DIAGNÓSTICO: "OUT" ISMO

      


      Antes era.
      Depois não era.
      Volta, então, a ser o que era.

      Primeiro vem o conhecimento de algo. Depois descartamos o conhecimento, por ser teoria. Mas no fim, o conhecimento retorna, se transformando em vivência e constatação. 

      Descobrir seus limites não o limita, pelo contrário, lhe dá condições em seguir por outro rumo. Não adianta querer seguir um caminho, sendo que desde pequeno não lhe deram autorização de trilhar. Não adianta ir de encontro ao muro, sendo que você não consegue pular.

      Talvez eu possa improvisar na vida, mas nunca deixar de ser o que sou. Não, realmente eu não posso me transformar em formiga, sendo a cigarra que sempre fui... Cigarras até morrem de frio, mas não deixam de cantar enquanto todos lutam pela sobrevivência.

      Uma vez ou outra, conseguimos disfarçar a nossa peculiaridade, mas a dificuldade em arranjar um disfarce, por si só, já nos deixa doente. Constato, então, que quanto mais eu tento me enquadrar, mais eu mato o meu potencial... E quando o mato, me torno invisível; uma verdadeira alma penada.

      Pode ser que a vida tenha me treinado bem a me camuflar na sociedade, pois fui meio jogada na selva. 
      Por isso, ninguém consegue perceber a minha extravagância, até conhecer o meu íntimo; e quando o conhecem, todos se afastam por medo e chateação. Medo pela franqueza e chateação pelo exagero.

      Mas, como disse, antes saber dos meus limites, do que exigir de mim algo impossível: ser como todo mundo. Ainda que eu queira - e os outros também - é ir contra a natureza das coisas.

      Somos todos seres adestrados, eu sei. No entanto, mesmo que se adestre um leão, um urso ou um elefante, eles serão eternamente selvagens. Um pouco diferente do cão...

      Tudo o que descubro de mim, não é para me rotular e me diminuir em uma síndrome, e sim para descobrir um meio e tentar interagir melhor com as tribos. Até porque o rótulo é meio maleável e ainda sem muita definição. Noventa por cento dele me cabe, dez por cento, graças à Deus, não. 

      E o mais irônico de tudo, é que justamente esses dez por cento de "normalidade" que deveriam me socializar, é o que acabam por criar abismos maiores entre mim e as pessoas. 
      Sabe que "normalidade" é essa? Ela se chama empatia e sentimento.

      Então, quem de verdade é antissocial?
      De nada adianta sermos sociáveis, se o coração está ausente. 

      Meu estrangeirismo não é por ser diferente.
      Meu estrangeirismo é por querer conversar com Almas e receber em troca somente a superficialidade da carcaça.      

      Sim, é fato e tenho que admitir... Não sei interagir com as carcaças.
      Simplesmente porque eu não consigo ser uma.


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