EM "BUSCA" DO SER ÍNTEGRO

      


      (Texto indicado à espiritualistas)

      Uma elevada Consciência, como a uma visão clara ou percepção mais ampla, não necessariamente corresponde a uma Plenitude do Ser ou a chamada "Iluminação".

      Ser um indivíduo pleno seria estar completo, ou seja, transcendido completamente do estado egoico do homem - e de seus mecanismos de perpetuação - , não mais dependente ou à mercê das condicionalidades do mundo.

      O termo "não mais dependente", no caso, se refere a um sentido sensorial e psicológico das coisas, e não a nossa dependência física-biológica necessária ao viver.

      Os prazeres sensoriais e emocionais são essenciais ao bem-estar do ser humano, mas é o apego ou a dependência a eles que nos torna limitados quanto a elevação de Consciência e à Plenitude.

      Um ser pleno já superou todas as dependências, por isso é verdadeiramente livre. Ele ainda sentirá todos os prazeres, só que de forma pura e sublime; não mais profana e instintiva.

      Além disso, esse indivíduo, quando desprovido de prazeres psicológicos e dos sentidos, não se sentirá mal, pois compreenderá (e sentirá) o significado mais profundo e até belo da ausência e da dor.

      O enxergar e compreender essa profundidade independe de se estar pleno. Não quer dizer que a compreensão seja apenas no nível teórico ou mental, mas sim que em algumas ocasiões já se tenha vivenciado essa autossuficiência da Alma; ou seja, já se conhece o real para se descartar o falso.

      No entanto, o que ocorre com esses que enxergam, é que o "enraizamento" nesse estado de ser autossuficiente, ainda não está firme e estável. Na maior parte das vezes, essa "raiz" se rompe, e então, ficamos vulneráveis aos ventos e às chuvas.

      É um processo contínuo de nos "replantar", desviando-nos sempre das pedras e das ervas-daninhas. Isso não é nenhum tipo de "falsa Iluminação", como muitos interpretam, e sim um "despertar" do que somos, sem ainda sermos totalmente o que somos.

      Porém, mais uma vez ressaltando, isso não nos impede de enxergarmos mais claro e amplo.

      Quero expor algo que venho percebendo, de uns tempos pra cá, que é a questão do processo espiritual ou de integração de cada um...

      Assim como uma pessoa mundana e materialista está no seu processo de sutilização e completude, podem existir pessoas sutis precisando "enraizar-se" na materialidade, pois essas também estão num processo de completude. Conclusão: os dois tipos não estão plenos e integrados.

      Aqui não estou rotulando que um é superior ao outro, mas que são DIFERENTES no seu processo e na sua função.

      Sinto, honestamente, que o meu caso seja o processo de "enraizamento ou ancoramento". Nunca tive o sentimento de pertencimento à nada neste mundo. Ainda que sinta prazeres como todos, nunca foi algo primordial, desde a pré-adolescência, na qual minha mente já era extremamente abstrata. Meu prazer se encontrava (e se encontra) mais na ESSÊNCIA das coisas, ou seja, no que está implícito nelas.

      Minha incompletude estaria, então, nas questões mais densas humanas.

      Para quem entende de chakras (ou acredita), fica mais fácil de visualizar isso que estou dizendo. Seria como ter os chakras superiores - laríngeo, frontal e coronário - mais ativos do que os chakras básicos, que estão ligados à parte física e emocional humana. Sou diferente da maioria porque a minha "falta" é contrária da delas, que possuem o potencial espiritual atrofiado.

      Penso que a Plenitude seja a integração dessas energias básicas humanas com as mais sutis, nos tornando seres sábios e objetivos.

      Para me integrar, no entanto, não quer dizer que eu precise ser uma pessoa mais "egoísta". Esse conceito é equivocado. É preciso, sim, que eu "aterrisse" em  uma pista que me dê as condições necessárias pra trazer ao mundo terreno essa Consciência ou esse mental superior da qual tenho acesso. É integrar essa visão ampla a uma função que dê um auxílio às pessoas de forma geral.

      O mental concreto ou o racional nunca será algo assertivo, confiável ou efetivo na potencialidade, caso trabalhe sozinho. Já a Consciência necessita de meios concretos para se fazer útil e acessível. Era essa a "luz no final do túnel" que estava avistando, a que me referi no outro texto.

      É exatamente por isso que o autoconhecimento é IMPRESCINDÍVEL nessa integração de potenciais, pois é ele que nos "ancora" no chão e também nos "eleva" a percepção. 

      O autoconhecimento é o elo de ligação entre o céu e a terra.

      O "enraizamento" dos indivíduos sutis só acontece quando, esses, descobrem seu propósito de vida (missão); e pra isso é necessário se perceberem.

      Do mesmo modo, aos que sentem o chamado para o processo espiritual, é preciso renúncia de suas paixões sensoriais, psicológicas e intelectuais. Mas também precisam observá-las e encará-las (com a cara e a coragem) como obstáculos.

      Não importa qual seja o seu processo, se de "subida" ou de "descida"; a incompletude é a mesma. 

      O importante é ter consciência dela, pra que se possa ter a Plena Consciência.



      

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