A MORAL DO CORAÇÃO



      A moral é relativa?

      A grande questão que nunca quer calar...

      Tudo o que provém da razão (e emoção) humana é relativo. Se você acredita em A, B estará errado; se você acredita em B, A será ruim.

      Nossos conceitos de "certo e errado" nascem da cultura e das crenças.

      Quando acreditamos que a "nobreza" rouba os pobres, Robin Hood está sendo justo, portanto, certo. Quando acreditamos que o povo é ignorante e merecedor de miséria, achamos que o Sistema está correto, como se este fosse um "doutrinador".

      Não quero, aqui, julgar quais dessas duas crenças está certa... Não é essa a intenção do texto. O que eu pretendo é apontar a uma verdadeira moral, que está além do que nos foi ensinado ou do que lemos de filósofos, religiosos ou gurus.

      Claro que muitos desses filósofos, religiosos e gurus podem ter apontado à Verdade Maior, que está além dos nossos conceitos culturais. Mas - além de nenhum ser humano conseguir abarcar toda a Verdade em si por mais Iluminado que seja - poderá existir, na maioria dos casos, uma maçã podre no meio das boas.

      O que quero dizer é que em meio a várias verdades, há algumas mentiras que desvirtuam todo o contexto de um ensinamento moral-espiritual ou de uma filosofia. E é esse o maior engodo do qual quase ninguém percebe.

      Caímos feitos patinhos em ideologias, crenças religiosas e morais, muitas delas até bem intencionadas, porém contaminadas pelo desejo egoico de poder e prazer.

      Usamos qualquer tipo de conceito para nos sentirmos seguros e aceitos em um meio em comum. Não é que não acreditemos no conceito aprendido, mas o usamos (inconscientemente) para nos fortalecermos numa identificação grupal, e geralmente entregamos nossa autonomia a um mentor.

       A maioria das pessoas tende a se enquadrar num grupo específico, adquirindo um comportamento uniforme, seguindo ideologias perniciosas, religiões aprisionantes e crenças ou descrenças que preconceituam e separam o humano um do outro.

      Ser individual é raro, pois isso requer resistência quanto à rejeições, críticas e exclusões. O que todo mundo quer é ser aceito e aplaudido, mesmo que tal "bom" comportamento fira os nossos princípios, ou pior ainda, ao nosso Coração.

      Sim, o Coração... Aquele "sujeito" menosprezado, ridicularizado e diminuído a um mero sentimentalismo piegas...

      Quando me refiro ao Coração, não estou mencionando à emoções afetivas, mas sim a nossa sensibilidade inata que distingue a verdadeira moral que transcende os conceitos.

      Também não estou falando do nosso órgão localizado ao lado esquerdo do peito... Estou falando de uma inteligência amorosa que naturalmente sabe discernir o que é mais apropriado a nós mesmos e aos outros.

      O grande problema é que essa sensibilidade foi perdida, exatamente porque os conceitos criados atropelaram a natureza humana. O que seria para ser claro passou a ser confuso e deturpado. As necessidades "desnecessárias" do ego pisaram no Coração, matando a habilidade em se saber o que de fato nos beneficia.

      O que as pessoas acreditam ser benéfico, em geral, é algo relacionado à satisfação egoica de um indivíduo, e não a sua elevação moral-espiritual. O parâmetro da maioria é o quanto de prazer ele ganhará, e não exatamente a sua real libertação e felicidade.

      Ao dizer que FELICIDADE NÃO É PRAZER, não estou dizendo que o prazer não faça parte da felicidade; no entanto, não é ele a causa dela. Por isso mesmo, é que a real felicidade só poderá vir através da transcendência dos prazeres sensoriais e psicológicos; nunca ao contrário. É desse desapego que vem a verdadeira moral.

      Também, não é por isso que devemos esquecer o desenvolvimento externo e material do mundo, no sentido de não colaborarmos por um sistema mais justo, próspero e livre. Há de se ter equilíbrio entre as duas coisas. O que sou contra, é de ter a ambição como prioridade, antes da ética. Pensar que o lucro, mesmo que não se roube ou mate, é o maior valor a ser perseguido, se está a contribuir com um mundo cada vez mais mesquinho e insensível : "Foda-se o oportunismo, o que vale é eu ganhar dinheiro". E mesmo que se pense no desenvolvimento de um país em que a economia vem antes da ética, o que se cria é um pseudo-desenvolvimento no qual as relações humanas são somente trocas de interesses e nada mais. A psicopatia nasce daí...

      Pode ser que os indivíduos "aprendam" com o sofrimento (erro), mas uma sociedade somente poderá ser livre quando uma grande parte dela já não mais precisar se pautar por ele; ou seja, quando DESPERTAR para a moral do Coração (não da mente).

      E ao despertar para ela, você terá maior responsabilidade, não apenas consigo mesmo, mas com o Todo. A moral do Coração não será imposta, mas quem a possui como guia, terá uma ação (meio involuntária) de alertar as pessoas do que as prejudica e do que as faz bem num contexto coletivo. Enxergar o mal e ficar calado é omissão de "socorro".

      Muitos podem pensar que um indivíduo só se corrige sozinho e errando. Eu até acredito que sim... Porém, o problema nos dias atuais, é que muito do que é extremamente prejudicial, primitivo e aprisionante, nos é ensinado há décadas que é correto e bom. O discernimento das pessoas está atrofiado e elas acham que tudo o que libera o homem no sentido dos prazeres é CERTO E LOUVÁVEL.

      A "obrigação" (responsabilidade) daqueles que enxergam o falso e o interesse perverso de alguns é a de alertar a INVERSÃO DE VALORES. 

      Mas, a questão é que muitos acham que esse alerta é provindo de um dogma moralista religioso, sendo que é a PERCEPÇÃO do Coração que é inerentemente PURO em nós. Pureza, essa, que também virou lenda e quase ninguém acredita mais existir...

      Portanto, quando digo que a imoralidade sexual, a liberalização das drogas, a descriminalização do aborto, as militâncias cheias de ódio, etc., são incentivos à NORMATIZAÇÃO de comportamentos doentios que destroem a sociedade e causam o caos, simplesmente estou enxergando o óbvio, e não seguindo preceitos religiosos ou sendo preconceituosa. A inversão de valores quer que sejamos escravos de nossos instintos e os usemos de pretexto para nos livrar da culpa e da responsabilidade que temos em relação aos nossos semelhantes. Essa subversão nos quer como à crianças mimadas e birrentas.

      Exigir direitos em prol de instintos primários é estar totalmente insensível e contra a quem somos de verdade e à Verdade. 

      Ter qualquer coisa à frente da moral do Coração é estar como a um Ser embrutecido e imaturo. 

      Então, eu me pergunto: "De que adianta um mundo materialmente melhor e mais "justo" se o povo gradualmente se autodestruirá por causa do seu egoísmo e do apego aos prazeres (desejos)?"

      Podemos, sim, simultaneamente construir uma sociedade melhor e mais justa com o nosso aprimoramento interno... Mas nunca sem ele.

      A moral conceitual é relativa, mas a do Coração, universal.

      Despertemos para QUEM SOMOS de verdade, pra que o discernimento e a responsabilidade venham a ser as habilidades naturais do ser humano.

      Talvez com isso, consigamos não mais causar sofrimento a nós mesmos e aos outros, e também alcançar a felicidade plena que não necessita exclusivamente de buscas externas... Não mais compraremos gato por lebre...

      Entretanto, pra que isso aconteça, será necessário a Mente se render ao Coração.

      Pois é Ele, Coração, o nosso real e mais sábio mestre.



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