O SINGELO ABRIR DOS OLHOS
Algo "me" ocorreu, neste momento.
E quando algo "me" ocorre, sinto necessidade em escrever de imediato, pra que a coisa não escape.
Fiquei refletindo uns assuntos e veio um insight pra que questionemos alguns conceitos. Portanto, aviso: é um tema mais voltado para os verdadeiros filósofos, espiritualistas, pensadores e meditadores.
Faço esse aviso, porque é um assunto de grande complexidade e abstração. Aqueles que não entendem ou mesmo não estão acostumados com o tema, poderão ficar a ver navios ou achar papo de louco.
O que vou dizer aqui, não é uma crítica, mas uma observação a mim mesma, quanto também aos outros. É algo que sempre "me" vejo caindo, assim como os companheiros de jornada, nesse encontro com a Verdade.
Por isso, é um questionamento e não uma acusação ou julgamento. Foram duas coisas distintas, porém integrativas.
O que veio foi o seguinte:
Primeiro insight: o mundo em si, convenhamos, é sujo, pesado, feio, mentiroso, perverso, ganancioso, trapaceiro, pervertido, odioso... Estou a falar da sociedade humana. Quem não consegue enxergar isso, está extremamente hipnotizado, dopado ou anestesiado nele; e assim, prisioneiro.
Já a VIDA humana em si, esta sim, é bela, abençoada, sublime, sagrada, generosa, amorosa, maravilhosa, instigante, mágica...
Isso é transcender; ou seja, enxergar e encarar o detestável para encontrar o adorável e louvável. Essa é a diferença de se viver a Verdade, e não apenas querer ver tudo e a todos com bons olhos.
Quando atingimos um estado transcendente, dependendo do grau, podemos não mais REAGIR às vicissitudes da vida, porém isso não quer dizer que não mais enxerguemos aquilo que nos destrói, e não queiramos nos apartar ou nos posicionar diante disso.
Do mesmo modo, não quer dizer que não possamos AGIR para PROTEGER nossa integridade física ou psicológica, ou então, que não sentiremos mais emoções consideradas negativas.
Honrar e ter cuidado com o personagem "ego" (corpo, mente, emoção), é estar apegado ou identificado com ele?
Qual seria o limite entre a identificação (defensiva ou melindre), e o devido respeito e dignidade consigo mesmo?
Há uma diferença da raiva egoica daquela raiva geradora de energia alavancadora (da raiva destrutiva da raiva construtiva)? Ou não existe raiva construtiva?
Um ser iluminado nunca se zanga? E quando se zanga, qual a motivação da sua raiva? Não seria um posicionamento diante do falso (ilusão) ou de um abuso sobre o coletivo?
Faço essas perguntas a mim mesma, porque eu ainda me perco em autocondenação ou repressão de certas emoções. Talvez isso aconteça porque sentir raiva não é algo agradável, além de ferir os outros.
Mas se for analisar, em algumas ocasiões, foi ela que me deu impulso para sair da submissão, me posicionou perante às pessoas, adquirindo com isso respeito, atenção e até mesmo admiração delas.
Será que quando não sentimos indignação é porque realmente estamos purificados ou estamos apenas apáticos diante à ignorância alheia? É outra pergunta que me faço, pois depressão pode ser muitas vezes confundida com equanimidade emocional.
Voltando a essa questão do mundo, não é que não existam coisas boas, interessantes e úteis nessa sociedade humana. Existem e eu as enxergo muito bem e valorizo.
No entanto, transcender é ENXERGAR ALÉM do bom e do ruim do mundo, sem transformar o ruim em bom ou vice-versa. Pois é a vida é que é bela por ser desafiadora, e não, exatamente, o mundo.
E mesmo sentindo essa beleza e imensidão da Vida, não é que as coisas tornam-se todas bonitas, agradáveis, alegres... O que ocorre é que tudo começa a ter um novo SENTIDO, ou seja, as coisas meramente mundanas passam a ter um significado maior dentro desse necessário processo de desenvolvimento.
Segundo insight: admito não estar desapegada ou desidentificada de tudo. Mas mesmo que estivesse, seria um estado de não-verbalização, pois uma vez isso afirmado, automaticamente já não seria mais a Consciência Pura se manifestando, e sim o personagem "ego" a tomar o fato como SUA PRÓPRIA experiência alcançada.
O "ego" está sempre a se apropriar da elevação como a um mérito dele próprio, sendo que é a Consciência que gradualmente alcança níveis mais elevados de lucidez e libertação. Estou sempre caindo na dele, como a maioria das pessoas.
O autoconhecimento é imprescindível para o alcance da Verdade, mas será que é o "ego" a conhecer ou é a Consciência que através dele está se percebendo?
Se é Ela (Consciência) que se utiliza do "ego" (mente) para se reconhecer, onde está o mérito ou esforço dele?
Portanto Ela observa o seu próprio despertar, mas não pode dizer "eu consegui isso" ou então "eu não mais ajo de tal forma porque alcancei tal posição". Quem diz isso é sempre o nosso ego.
A Consciência apenas constata os fatos como a um simples e natural abrir de olhos, mas não julga como a uma vitória. Somente agradece a oportunidade de acordar em nós.
Ela, através de mim, enxerga isso e "me" faz escrever. Mas admito: eu não sou Ela...
É Ela que me é, sem que eu mesma ache isso.
Deu nó? Faz parte...
Permita-se apenas abrir os olhos. A Consciência é que irá enxergar.



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