de desumanização que estão implantando tem realmente fundamento.
Você já deve ter sentido tristeza, não é mesmo? E mesmo que o mundo condene a emoção, não há como escapar dela - uma hora ou outra ela sempre nos encontra. Não acho que devamos cultuar a tristeza; só acho que não deveríamos fugir ou tentar a todo custo evitá-la quando ela acontece. Porém, além dessa emoção pessoal, existe um outro tipo de tristeza...
Algum dia na sua vida, você já sentiu dentro de si a dor e a tristeza do mundo? Uma dor extremamente profunda e aguda pela "miséria" e decadência da humanidade? Já sentiu essa imensa tristeza, não por algo particular seu, mas pela desgraça da maioria da população?
Eu já, e acabo de sentir isso agora... De ter crise de choro e tudo. Talvez já tivesse sentido outras vezes, mas não tão intenso. Percebo que quanto mais conscientes ficamos de quem somos, mais a ligação emocional com a coletividade aumenta.
Aconteceu por um simples fato corriqueiro que a maioria considera bobo ou ridículo: assistindo um filme - mais precisamente um desenho. O que exatamente ocorreu eu não sei explicar; apenas sei que tocou no fundo da alma em uma ferida coletiva. Uma grande ferida aberta e dolorosa...
O surpreendente foi ter assistido duas animações, uma seguida da outra, concorrentes do mesmo Oscar, sendo que fui perceber a coincidência só depois. E o mais divertido: uma falando sobre a aceitação da tristeza e a outra sobre a própria realidade triste do mundo.
O primeiro desenho foi "Divertida mente" e o segundo foi "O menino e o mundo". Gostei muito dos dois, mas sinceramente, o "brasuca" (segundo) mexeu mais comigo.
É um desenho crítico e triste, mas que normalmente não causa grande impacto emocional nas pessoas - acredito eu - como aconteceu comigo. Com certeza existem animações muito mais dramáticas, melancólicas e tal... Mas ele acertou num ponto meu do qual eu já estava psicologicamente envolvida, que é a tal constatação de sermos todos escravos e prisioneiros de um sistema.
E ainda que eu tivesse essa informação já há uns sete anos, é de um tempinho pra cá que venho sentindo um companheirismo de alma com pessoas que estão extremamente cansadas de viver como gado e que já não aguentam mais ser exploradas. O desenho mostra tão bem isso e o quanto nossas vidas são medíocres, degradantes e sem sentido, que não tem como os que estão acordando não se emocionarem.
Doeu dilaceradamente o meu coração - mais ainda depois de constatar quem era o menininho. (Acredito que muitos nem entenderam isso).
Após uma mensagem como essa, eu me pergunto: "Como ainda ser insensível ao sofrimento alheio? Como julgar, criticar ou condenar as pessoas - a maioria em sua inconsciência - se estamos todos no mesmo barco furado?"
Precisamos mesmo sofrer como escravos? Tem certeza absoluta que é carma? Acha mesmo que é merecimento? Se é ou não, eu não posso saber... Mas independentemente disso, não consigo mais ser indiferente à dor humana e dizer simplesmente que cada um é RESPONSÁVEL pelo o que tem.
Fazemos besteiras? Sim, fazemos. Somos imaturos? Sim, somos. Somos moralmente ignorantes? Sim, muito. Mas percebe que a maior parte da população não tem nem condições de desenvolver caráter moral e refletir sobre a vida ou sobre si? A única coisa que lhes resta é SOBREVIVER e ter o que comer. E não preciso nem falar dos mais miseráveis, posso falar de muita gente classe-média que passa de oito a doze horas enfurnada num escritório, pensando só em como pagar todas as contas.
Fácil também dizer que as pessoas querem isso... Será que elas querem ou ACREDITAM QUE QUEREM?
O que estou apontando não tem nada a ver com ideologia política A ou B. Isso não tem nada com defender os pobres, trabalhadores, operários, flagelados, etc. Tem a ver com a essencial condição humana que é completamente envenenada, distorcida, sabotada para viver ao bel prazer de poucos, porém, todos achando ser livres e "felizes".
Existe um paradoxo em se sentir a tristeza da humanidade: a alegria de SENTIR essa tristeza. A mim é um alívio saber que tenho empatia e que sinto a dor do próximo. Não é uma tristeza que colabora com o sofrer, mas uma tristeza que se comove e sente-se mais próximo do outro; sente-se mais fraterno. É um sentimento que desarma a mente e nos faz voltar a ser mais humildes, quando o orgulho frequentemente nos toma.
E ainda que eu metralhe egos narcisistas ou suas meias verdades nocivas, nessas horas até mesmo esses tornam-se parte da nossa Grande Família sabotada e os passo a ver como a todos nós: vítimas de vítimas de vítimas... Desde criança. E pro bom entendedor, sabe-se que o sentido de vítima, aqui no caso, é o de que não há como ser culpado de condicionamentos que ninguém tinha a mínima consciência de ter. Como responsabilizar o prepotente de sua prepotência se ele nem sabe quem é?
Por isso dê GRAÇAS A DEUS por sentir tristeza e se perceber aprisionado...
Pois é ela que o faz sensível à dor do outro e permite sentir Compaixão e Gratidão, mesmo nas condições desumanas das quais ainda vivemos.



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