A BANDEIRA DO SECTARISMO
Olá Paredes!
Vim conversar com vocês, pois são as únicas que me entendem, já que não falo a língua dos homens.
Outra "coincidência" incrível aconteceu comigo: assisti um filme, em que o cenário era a época da Segunda Guerra e no meio do enredo mostrava o preconceito - que nunca deixa de ser generalizado - com os japoneses pelos americanos, por serem inimigos. O nome do filme é "Little Boy".
Claro que isso ocorreu com qualquer povo envolvido na guerra, dentro de um país considerado rival... Inclusive aqui no Brasil, onde os japoneses eram presos, esculachados e também proibidos de falarem sua língua natal. Não sei como foi com os alemães e italianos, mas acredito que tenha sido o mesmo.
Por mais que queiramos justificar com a infeliz frase feita "Guerra é guerra", são os inocentes os mais prejudicados nessa imbecilidade humana.
E por que digo que foi uma coincidência?
Simplesmente porque começo a observar generalizações, falsas acusações e partidarismos ferrenhos no meio social brasileiro. Sim, GENERALIZAÇÕES.
Desde 2014, é que de fato o país começou a se dividir, mas percebo, agora, uma perigosa tendência nascendo: as facções extremistas.
Os socialistas não se preocupam em esconder seu fanatismo ideológico; o que faz com que o resto do mundo os odeie. No entanto, me parece que alguns de "direita" começaram com uma espécie de policiamento do que é ser isso ou aquilo, que se você tiver um ideal ou sonho de mudança, você já pode ser considerado um comunista.
Outros, até também o rotulam de socialista pelo fato de ainda achar que o país precise de líderes e algumas leis necessárias para uma certa ordem. Acham que não há como desejar uma coisa e outra ao mesmo tempo, pois a coisa tem que ser "oito ou oitenta".
A mente das pessoas funciona nesse aspecto: ou você é isso ou não é. E se caso ponderarmos as coisas, somos imediatamente taxados de "isentão" ou então de "ficar em cima do muro".
Desde o começo dessa discussão política, minha opinião era clara: MEU POSICIONAMENTO É DE BASE MORAL, ou seja, tudo o que for antiético ou prejudicial, independentemente de ideologia, forma de governo ou sistema social, eu seria contra.
E o Comunismo sempre se mostrou antiético em seus meios e fins, mascarado de "Madre Tereza". Sua ideologia é manipuladora e uma farsa das mais perversas.
Porém, eu nunca me rotulei como de "direita conservadora". Expliquei em outros textos e volto a explicar: eu sou a favor de se conservar OS VALORES do ser humano, que são suas virtudes e uma consciência moral elevada; mas minha alma é extremamente revolucionária e aspiro por um mundo LIVRE DA ESCRAVIDÃO desse Sistema que não nos faz humanos, mas sim, máquinas sem sentimento algum.
Ora, tem alguma contradição querer preservar os valores e as virtudes humanas e ao mesmo tempo querer um mundo mais justo e sem essa vida imunda de guerras e competições? Eu tenho o direito de aspirar por um mundo assim e fazer o melhor pra isso, ainda que os outros digam o tempo todo que é UTOPIA e que precisamos ser PRAGMÁTICOS.
Ser idealista virou crime, porque agora somos taxados de socialistas. Pensar no bem de todos virou crime, porque isso é ser comunista. Querer um mundo totalmente novo é crime porque isso é ser um traidor das tradições.
O mesmo aconteceu na Segunda Guerra, pois era crime ser quem você era: japonês, judeu, italiano, etc. E vai saber se daqui pra frente ser muçulmano (não-extremista), budista, umbandista, místico também não venha ser motivo pra ser perseguido?
Assim como os cristãos são perseguidos em muitos lugares, poderá acontecer com outros de religiões diferentes e com os ateus (coisa que já acontece e aconteceu, na verdade, em maior ou menor grau).
É dessa GENERALIZAÇÃO pré-concebida que eu tento alertar, mas muitos só se preocupam em lhe enquadrar num grupo, sendo que, ironicamente, abominam qualquer tipo de coletivismo. Eu sei que os grupos são naturais em existir, mas é preciso perceber que O CONCEITO OU CRENÇA que cada grupo defende está sempre acima da INDIVIDUAL CONSCIÊNCIA de cada um, criando padrões, dogmas e discriminações.
Um indivíduo pode ter muito conhecimento, mas se não tiver Consciência ou Sabedoria, ele poderá, sem perceber, formar facções, pois grande parte de seus companheiros não terá discernimento em saber o que é real do que é tendencioso ou distorcido, julgando os outros de acordo com o que lhe aparenta. As injustiças surgem daí.
Quando Buda e outros mestres do oriente falam que todo o sofrimento humano surge dos desejos e dos apegos (paixões), eles não estão só se referindo aos apegos materiais e carnais... Eles estão, principalmente, se referindo aos apegos conceituais.
Se aferrar com unhas e dentes numa crença ou numa linha de pensamento, por mais correta se ache ser, cria todo um sistema de conflito e separação. Não é que tenhamos que deixar de acreditar e de nos posicionar de forma adequada em algum conceito. O problema é querer impor aos outros suas ideias e rechaçar ou agredir todos os que pensem diferente.
Mesmo no quesito "moral" nunca devemos impor nada, mas penso apenas que devemos alertar os outros assim que possível. Mas alertar no sentido de tentarmos nos fazer entendidos e não os assediarmos moralmente.
Enquanto não "cair a ficha" de que as paixões conceituais é o que gera todo tipo de atrito e o que nos torna cada vez mais sádicos e insensíveis com aqueles que pensam diferente, o ser humano se autodestruirá logo, logo.
Não importa a ideologia, o método, a crença, a filosofia, a cultura, o governo... A raiz de todo mal é a inconsciência de si (de cada um de nós) e consequentemente todos os atos insanos, cruéis e primitivos, disso.
Um indivíduo, por mais que siga uma filosofia ditada por um gênio ou santo, ainda não alcançará o seu verdadeiro Ser, pois não será uma ação genuína e pura dele mesmo. Será sempre uma imitação. E mesmo que tenhamos bons exemplos a seguir e a nos inspirar (o que não é um erro), agiremos ainda sem espontaneidade (inocência).
É nesse contato com a nossa Essência, que começamos a perceber e discernir o real do falso e a não mais nos ROTULAR em "partidos", "bandeiras" ou ideologias. Isso porque a Verdade e a autêntica moral não se enquadra em nenhum "dogma" ou linha intelectual.
Sem que haja TRANSCENDÊNCIA não pode haver contato com a Verdade. Tudo será uma tendência padronizada e meias verdades provindas dos condicionamentos mentais.
E ao sermos escravos desses condicionamentos, nos fará eternamente seres COLETIVOS tentando combater outro coletivo, portanto, nunca verdadeiramente individuais.
Ainda que o mundo tente me "encaixotar" num pensamento padronizado, eu seguirei a minha Consciência, sendo sempre ponderada e questionadora.
Em toda guerra, os inocentes pagam por suas vidas só pelo fato de serem quem eles são. Em todo autoritarismo e preconceito, os autênticos pagam por serem quem eles querem ser.
O Brasil pode não ser uma ditadura, mas com certeza já é autoritário. Ele ainda não caiu numa guerra civil, mas com certeza já é sectário.



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