O ESTOPIM DA REVOLUÇÃO
Lembro-me que em algumas vezes das quais me encontrava numa fila de banco, ou dentro de um ônibus ou do metrô, eu observava as faces cansadas, apáticas e "narcotizadas" das pessoas. Claro, eu também era uma delas...
Pensava comigo: "Essas pessoas estão cada vez mais indiferentes, preocupadas consigo mesmas e com seus mundinhos, alheias a tudo e a todos ao redor... Até o dia em que uma tragédia coletiva aconteça (acidente, assalto, sequestro, etc.), envolvendo a muitos num único lugar como a esse".
Quando ocorre um "mal" sobre várias pessoas, surge um sentimento de união e fraternidade, mesmo que seja provocado por um medo, uma tristeza ou uma raiva.
É assim que as coisas ainda funcionam, infelizmente.
Mas felizmente, a dor em comum desperta as pessoas a uma mudança positiva e a uma reunião de potenciais. Podemos passar por grandes conflitos, crises e dificuldades, porém teremos que enfrentá-los se quisermos uma sociedade mais justa e honesta, dentro do possível.
Devemos, de certa forma, "agradecer" ao desespero e ao tiro no pé do "Governo".
É à partir desse insulto descarado ao povo é que a unidade em sentimento cria a força necessária para uma mudança efetiva. Bem, na verdade, estou a falar num sentido exteriorizado da situação, pois na minha visão somente existirá a MUDANÇA REAL quando uma parcela suficiente de pessoas mudarem internamente. Realidade distante? Não sei.
No entanto, vejo essa reação popular como um sinal de que ao menos os indivíduos estão saindo de um estado anestésico e se percebendo como a reféns, dentro de um gigante banco (Brasil) a ser assaltado.
Numa circunstância dessas, as divergências conceituais e culturais ficam pra trás.
O que está acontecendo conosco é que está aflorando finalmente o sentimento de HONRA e DIGNIDADE, que até então, eu mencionava não existir na maioria dos ocidentais.
Não é nem questão de orgulho patriótico... Vai além disso. Seria uma dignidade de amor-próprio que consequentemente traz amor pelos nossos semelhantes. E quem se ama não permite que pessoas imorais e indignas continuem a lhe prejudicar e fazer de trouxa.
O medo dos políticos, da mídia, dos ideólogos é justamente dessa honradez que o povo brasileiro hoje sente. Eles têm medo de uma autonomia da população. O "adolescente" está amadurecendo e tornando-se "adulto"; portanto, já não conseguem ter mais controle.
Estávamos indignados e cansados de tanto abuso, mas foi preciso um único sujeito corrupto, cínico e covarde a nos tentar colocar mais uma vez no papel de palhaços, para alavancar o espírito coletivo do autorrespeito.
À partir de agora, esse respeito se tornará, cada vez mais, uma exigência global humana.
Pode ser que o Brasil seja, neste momento, o exemplo de uma TOTAL REFORMULAÇÃO SOCIAL aos olhos do mundo. Isso se tivermos CABEÇA E CORAÇÃO trabalhando juntos para que o povo possa finalmente vir a ser o verdadeiro comandante do bem em comum.
Talvez a questão não seja mais de reformas, de fato, mas sim de um novo começo, iniciado de baixo (pequeno) para cima (grande). Somos nós que sustentamos a "pirâmide", não os que estão no alto. E se nós não mais sustentarmos, o que acontece com o topo dela?
A "Independência Brasileira" pode estar prestes a começar agora, ainda que a primeira tenha nos "libertado" dos portugueses.
Acredito muito mais numa independência da Alma dos instintos primitivos do homem, pois essa é que nos faz realmente livres... Porém, não desprezo o movimento humano à tentativa bem intencionada de se sair do buraco. Antes reagir do que morrer calado.
Nós estamos amadurecendo... Estamos despertando.
A Revolução já está em andamento.
Basta apenas estarmos atentos para que no lugar dos "ratos" não entrem os "porcos" no poder da nação.



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