MAIS DO QUE MÁQUINAS, PRECISAMOS DOS "SELVAGENS"...
Nós já vivemos o Admirável Mundo Novo...
Apenas quase ninguém repara, porque estão anestesiados e bem adaptados a ele.
Eu sou o Selvagem, aquele que ainda sente, enxerga poesia na vida e clama por mais humanidade. Sou uma atração de circo porque a impessoalidade robótica impera no mundo.
Não é uma mera crítica; é a realidade. Não é ser negativo; é encarar os fatos. Até porque ser negativo, na visão da minha Alma, é negar a si mesmo, ou seja, a Verdade em prol de um mundinho de aparências.
Ser negativo é não viver com profundidade e vontade.
Posso ser negativa em uma coisa: em querer acordar as pessoas pra Essência da Vida, fazê-las enxergar como enxergo, ajudá-las a não serem tão artificiais, e me frustrar em não conseguir. Isso muitas vezes me desanima.
Claro que eu sei que não se deve forçar nada... Claro que eu sei que cada um faz a sua escolha e que eu não devo me importar tanto...
Mas o que você faz com uma mina de diamantes, se não pode dividir a riqueza com os outros? Não, eles não querem os diamantes, porque precisam garimpar e se lapidar.
Não tem sentido sair da Matrix e deixar as pessoas para trás. Muitas eu já deixei por constatar a tempo que viraram leais agentes dela. Porém, há os que querem sair, mas não conseguem porque os condicionamentos os detém... As crenças de sobrevivência ainda são muito fortes.
Parece amargura as coisas que eu escrevo, por estar sempre descortinando as mentiras e as conveniências do Ego. Pode ser que eu sinta um pouco de cansaço e solidão, é verdade... Mas aparenta negativismo, porque para que se possa ver a beleza da luz, é preciso primeiro reparar toda a sujeira na janela da Alma. E são elas que tento mostrar, porque não há como remover algo que não se enxerga. No entanto, o problema não é que não enxerguem... O problema é não quererem enxergar.
Quando a luz surge, não perdemos o prazer pelas coisas da vida, mas sim, ele ganha um tom diferente. Não necessitamos mais de estímulos contínuos. A alegria se torna a consciência de quem se é. E sabendo quem se é e vivendo o que se sente, a vida passa a ter mais sentido.
Há cinco anos, a consciência de que eu não estava neste mundo em busca de plenitude, me veio. Hoje ela está bem mais clara em mim... Eu não "busco" felicidade plena ou me iluminar. O que eu vim fazer, é servir a um propósito maior, só isso. A paz de espírito vem como consequência dessa dedicação à uma missão. E quando falo em paz de espírito, não estou dizendo que não sentiremos mais dor, raiva, tristeza, mas que apenas o sentido maior de se estar aqui nunca o deixará desistir ou sucumbir. Ele sempre lhe dará força e confiança.
Também não estou dizendo que não tenhamos que ir atrás do que queremos, de fazer o que nos dá prazer, de viver de forma mais saudável e equilibrada... A diferença está em querer de forma natural e não de forma obsessiva-compulsiva. Quantas pessoas não querem prazer, entretenimento, vida saudável e equilíbrio, como válvulas de escape de suas míseras vidas sem sentido?
Não, eu não sou um ser pleno... mas tenho consciência plena do meu papel na vida. E quando descobrimos isso e passamos a nos dedicar gradualmente a ele, não há como não ser feliz, mesmo não estando perfeito. Ainda que o mundo ao seu redor seja importante, o seu mundo interno estará sempre em solo firme. As tempestades, os tornados, os terremotos, as tsunamis passam por você e a sua casa continua intacta.
Então, quando falo em se ter uma posição, é porque sem isso, as ondas altas e baixas acabam nos levando. Não somente em questão de alegrias e tristezas, mas de moral e ética e a ausência delas.
Não é a indiferença ou a frieza que lhe fará ter paz. Isso não é paz, é insensibilidade. A indiferença faz das pessoas, seres-objetos, como a maioria já é. Tudo será insosso, mecânico, amoral e imoral, como uma vida de robôs em busca de combustível. O sensor das máquinas só detectará prazeres e a alma com seus sentimentos se perderá.
