OS EXTREMISTAS NÃO SE ALCANÇAM
O humano em geral tende a ser extremista. Uns mais, outros menos... Uns mais ofensivos e perigosos, outros apenas sendo massa de manobra.
No entanto, todos somos extremos em algum ponto. Isso é inegável.
Quando o indivíduo é um ser Consciente, ele não se cristaliza em CRENÇAS. E isso acontece porque ele já sabe verdadeiramente QUEM ELE É, ou seja, aquilo que está além do seu mero personagem transitório. Por isso a importância em se autoconhecer e estar CONSTANTEMENTE Consciente. Coisa da qual todos ainda estamos engatinhando; isso inclui a mim.
Não é que não sejamos o nosso personagem (ego) com nossas crenças, cultura, etnia, afinidades, etc. Somos essas coisas porque ESTAMOS essas coisas, no momento presente.
Ter Consciência de quem se é, não é ter conhecimento desse personagem (ego) com sua cultura e crenças. É saber-se Essência, Espírito, Alma, Coração, ou Centelha e compreender que a Verdade encontra-se nisso, não em nossa mente racional (e em em tudo o que ela acredita), apesar desta ser útil e necessária ao nosso viver como homem ou mulher.
Consciência com "C" maiúsculo é o grau de Sabedoria espiritual ou elevação da Alma, que já está além das aparências de nosso mundo fenomênico terreno. Consciência com "c" minúsculo é ter ciência apenas de si, no nível do ego e do que ele acredita ou faz.
Quando os espiritualistas dizem que alguém é Consciente, é porque estão se referindo ao grau de COMPREENSÃO que se tem da Vida (em sua profundidade), e que está além dos conceitos mundanos e lógicos. É dizer que tal pessoa já ACORDOU ou Despertou da ilusão que nos cerca, com todos os seus condicionamentos e tradições artificialmente programados.
Devido aos condicionamentos mentais, a humanidade é extremista em algum ponto. A mente racional apenas consegue enxergar tudo de forma SEPARADA e taxativa, sem conseguir extrair a essência de uma questão. Ela não consegue ir além do que a realidade aparenta mostrar (pois o mundo é estruturado em aparências); simplesmente vê uma coisa e imediatamente conceitua.
Vou tentar exemplificar em várias situações:
Quando eu vejo claramente a inversão de valores na sociedade, cada vez mais absurda, não é uma questão de eu ser tradicionalista e querer conservar os bons costumes. Não tem nada a ver com preservar nada, é simplesmente de ENXERGAR A REALIDADE. Isso não está ligada à crenças religiosas, mas sim ao que o Coração sente de mais puro e verdadeiro. Está além de taxar de "certo" ou "errado"; é ter o bom senso e sanidade... Ou melhor, saber discernir o que eleva daquilo que degrada a humanidade em geral.
As pessoas não estão vendo que a Real Felicidade não está relacionada à LIBERAÇÃO DE TUDO, em todos os sentidos, como se tivéssemos direito em fazer o que bem queremos. Podemos fazer o que quisermos, dentro ou fora da lei, como livre-arbítrio, mas na Lei Divina, a liberdade do nosso ego implicará em várias consequências... Não só à nós, mas ao mundo. Por isso a responsabilidade não está somente quanto à própria pessoa - ainda que fisicamente ou mentalmente ela não prejudique o próximo - pois tudo o que se faz reverbera em uma consciência coletiva. Uma ação nossa reflete no Todo.
A Real Felicidade está em ser livre INTERNAMENTE, ou seja, livre de qualquer dependência extrema (física, psicológica, religiosa, conceitual), para se ser feliz. Somos interdependentes uns dos outros e de coisas, sim; e isso é saudável. Porém, não no sentido de não termos nenhuma autonomia como Ser (Alma). Tudo o que nos torna viciados, obcecados ou extremistas, não nos torna livres ou felizes. Ser feliz de verdade está muito mais na capacidade de se libertar dos dramas internos, e não exatamente em evitá-los (com todo tipo de subterfúgios). Faça chuva ou faça sol, há de se estar Consciente. Apenas isso. Pois com Consciência conseguimos solucionar os desafios e não nos deixar arrastar por eles. É essa a nossa prova contínua: uma hora caímos e em outra, não. E assim, vivemos até melhorarmos os ciclos.
Eu não vejo conservadorismo em SABER DISTINGUIR o que aprisiona daquilo que de verdade nos liberta. E a liberdade somente pode vir através do espírito.