Sem uma posição na vida, seremos manipulados até a morte, mesmo que esse viver já seja uma grande morte. Contribuiremos com a nossa própria desgraça e destruição do planeta.
Ter uma posição não é nos separar do Todo e nem das pessoas. Ter uma posição firme é contribuir com a integridade, a moral-universal, a ética, a Consciência... Não impondo essas coisas, mas sendo totalmente essas coisas e exemplo delas.
Sua conivência, aceitação ou complacência com as atitudes imorais e antiéticas não é e nunca foi respeito com o próximo. Mesmo que não possamos mudar atitudes e a ignorância alheia, ao ficarmos em cima do muro, contribuímos e incentivamos ainda mais a sua cegueira. Respeitar o próximo é se posicionar contra suas ações mentirosas, perversas, cruéis, libidinosas, criminosas, de forma contundente.
Mas as pessoas pensam que alcançarão Deus ou a Fonte, sendo indiferentes e condescendentes. Acreditam que amar incondicionalmente é aceitar tudo o que as pessoas fazem de sujo ou "perdoar" seus erros; e isso não é ser fraterno. Eu digo que perdoar é COMPREENDER a condição ignorante do "irmão" e saber o quão infeliz, miserável e sem amor ele é para fazer o mal que faz a si e aos outros. Mas, de modo algum, tornar irrelevante, sem importância, ou normal, todos os seus atos doentios e, assim, continuar a vida como se nada houvesse acontecido ou estivesse acontecendo. Perdoar não é esquecer o passado, e sim, olhar para ele e perceber o quanto fomos negligentes ou omissos conosco e, então, seguir em frente mais fortes e posicionados perante às pessoas e ao mundo.
Isso não nos dará garantias de que não nos farão coisas maldosas, mas nos dará firmeza de caráter para construir a vida baseada em um propósito maior, seguindo sempre em linha reta; não sendo levados pela correnteza da aprovação social.
Sim, o Admirável Mundo Novo está ao vivo e à cores em nosso dia-a-dia. A omissão das pessoas pela fuga de rejeições e a busca de uma harmonia artificial e forçada, fez delas seres sem discernimento, compaixão e dignidade. Diferentemente do orgulho, a dignidade lhe dá a autoconfiança real do Ser, tão necessária nos dias de hoje. Com ela, prefere-se a separação dos omissos úteis, do que a uma confraternização fingida com a perversa doença alheia.
O não-julgamento nunca foi ter relevância com o mal, pois assim não se ajuda o próximo; pelo contrário, lhe afunda mais e mais na sujeira do seu egoísmo. Ao nos tornar amistosos com a falta de caráter dos outros, mesmo sendo indiferentes, estamos incentivando a sua conduta.
Perdoar os arrependidos, é o correto, sim... Difícil é discernir o arrependido verdadeiro daquele que finge estar. E como saberemos? Ora, basta ver as suas atitudes. Uma pessoa verdadeiramente arrependida, renuncia aos seus ganhos e vantagens baseados em atos escusos, cegos e doentios. Sabe por quê? Porque para ela é insuportável estar e conviver com eles, pelo peso doloroso da culpa. Quem sente culpa, quer urgentemente se livrar do que a causa. A pessoa arrependida se renuncia em prol de sua paz de espírito.
O mundo sem Verdade acontece porque as pessoas são completamente omissas. Elas se juntam ao time que está ganhando e por isso estão sempre a se perder do Ser delas. Isso porque elas acham que o time que está ganhando é o que é certo, e não exatamente porque acreditam em seus princípios éticos.
Sou uma Selvagem nesse mundo apático e alheio aos sentimentos reais e ao bom caráter e dignidade. Sou Selvagem porque sou poeta e enxergo além do engano... Não o sou porque escrevo poesias para meramente ostentar status admirado de artista. Não porque vivo e penso de forma pioneira para ser vista como descoladinha, sofisticada ou uma intelectualzinha barata.
Sou Selvagem porque não vivo de aparências e o meu Coração ainda é de fogo.
Já o Admirável Mundo Novo... Esse vive a inútil ficção ao omitir a sua verdade...
Negligenciando a sua crucial posição.



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