Enxergar isso é simplesmente estar Consciente.
Outra situação que precisamos ponderar é sobre a questão de preservar a família tradicional. O que é apropriado quanto a isso? No que se refere a uma espécie de isolacionismo e de egoísmo grupal, em que "o que importa são os meus e o resto é que se dane e corra atrás", eu não posso ser à favor. E aqui não estou dizendo de deixar de cuidar dos familiares e de nos importarmos com eles, mas sim de não se ver além deles. Quem quer cuidar apenas dos seus consanguíneos e esquece da família humana geral, não colabora com o todo. Não é à toa, que estamos vivendo como escravos... Existem famílias dinásticas que querem conservar os seus, geração após geração.
Entretanto, quando se diz que a família consanguínea tradicional é um erro e um impedimento para que a humanidade evolua e deixe de ser egoísta, está se dando margem à más condutas e inversão de valores, que a GRANDE MAIORIA INCONSCIENTE irá adotar. Como? Muitas pessoas que tenham mau relacionamento familiar usará essa linha de pensamento como pretexto e passará a desrespeitar pais, avós, tios, irmãos, etc. Não será usado para que se veja o egoísmo e, sim, para se rebelar e "cuspir no prato que se come". Honrar pai e mãe deve ser entendido como começar o respeito e consideração ao próximo, primeiramente, dentro de casa; depois no mundo. Há de se ter gratidão, por mais erros possam ter cometido conosco.
A intenção dos poderosos é usar um conceito espiritual para aparentar benevolência, sendo que a intenção é somente nos separar. Não existe ideologia sem um desejo egoísta por trás; não existe boa ação política que não queira se beneficiar às custas dos outros. E se existe, não está e nunca esteve no Poder.
É por isso, que insisto tanto em ouvir com atenção o que os outros querem comunicar. Por mais que as pessoas estejam confusas em suas crenças, há uma essência por trás que é preciso refletir.
Quanto à nossa sociedade patriarcal e o ressurgimento do Sagrado Feminino, também temos que ponderar. Não é porque vemos claramente, debaixo de nossos olhos, que a sociedade é basicamente Yang, ou seja, agressiva, extremamente racional, extrovertida, competitiva, que o desejo de uma sociedade mais harmônica e equilibrada, em termos de energias e comportamentos, seja uma atitude FEMINISTA (no mau sentido da palavra). Querer que as pessoas, inclusive as mulheres, voltem ao seu estado natural e se reequilibrem nas polaridades sendo mais intuitivas, receptivas, cooperativas, etc, não é nos colocarmos contra os homens, pelo contrário, é para nos entendermos cada vez melhor! Aquelas cujo objetivo é o de exigir respeito através de escândalos e choques, não são femininas. Essas estão sendo completamente Yang e masculinizadas no modo de agir. Devemos saber distinguir as reais intenções de nossas "bandeiras". Elas são para o bem do todo ou são para nos separar por causa de nossos umbiguismos? Aquilo que nos parece meramente conservador é realmente ruim ou em certa parte nos protege do mal?
Precisamos aprender a separar urgentemente o joio do trigo, para que não causemos injustiças. Estão tentando pegar a Verdade para transformá-la em distorções variadas com o intuito de defender uma causa pessoal e até "globalista".
Sou à favor de alertar os incautos e perdidos, do que é imoral e perverso, pois já é uma coisa que a maioria não consegue mais discernir. Temos que apontar tudo aquilo que estão querendo relativizar e tornar normal... Temos que chacoalhar mentalmente as pessoas que estão ficando insensíveis e omissas. Reflitamos seriamente: a paz não é conseguida através da neutralidade, do evitamento e da indiferença; a paz é conseguida com a Consciência.
Agora, quando se tem essa Consciência (com "C" maiúsculo), não quer dizer não agir, ou ser passivo (inerte); quer dizer, sim, agir pela paz através dela (Consciência). Tampouco, não quer dizer agirmos desenfreadamente com desespero e violência; quer dizer sabermos agir com sabedoria, razão e intuição ao mesmo tempo. Difícil? Sozinhos, pode ser; mas não unindo indivíduos com dons diferentes. Uns são mais lógicos, outros mais intuitivos... Uns são mentais, outros mais ativos. É JUNTARMOS FORÇAS e não exigirmos que todos ajam iguais a nós. Quem disse que aquele que pensa, mas não "age", não está fazendo alguma coisa? Claro que está, pois está colaborando com reflexões, intuições e conhecimentos. Penso, no entanto, que as pessoas de ação devem se colocar, não de forma ofensiva, mas se necessário de forma defensiva. Pela minha própria vivência, a passividade e a submissão durante muito tempo só acarretou exploração e abusos. Consertar depois o dano, é bem trabalhoso.
Para finalizar o exemplo do quanto somos todos extremistas, voltemos ao assunto religioso, tão em pauta nesse momento...
Batendo novamente na mesma tecla... A crença torna-se perigosa quando indivíduos se transformam na própria crença, ou seja, quando a crença está acima da Verdade que ele é e não sabe. Muitas pessoas pegam ensinamentos para fortalecer algo em que elas querem acreditar como forma de autoafirmação e prazer. Umas usam uma crença de forma distorcida e outras compreendem a sua essência que encontra-se bastante escondida. Mas o verdadeiro ensinamento espiritual não é aquele que nos prende em seus preceitos ou mesmo no seu modo de enxergar, é verdade... O ensinamento benigno é aquele que estimula as pessoas a analisarem e perceberem por si mesmas a vida, conforme suas próprias experiências.
Portanto, sobre o islamismo, o que eu posso dizer por experiência, é que a crença dos muçulmanos (sãos) não altera o seu caráter, propriamente dito. Tive a oportunidade de conhecer três. Não somente conheci, pronto e acabou; eu trabalhei diariamente durante dois anos com dois deles. Aliás, trabalhei com vários tipos de pessoas e nacionalidades: peruanos, bolivianos, chineses, filipinos, japoneses, turco e iraniano... Esses dois últimos, muçulmanos.
E vou ser bem sincera agora, observando os fatos como eles se apresentaram a mim... O turco e o iraniano eram muito mais corteses e humanos do que muitos brasileiros e japoneses que trabalhavam comigo. Inclusive, eram justamente os brasileiros que mais pisavam e humilhavam os próprios compatriotas. Não havia camaradagem e união alguma entre nós brasileiros, exceto, é claro, aquela amizade ou confraternização que era vantajosa manter. Fora isso, era um passando a perna no outro. A religião deles? A maioria era católico ou evangélico...
Não estou querendo dizer que católicos e evangélicos sejam FDP. Estou observando que a crença não altera o caráter e a generosidade de alguém.
O terceiro muçulmano que conheci foi um senhor brasileiro convertido. Ele me contou que participou de várias religiões, mas que naquela ele havia se encontrado. Não vou julgar se foi benéfico ou não, apenas sei que ele era muito bondoso comigo. Reparei em algumas "manias" excêntricas deles, sim, mas a Consciência desse senhor era muito maior do que muito espiritualista metido à professor que conheci no meio holístico e esotérico.
As minhas experiências de CONVÍVIO com vários tipos de pessoas, raças, nacionalidades, classe econômica, cultura, idade, etc, me deram a Consciência do que é ser humano além daquilo que acreditamos.
Ser humano está além de qualquer extremismo, seja de religião, ideologia, conceito, teoria, gênero, sexualidade, cultura... Pois todo extremismo divide. Já a Verdade e a Ilusão, a moral-espiritual e a perversidade, a generosidade e o egoísmo, a Consciência e a Ignorância; essas coisas, sim, necessitam de POSICIONAMENTO. Não no sentido de condenar e agredir como satisfação pessoal; mas no sentido de se colocar perante o mundo e alertar os outros. A escolha da humanidade está entre servir a Luz ou a Sombra; viver pelo Ser ou para o Ego. Não há como servir dois senhores ao mesmo tempo, Cristo já dizia.
Observemos os nossos extremismos (todos nós), para que não sejamos usados pela Sombra e pelo Ego.
Mais uma vez, aviso: eles (globalistas) querem o caos, a Terceira Guerra Mundial, a divisão da sociedade para que nós mesmos nos exterminemos. Eles, sim, trabalham em prol das trevas. Não colaboremos com eles. Precisamos nos unir.
E para isso, é preciso encarar o seu preconceito e aversão, seja em relação a qualquer coisa, e aprender a ouvir além das crenças para descobrir a Verdade que o outro diz. E todos nós, em algum nível dizemos, mesmo que encoberta de conceitos.
Basta saber enxergar pelo Coração.



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